Frodo, Sam e Gollum (
Elijah Wood,
Sean Austin e
Andy Serkis) continuam a sua jornada em direcção à Montanha da Condenação para destruirem o Anel-Mestre, enquanto que todos os seus amigos lutam por eles.
Esperava menos de
Peter Jackson. Não menos qualidade, pois essa ainda existe apesar de em menor quantidade e mais dissimulada. Esperava menos... bem, tudo o resto.
Esperava menos Frodo, menos batalhas, menos CGI, menos orquestração e, definitivamente, menos duração. Enfim, esperava menos palha. Esperava que
Peter Jackson soubesse que quantidade não é sinónimo de qualidade. Esperava que
Peter Jackson não tivesse espremido ao máximo o argumento.
Esperava outra coisa.
A trama de
"O Regresso do Rei" divide-se facilmente em dois momentos:
1- A jornada do trio referido em cima.
2- As batalhas.
O primeiro momento é deplorável. Porquê? Por causa do retoque (retoque é dizer pouco, da verdadeira (agora sim) transformação) à
"Titanic" que
Jackson atribui a todas as cenas em que estão presentes Frodo e Sam. E assim, temos o nosso pobre Sam a fazer de Titanic e a ir vezes sem conta contra o icebergue Frodo, que agora mais do que nunca, brilha a fazer aquilo que faz melhor, não só como personagem na história mas também como actor no filme: nada. Ser um empecilho.
Para aqueles que gostam da obra de
James Cameron, as cenas entre Frodo e Sam são um mimo. Eu respeito isso. Agora também peço que respeitem a minha opinião, quando digo que não suporto estas cenas menos conseguidas (estou a tentar a todo o custo afastar-me da palavra maricada (que não tem nada a haver com homossexualidade!) para não ferir susceptibilidades, mas começa a ser difícil), que acabam por ocupar meio filme e que para além de suscitarem em mim um misto de raiva e aborrecimento, danificam seriamente o resultado final.
As batalhas são mais um festival de CGI e figurinos do que outra coisa. Sim, são épicas. Sim, são magistrais. Sim, são espectaculares. Mas apenas para quem gosta de ver planos rápidos e atribulados de milhares de pessoas à porrada e cabeças a rolar, tripas a saltar e etc...
Mais uma vez, não me incluo nesta categoria. Eu cá sou daqueles pacóvios que gosta mesmo é de história, diálogo e coisas assim.
Pelo meio, existe uma meia-duzita (quando comparadas com a extensão das cenas de Frodo ou das batalhas, é uma meia-duzita) de cenas realmente importantes e/ou interessantes para a história, como a cena dos fantasmas ou o diálogo entre Gandalf e Pippin na varanda, mas nada de muito significativo.
E isto tudo para dizer o quê? Para afirmar que o
Peter Jackson pode ser um sabidola, mas a mim não me engana. O que
Peter Jackson faz em
"O Regresso do Rei" é, nada menos, do que espremer até ao caroço um argumento que não tinha assim tanto para dar, que não tinha assim tanta história, e que apenas dava para uma hora e meia, e não três.
Mas
Jackson escolheu o caminho mais longo. São escolhas. Uns gostaram, outros não. Para aqueles que não gostaram, como eu, o resultado está bem à vista (ou nem por isso, porque ainda existem aqueles que adormeceram com uma hora de filme quando o Frodo estava a levar o Anel para a montanha, e acordaram com duas horas de filme quando o Frodo ainda estava a levar o Anel para a montanha).
Já dizia o grande
Jack Nicholson, que saiu da sala a 45 minutos do final do filme, ao pequeno (duplo sentido aqui)
Elijah Wood: " Too many endings, man.". Não só finais, mas tudo. Demasiado tudo.
E isto leva-me a uma nova questão: já que
Jackson quis fazer algo em grande (tamanho), porque não dividir (literalmente) a fita em duas partes, para não se tornar tão cansativa? Três horas e um quarto de filme? Não se justificava. Não se justificava nem em
"As Duas Torres", quanto mais agora.
Quanto ao elenco, nem sequer me expressarei sobre
Elijah Wood. Acho que aquela palavra de três letras, que começa por G e acaba em Y (mais uma vez, nenhuma alusão a Homossexualidade!!), expressa muito bem os meus sentimentos sobre este actor.
O resto do elenco é muito competente "como o costume". No entanto, tenho de me debruçar sobre alguns nomes em específico.
Para começar,
Sean Austin, o elemento que contrabalança com
Wood em todos os sentidos e que revela uma enorme segurança para a representação.
Ian McKellen também merece destaque, pois apesar de estar menos bem e mais "plástico" do que em
"A Irmandade do Anel", tem um papel de grande relevância e uma interpretação de igual qualidade.
Também
Viggo Mortensen é um verdadeiro herói, e um dos poucos que está ao nível do primeiro filme.
A nível técnico, como seria de prever não há uma falha a apontar. Apenas um destaque especial para a banda-sonora, que apesar de ser excessivamente usada, é uma das melhores alguma vez feitas para Cinema. Howard Shore está de parabéns e justifica o Óscar.
Uma nota ainda para a Versão Extendida do filme que, apesar de ser bem sucedida em brevíssimos momentos, acaba por não ter efeito práctico nenhum. Continua a existir o desiquilíbrio entre história para contar e tempo usado para a contar. Com uma diferença: agora são quatro (!!!) horas...
Como eu já disse,
"O Regresso do Rei" tem qualidade. Tem um nível considerável de qualidade. Mas está perdida, algures naquelas mais de três horas de agonia (chega a ser uma agonia, em muitos momentos).
Para muitos, este é o auge da trilogia. Para mim, a coisa descambou um pouco. E porque assim é...
"We come to it, at last."
