Guilty Pleasures: Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo


Quer-me parecer que esta minha rubrica já tem demasiado prestígio. Nada melhor do que contrabalar este prestígio com alguma... xungaria! E onde vou eu buscar esta xungaria? À fonte, pois!
Aqui estão os guilty pleasures do já lendário Pedro, autor do Cinema Xunga.


O guilty pleasure é uma das características mais enigmáticas da mente humana. Como podemos explicar o gosto por coisas que à primeira vista teriam tudo para nos abominar? Mas o certo é que todos nós somos tentados por este tipo de prazeres, seja masturbar um cavalo ou ouvir compulsivamente o novo CD do Leandro. Os próximos 7 itens que vos mostro são os meus guilty pleasures na área do entretenimento.


Número 7 – Kung Fu dos anos 70



Não é coisa que compre, grave ou tire da net. Mas quando estou a fazer zapping e apanho um filme de Kung Fu chinês (vertente Shaolin) não desgrudo. Talvez sejam influências de infância de quando os Jovens Herois de Shaolin fizeram de mim mais homem ou aquele impulso masoquista de ver audio e video com falta de sincronia. Mas adoro os efeitos sonoros e as proezas físicas a desafiar todas as leis da física (e da química, matemática e até da alquimia).


Número 6 – Ace Ventura


Apesar de ser constantemente enxovalhado publicamente em foruns ou discussões online, sou grande fã de Ace Ventura. E esta frase não é uma coisa que me faça popular. Até vou mais longe, os Ace Venturas e o Man on the Moon são a única coisa que Jim Carrey fez de jeito. Sim, os inveterados românticos das vertentes mais alternativas (com CDs comprados dos Sigur Ros e Bell and Sebastian) atiram-me sempre à cara com a pergunta “então e o Eternal Sunshine and The Spotless Mind“? ao qual eu respondo, “vão levar no cu mais o Eternal Sunshine and The Spotless Mind“. Apesar de ser um bom filme é apenas mais um bom filme. Ace Ventura é único, é original e não há nada me faça rir mais do que Jim Carrey a falar com um molho de espargos na boca e a perguntar “Tenho alguma coisa nos dentes?”.


Número 5 – Ali G Indahouse


Hey, chamem-me parolo, mas adoro o filme do Ali G. Pejado do humor mais baixo, mais básico e mais flatulento, tem tudo para ser odiado. Mas quem pode conter o riso quando Ali G discursa numa reunião de um grupo feminista e, para tentar ganhar o seu voto, promete baixar o preço dos Strap-Ons? Ali G é o pináculo máximo do bazofe, criatura bastante comum no nosso país. E o basofe é um tipo de pessoas que nem precisa de fazer nada para ser hilariante, basta aparecer com o rego do cu à mostra, os dedos com artrite basofiana e o habitual cumprimento “yo yo yo”.


Numero 4 -As séries do Seth MacFarlane



É verdade que inicialmente eram frescas e interessantes, mas as séries animadas do Seth MacFarlane já há muito que passaram o prazo de validade. Agora são apenas uma longa sucessão de spoof e paródias a outras séries e filmes. Mas eu adoro na mesma. Chego a gravar 12 horas seguidas na FOX ao sábado e domingo para depois ir vendo. Até fico deprimido quando descubro que já os vi todos e são só repetições. Também posso aqui meter nesta alínea todo o submundo da cultura Star Wars, mas isso iria requerer muito mais escrita…


Número 3 – Desperate Housewives


Arghh… Haverá maior degredo do que esta telenovela xunga em que nem as gajas se aproveitam? Um desfile de paus de virar tripa, velhas, enrugadas e com efeitos de suavização para não parecerem carcassas oxidadas. E o argumento? Tirando a primeira época que foi boa, é sempre moer e remoer as mesmas palermices, exacerbando o poder da dona de casa e mostrando os homens como sendo uns idiotas cuja única função é trazer-lhes dinheiro e prazer sexual. Mas eu não consigo parar de ver. Apesar de estar sempre a repetir a frase “Juro que este é o último episódio que vejo”, mas depois falha o período à Bree e eu tenho que ver o próximo episódio para ver se ela está grávida ou se é na realidade um homem.



Número 2 – Jay and Silent Bob Strike Back (2001)


O Viewaskewniverse é uma série de 6 filmes de Kevin Smith que apesar de serem independentes entre si (à excepção de Clerks 1 e 2) são interligados por uma séries de referências e situações diagonais comuns. São 6 filmes que eu idolatro quase como uma religião. Mas um deles, este do tópico, é na realidade um dos mais patéticos filmes algumas vez feitos. O filme tem pouca razão existir e veio provar que a Jay e Silent Bob são óptimos como personagens de suporte mas muito maus como personagens principais da sua própria epopeia. Ainda assim adoro este show de slapstick, badalhoquice e doses industriais de nonsense. As referências à cultura popular e um festim de Star Wars são as deliciosas imagens de marca de Kevin Smith. Está no topo da minha lista de Stoner Movies, lista essa que por si só poderia ser outro Guilty Pleasure.


Numero UM- Pornografia


Pois é! Eu estou a ver o vosso sorriso maroto. E sei que este não é só meu. Digam o que disserem, que usam Internet para “pesquisar“, “trabalhar“, “para ver o mail” o certo e que o tráfego de pornografia é quase 60% de todo o tráfego de Internet. O que significa que praticamente toda a gente gosta de ver berlaitada e gajas nuas, ou gajos nus, ou animais ou seja qual for o vosso sabor preferido. E só temos que agradecer à Internet por permitir que se poupe imenso espaço nas nossas estantes que antes tinham cassetes VHS a dizer “Titanic” ou “Final da Taça das Taças de 1987? e DVDs muito riscados sem capa, porque agora é tudo online ou naquele disco externo que não deixamos ninguém mexer
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Entrevista a Jaime Neves


Por vezes, o sentido de oportunidade é fundamental em certas ocasiões. Quando este, da minha parte, se aliou à generosidade do Dr. Jaime Neves, professor na Universidade Católica e director do Festival Black & White (cuja sétima edição se realizará em Abril), estava lançado o mote para uma das mais ambiciosas publicações deste meu humilde espaço.

Por isso mesmo, aqui apresento com todo o gosto aos meus leitores a primeira parte da entrevista que realizei ao Dr. Jaime (a quem aproveito para expressar o meu profundo agradecimento), esta focada no Black & White.

Peço, uma vez mais, o feedback de todos os leitores. Será muito importante saber a vossa opinião.


RFP- Caro Dr. Jaime Neves, quero, antes de mais, agradecer sinceramente a entrevista concedida.Sendo o Dr., o director do festival Black & White, e estando iminente a realização da próxima cerimónia (já em Abril), começo por perguntar como surgiu a ideia para a criação do Black & White, sendo que Portugal até possui um número significativo de festivais de Cinema.

JN- No contexto da Escola das Artes, por volta de 2003, chegamos à conclusão que seria importante para a comunidade estudantil e docente da escola a criação de um evento que possibilitasse a troca de experiencias entre artistas ligados ao cinema, áudio e fotografia. Rapidamente chegamos a um conceito de “festival audiovisual”, um festival com competições de vídeo, áudio e fotografia. Achamos que deveríamos inovar para criar um festival que fosse distinto de todos os outros. Efectivamente Portugal possui um número significativo de festivais mas nenhum deles tem as características do “Black & White”.


RFP- É, no entanto, a característica que constituí a nomenclatura do festival, a mais interessante. Porquê, apenas e só, a preto e branco?

JN- Nunca foi nossa intenção criar mais um festival igual a tantos outros. Sempre consideramos fundamental criar algo novo e diferente. O “Black & White” ao englobar 3 categorias artísticas (Vídeo, áudio e fotografia) e unicamente a preto e branco diferencia-se de todos os outros não só em Portugal mas também no mundo – não temos conhecimento de outro festival do género. O “Black & White” é um festival especializado na estética do preto e branco não se apresentando como um festival nostálgico mas sim como um festival desafiante para a recriação da estética do preto e branco utilizando a mais recente tecnologia digital. Era óbvio que faltava um festival que privilegiasse esta estética tão própria…


RFP- Sendo a vertente do Cinema, aparentemente, o principal foco de interesse dos espectadores do Black & White, acha que as outras duas (Fotografia e Som) merecem e obtêm o mesmo protagonismo?

JN- Curiosamente registamos este ano um aumento significativo de trabalhos fotográficos. O festival tem vindo a merecer cada vez mais a atenção dos amantes da fotografia. O áudio é também uma “imagem” de marca do festival… é óbvio que não há tradição de festivais também vocacionados para artistas ligados ao áudio… daí a categoria de áudio ser por norma a menos participada das 3. Para nós todas as categorias são importantes. Se há um maior protagonismo do vídeo o mesmo é atribuído pelo público…


RFP- Já vertente da sonoplastia parece ser a menos acessível. Poderia forncer alguns exemplos de um trabalho sonoro que cumpra o requisito do Black & White, o preto e branco?

JN- Produzir áudio a preto e branco é efectivamente um grande desafio! Ao longo destes 6 anos de festival temos sido brindados com interpretações magníficas do conceito áudio a preto e branco. Lembro-me por exemplo de uma composição sonora criada com os sons dos códigos de barras (pretos e brancos) nas caixas de supermercado. Foi um trabalho premiado e que ainda recordo com entusiasmo.


RFP- Estando iminente, como já foi referida, a realização do Black & White de 2010, quais as expectativas do Dr. Jaime para a edição deste ano?

JN- Para a 7ª edição do “Black & White” a nossa grande expectativa é que o público continue a participar no festival. Um festival sem público não faz sentido. Até ao momento estamos muito agradados. Esperamos poder continuar a merecer a confiança de cada vez mais público. Esperamos igualmente continuar a merecer a atenção da comunicação social não só nacional como internacional só assim continuaremos a conseguir divulgar cada vez mais o festival.


RFP- Analisando um pouco o histórico do festival, acha que existiu uma evolução significativa, desde a primeira edição até àquela que em Abril se realizará?A que níveis?

JN- Existiu efectivamente uma grande evolução ao longo das 6 anteriores edições do festival e a vários níveis: número de países em competição, qualidade das obras, riqueza da programação, as festas nocturnas diárias do festival, a referência dos convidados, o número crescente de público, a visibilidade na comunicação social, etc, etc. A própria organização do festival cresceu muito e é agora assumida por um maior número de pessoas.


RFP- Por fim, acredita que a realização dos Black & White é, agora, algo sem o qual, tanto os alunos como os professores da Universidade Católica, não podem passar? Ou seja, considera a realização destes festivais já quase indispensável, como forma de melhorar/desenvolver as capacidades dos alunos?

JN- Sou de opinião que nada nem ninguém é insubstituível. O “Black & White” é um projecto muito acarinhado pela comunidade da Escola das Artes da Universidade Católica mas existem mais outras iniciativas também relevantes. Se um dia o projecto “Black & White” for extinto acredito que deixará saudades não só na comunidade universitária mas também na comunidade cinéfila. É claro que não nos passa pela cabeça terminar o projecto! Já só pensamos na 7ª edição de 21 a 24 de Abril de 2010…
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Ponyo à Beira-Mar


Não será com certeza preciso um nível de perspicácia muito elevado, mesmo para o mais inexperiente cinéfilo na matéria, para se aperceber da complexidade e profundidade inerente à filmografia de Hayao Miyazaki. Não me parece que o manto animado com o qual se cobre, engane muitos. As obras de Miyazaki dirigem-se sempre a um público mais adulto, compreensivo e mais perceptível.

A única excepção parece ser "Ponyo à Beira-Mar". Apesar de aparentar ser irrelevante, a ordem pela qual se visualizam pela primeira vez os filmes de Hayao Miyazaki é um factor importante para uma opinião prematura do trabalho do realizador.
Estou assim totalmente convicto de que ter iniciado a minha incursão pela filmografia de Miyazaki com este "Ponyo à Beira-Mar", não foi a melhor opção.
Trata-se de uma fita claramente infantil, focalizada para uma audiência cuja faixa etária já não me enquadra.

Talvez por isto mesmo eu me tenha sentido algo desconfortável após a visualização desta obra, estando convicto de que se trata de um filme de extremos.
A animação que Miyazaki proporciona é refrescante e quase inovadora. Optar (ou continuar a) pela clássica animação desenhada a 2D, em vez do recorrente efeito computorizado, tem como consequência uma óbvia nostalgia. É uma opção que revela honestidade e sabedoria e que, não se servindo dos seus antecedentes, é responsável por momentos de pura beleza e regalo visual.
Seria um crime não referir o aparecimento da mãe de Ponyo, num maravilhoso turbilhão colorido que enche de júbilo a mais insensível das almas.
No entanto, a meu ver e tal como outros géneros animados, tem as suas limitações. Aqui, cabe-me apontar o dedo a Hayao Miyazaki, que erradamente presumiu que a sua técnica animada era capaz de fazer jus ao pretendido, algo que se veio a revelar falso, uma vez que algumas (escassas, é certo, mas marcantes) cenas de "Ponyo à Beira-Mar", sobretudo no climax da tempestade, são... ridículas.
Apesar de tudo, pela intenção e por grande parte da concretização, "Ponyo à Beira-Mar" é um verdadeiro mar de beleza.

Não são, no entanto, apenas os olhos que comem. Também a nossa audição beneficia (e de que maneira) de uma banda-sonora tão inocente quanto tocante. Um trabalho magnífico.

A nível argumentativo, "Ponyo à Beira-Mar" é, clara e infelizmente, irregular. A sua premissa é interessante, mas pouco apelativa, e a sua conclusão previsível.
É o desenvolvimento que "borra a pintura", com o argumento a perder-se algures entre um surrealismo delicioso e uma banalidade aborrecida, na relação entre Ponyo e Sosuke, havendo mesmo espaço para uma ou outra cena dispensável e sem sentido.

Servindo-se, acredito que involuntariamente, da sua fruição visual (quase sempre ao mais alto nível), "Ponyo à Beira-Mar" é uma proposta que apenas poderá ser valorizada pelo lado mais infantil de todos nós.



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Sherlock Holmes

Penso que era do conhecimento de alguns dos leitores do Cinemajb que este "Sherlock Holmes" era a fita que mais aguardava para 2009.Esta é uma crítica que já podia ter saído há algum tempo.

O facto é que vi pela primeira vez "Sherlock Holmes" há um punhado de semanas, no entanto, a desilusão estava a ser tão grande, que decidi rever o filme (antes ainda de o ter acabado de ver pela primeira vez) e dedicar-lhe a minha total atenção.

Devo dizer que foi um exercício inútil. É certo que a minha opinião mudou mas não graças àquilo que revi, mas sim àquilo que vi pela primeira vez: o final.
Definitivamente a mais interessante parte do filme, este vale pela sensação de satisfação que dá ao espectador, ao unir de uma só vez todas as pontas soltas que tinha deixado para trás.

Fora isto, "Sherlock Holmes" desiludiu-me em quase todos os sentidos.
A realização de Guy Ritchie tem em estilo o que lhe falta em substância. Elabora momentos de entretenimento (a capacidade de Holmes em prever como vai derrotar os seus adversários), mas apresenta-nos igualmente verdadeiras palhaçadas (a destruição do navio, aquando da luta).
O argumento é frouxo, demasiado despreocupado e com alguns buracos. Insere Rachel McAdams à pressão, retirando assim o tempo de antena que Mark Strong merecia.

O elenco também me desiludiu muito, a começar por um insosso Robert Downey Jr., cujo sotaque britânico não chega para justificar o Globo de Ouro que venceu.
Jude Law também me pareceu mais caricatural do que devia ser.

A destacar-se pela positiva está a banda-sonora de Hans Zimmer, divertida e apropriada à época representada, e a negra fotografia.

Não percebo mesmo o que se passou. Mas definitivamente, "Sherlock Holmes" não me agradou nada.


"-Why are you allways so suspicious?
-Should I answer chronologically or alphabetically?"


N.d.R.- Não, não existe sinopse na crítica. Concluí que não só não tenho jeito para sinopses como não tenho paciência.
Assim, aqui fica a informação: acabaram-se as sinopses.

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Nameless has put me speechless


E agora?

Como é que eu vou conseguir fazer a crítica a uma obra destas?
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O Solista


Steve Lopez (Robert Downey Jr.) é um jornalista do LA Times que, por obra do acaso, trava conhecimento com Nathaniel Ayers (Jamie Foxx), um músico de rua, esquizofrénico, e que suscita o interesse do jornalista.

É impressionante como "O Solista" não consegue ser completo em nenhuma das suas vertentes. O argumento de Susannah Grant é tão fraco, tão débil e tão preguiçoso, que não dava nem para um telefilme.

Qual é o tema do filme? A partir de quê se sustenta? Não faço ideia.
Pela relação dos protagonistas não é de certeza. É mostrada de forma muito breve, intermitente e pouco convincente. Uma série de episódios inacabados e sem elo condutor.
As origens de Nathaniel também não parecem constituir o filme. Meia dúzia de flashbacks inúteis e grosseiros é tudo o que temos.
A vida de George é igualmente ignorada, com uma relação com o filho a ser apenas mencionada, e o papel de Catherine Keener a ser reduzido ao de... sei lá bem o quê. Uma bêbada, talvez?
Infelizmente, apenas o dramatismo barato (leia-se lamechice pegada) sustenta "O Solista", do ponto de vista escrito.

Quem nos salva deste argumento medíocre?
Joe Wright tenta fazê-lo, mas o seu trabalho fica-se pela irregularidade (o que já não é mau). É capaz do melhor (como a cena em que um jovem Nathaniel imagina tocar violoncelo no braço) e do pior (as sensações que George tem ao ouvir Nathaniel tocar).

Robert Downey Jr. também o tenta, mas infelizmente toda a sua interpretação ficou marcada por um terrível erro: ter aceite um papel que, para além de muito pouco exigente, nada combina consigo.
Jamie Fox, por quem eu nutro muito pouca simpatia, tenta ser dramático e deficiente ao mesmo tempo. Pessoalmente, irritou-me muito, muito mesmo.

E a mim, quem é que me compensa do tempo que perdi a ver isto?


"I've never loved anything the way he loves music."

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Sim!



Carl Allen (Jim Carrey) é um executivo de meia idade que utiliza vezes de mais a palavra "não", reprimindo até mesmo os seus amigos com esta palavra.
No entanto, Carl está decidido a mudar tudo isto quando, ao assistir a uma curiosa conferência, passa a ser obrigado a dizer "sim" em todas as ocasiões.

Jim Carrey é um grande actor. Provou-o em "Homem na Lua", por exemplo.
Jim Carrey consegue elevar consideravelmente a qualidade de um filme. Provou-o em "O Mentiroso Compulsivo".
Mas Jim Carrey não salva todos os produtos em que participa. A prová-lo, está este "Sim!".

"Sim!" tinha potencial para mais, muito mais. A sua premissa é hilariante e, caso o actor canadiano tivesse sido bem dirigido, tinhamos certamente uma comédia hilariante.
Infelizmente, a concretização levada a cabo por Peyton Reed é sofrível, esbanjadora e patética.

Reed incute ao personagem de Carrey uma mudança tão radical de carácter, ao ignorar totalmente um necessário conflito de ideias (tão bem desenvolvido em "O Mentiroso Compulsivo"-fita com algumas semelhanças com este "Sim!"), que despe imediatamente toda a trama de credibilidade.

Além disso, a própria presença de Jim Carrey é apenas (muito) levianamente aproveitada, já que, para além de não existirem gags inteligentes e inovadores, nem a típica comédia física em que Carrey se tem vindo a especializar nos é oferecida.

Ainda bem que Jim Carrey não está dependente deste tipo de filmes. Quando chegas tu, "I Love Phillip Morris"?


"The era of yes has begun."

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Guilty Pleasures: Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo


Quer-me parecer que esta minha iniciativa precisa de (ainda) mais prestígio. Haverá melhor forma de o conseguir, do que exibir as escolhas do Filipe Coutinho, autor do prestigiado Cinema is My Life? Acho que não.

#5 Music and Lyrics


Estas comédias tipicamente britânicas são em tudo muito mais substanciais do que aquelas que são produzidas por terras do Tio Sam (exceptuando as duas que seguem). Em alguns momentos chega a ser hilariante e é impossível negar que se trata de um excelente feel-good movie.


#4 The Holiday


Quando vi a fita pela primeira vez em cinema fiquei impressionado. Talvez tenham sido as actuações, a comédia ou, simplesmente, o amor pelo cinema. Parece-me um produto honesto, igual a si mesmo, e recheado de muita ternura onde o elenco de luxo complementa na perfeição as falhas que são evidentes. O conceito já foi visto várias vezes mas realmente o talento de Jack Black, Kate Winslet e Jude Law assim como a abordagem à essência do cinema fazem toda a diferença. E depois há aquele toque britânico que dota a longa-metragem de uma magia especial.


#3 Dan in Real Life


Honestamente, não sei precisar o porquê de ter apreciado tanto uma película tão banal. Por vezes aparecem destes filmes que nos comovem pela sua ternura. Carell é brilhante tanto nos momentos cómicos como naqueles mais emotivos. E depois há uma banda-sonora muito boa acompanhada de uma excelente fotografia.


#2 Pirates of the Carabbean: Dead Man's Chest


Bem, devo ser a única pessoa em todo o mundo que considera que "Dead Man's Chest" é em tudo superior ao primeiro capítulo desta saga e é por tal motivo que entra nesta lista. Nunca me ri tanto com o capitão Jack Sparrow e com o incrível talento de Johnny Depp onde a sua versatilidade arrebata qualquer um. Existem sequências de acção fenomenais com o humor sempre presente e uma composição sonora magistral. Tenho pena que outros não o considerem mas assim se faz cinema.


#1 American Pie



E o primeiro lugar fica mesmo a cargo de "American Pie 2". Foi a fita que visualizei mais vezes, tanto em uma sala de cinema, como em casa e foi aquela que marcou a minha adolescência. As aventuras destes jovens são hilariantes e as personagens ficaram, por alguma razão, na minha memória. É simplesmente o MEU guilty pleasure.
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Kiss Kiss, Bang Bang


Harry Lockhart (Robert Downey Jr.) é um ladrão de quinta categoria, mas honesto. Durante um assalto que corre mal, o seu parceiro é abatido e Harry é perseguido pela polícia. Num golpe de sorte, acaba por ir parar a uma audição para um papel de um assaltante cujo parceiro é morto.
Saindo-se obviamente bem, Harry entra imediatamente no mundo de Hollywood, cruzando-se com duas carismáticas personagens: Gay Perry (Val Kilmer), um implacável detective privado (que é mesmo gay) que o ajudará a preparar-se para o seu papel, e Harmony Laine (Michelle Monaghan), uma velha paixão do liceu.
Infelizmente, os três ver-se-ão envolvidos num crime.

Uma gigantesca surpresa foi este "Kiss Kiss Bang Bang". Datado de 2005, a fita de Shane Black é um misto de thriller com comédia negra, que transpira carisma e estilo, e proporciona uma elevadíssima dose de entretenimento.
Eis um muito bem sucedido "buddy-movie", com um enredo inteligente, uma realização muito característica e bem trabalhada, e um elenco fantástico.
Shane Black tem aqui um trabalho muitíssimo competente, na elaboração deste pedaço de loucura tão saboroso. Cria uma história vibrante e credível, um conjunto de personagens memoráveis (onde o protagonista é também um desorientado e hilariante narrador) e rodeia-se de um elenco surpreendente e que encaixa na perfeição.

Shane Black realiza de forma tão sóbria este "Kiss Kiss Bang Bang", que não tem qualquer tipo de problema em ir mais longe. Não se agarra a nenhum género (apesar de se agarrar a algumas pessoas, visto que "Kiss Kiss Bang Bang" tem Tarantino all over it), satiriza os próprios conceitos a que adere, como os finais felizes, e parece ter uma aptidão especial para achar o humor nos pormenores mais sórdidos.
Enfim, não fosse o ritmo demasiado rápido de "Kiss Kiss Bang Bang" (o espectador não pode desviar os olhos do ecrã por um segundo), e Shane Black estava de parabéns.

De parabéns está mesmo o elenco, a começar pelo fabuloso Robert Downey Jr.. Um papel excelente, que adere como uma segunda pele ao actor, e que este personifica na perfeição. Pelo meio, ainda há tempo para arranjar uma química espantosa com o igualmente excelente Val Kilmer.
Pena que a relação de Downey Jr. com Michelle Monaghan seja tão seca.

Mas "Kiss Kiss Bang Bang" é uma proposta excelente, que garante entretenimento inteligente e ao rubro. Não pode ser ignorado.


"-Do you think I'm stupid?
-I don't think you'd know where to put food at, it you didn't flap your mouth so much. Yes, I think you're stupid."


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Brevemente

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