Actualização » Um Caso de Subvalorização « Actualização


À terceira, foi de vez. Agora não consegui ficar indiferente à qualidade intrínseca a "Golpe Quase Perfeito", um dos maiores casos de subvalorização que recordo.
Não tenho, no entanto, muita moral para me expressar sobre este assunto.

De facto, também eu subvalorizei (e de que maneira) esta interessantíssima fita de Lasse Hallstrõm, realizador de "Chocolate", e que nos presenteia com a melhor interpretação da carreira de Richard Gere.

No sentido de enfatizar isto mesmo, aqui anuncio que irei quebrar uma regra-base do Cinemajb, ao rescrever pela primeira vez uma crítica a um filme.

A actual crítica, podem espreitá-la aqui. Mas a sua validade é, agora, nula.
Servirá, temporariamente até ser alterada, como meio de comparação e constatação da minha evolução na escrita e maturidade cinematográfica.

Um caso de subvalorização que não podia ser ignorado.
Nova crítica brevemente.
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Guilty Pleasures: Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo


Por vezes, não são precisas introduções. O JBM, responsável pelo Cineblog tratou disso mesmo.
Fiquem com os seus cinco maiores guilty pleasures.

...

Ela: Ontem às tantas da noite deu Mortal Kombat na TVI. Que porcaria de filme. Quando eras puto gostavas daquilo.
Eu: Pois... Sabes como são os miúdos. Não percebem nada de cinema.
Ela: Olha, estás com um ar cansado. Que olheiras são essas.
Eu: Deitei-me tarde. Só isso.
Ela: Não me digas que estiveste a ver o...
Eu: ... Não. Que disparate. Estive a pôr uma papelada em dia... Para o trabalho.
Ela: Mas hoje é Sábado.
Eu: É para a semana...

Porque gostar de cinema é muito mais do que gostar de bons filmes, o Cinema JB pediu-me que enunciasse os meus cinco prazeres proibidos. Aqui ficam... mas não contem a ninguém... tenho uma reputação a manter.


5º Home Alone


Basicamente é o Casablanca dos filmes de família. Tem piada, tem coração e tem o Joe Pesci num papel familiar. É o grande clássico natalício das televisões nacionais e todos os Natais vejo-o como se fosse a primeira vez.


4º Jingle All The Way


É um filme patético com um conceito patético e um Schwarzenegger patético. Não consigo perceber porque gosto disto.


3º Karate Kid III


Sempre que passa na televisão fico colado ao ecrã. Uma história de coragem, amor e justiça. Ou simplemente uma reciclagem do primeiro Karate Kid - que por sua vez era um Rocky para os mais novos - com um vilão ainda mais alucinado. Não tem um pingo de originalidade e os clichés (alguns inventados pela própria "saga") sucedem-se a um ritmo alucinante. Mas parto-me a rir sempre que Mr. Miyagi ensina o Daniel San a varrer. Sou uma criatura básica.


2º Rocky IV


Vamos lá ser sinceros. Haverá algum amante de cinema que não tenha uma cantinho secreto no seu coração para este clássico da Guerra Fria? Stallone contra Lundgren. Tenho tudo dito.


1º Mortal Kombat



Secretamente acredito que o Tarantino gostava de ser o Paul W.S. Anderson. Este rapaz é o único realizador do momento a fazer verdadeira série B. Em 1995 brindou a humanidade com aquele que é provavelmente o melhor filme baseado num videojogo (seguido de perto pelo Resident Evil, também do P.W.S.A e também um guilty pleasure) . Um argumento risível, diálogos parolos, efeitos especiais mal amanhados e muita porrada. Sem dúvida que conseguiu capturar a essência do videojogo.
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Estado de Guerra


A guerra, como conceito, nunca foi muito fácil de retratar. Existem inúmeros filmes que tentam fazê-lo, uns com resultados bem mais satisfatórios do que outros. Não é, portanto, um género cinemtográfico incomum. É, isso sim, um género de difícil concretização e algo saturado, a precisar desesperadamente de uma perspectiva diferente.

Kathryn Bigelow traz-nos a visão feminina da guerra do Iraque, uma visão completamente banal e muito, muito sobrevalorizada.
Não negarei que Bigelow elabora um pequeno milagre, sendo capaz das mais variadas proezas técnicas (como a fantástica cena inicial, em particular a explosão em slow-motion), apesar do modesto orçamento. Bigelow capta o pesado ambiente de guerra de uma forma muito realista e competente, justificando claramente a nomeação para o Oscar.

É precisamente devido à sua produção modesta que este "Estado de Guerra" merecia um argumento que lhe elevasse o estatuto, tal como "Moon-O Outro Lado da Lua". Tal não acontece, visto que o escrito da autoria de Mark Boal é insuficiente e incoerente.
O relato do dia-a-dia de uma equipa anti-bomba é apelativo de início, mas rapidamente se desvanece numa falta de originalidade decepcionante (três casos quase idênticos). Para tentar contornar esta dificuldade, criam-se histórias paralelas que vão desde uma missão de sniping totalmente aborrecida até uma conveniente e levianamente explorada relação pseudo-paternal.
Além disto, quer-me parecer que o pobre Boal não conhecia minimamente o assunto sobre o qual pretendia escrever, já que o trio militar que nos é apresentado não passa de um bando de inconscientes, perturbados e infantis (como aliás a maioria das personagens) que merecia nada menos do que uns largos meses na prisão militar.

Um outro factor que me desagradou foi a publicidade enganosa levada a cabo por "Estado de Guerra" que, tão ridícula quanto inexplicavelmente, exibiu os nomes de Guy Pearce, Ralph Fiennes e David Morse (os mais conhecidos elementos do elenco) como se estes fossem realmente actores no filme de Kathryn Bigelow. As performances dos três actores, somadas, perfazem um tempo de quê, 5 minutos? 10? Era totalmente escusada esta estratégia de marketing, com a agravante de "Estado de Guerra" se vangloriar constantemente do seu estatuto de filme independente.
Era escusado também retirar protagonismo ao verdadeiro elenco de "Estado de Guerra", que é comandado por um irrepreensível Jeremy Renner a revelar-se um achado na nobre arte da representação.

Não é uma proposta desprovida de qualidade, no entanto, "Estado de Guerra" revela-se mais um caso de sobrevalorização. No entanto, e visto que está na ordem do dia, adianto que é substancialmente melhor do que "Avatar".


"There's enough bang in there to blow us all to Jesus. If I'm gonna die, I want to die comfortable."

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Herói (Parte I)


Por vezes existem filmes assim. Filmes capazes de nos arrebatar de tal forma, pelos melhores ou pelos piores motivos, que uma análise escrita parece quase impossível sob pena de não fazer a mínima justiça ao produto em questão.

O produto em questão é um com o qual eu nada me identifico, confesso. Aliás, muito raramente me aventuro para fora do cinema americano. "Herói" é um filme chinês, obviamente ligado às artes marciais, e com um elenco totalmente asiático a ser encabeçado por Jet Li, cujas capacidades para a arte da representação não justificam a popularidade do actor.

Sendo assim, foi de forma muito relutante que assisti a este "Herói" (em grande parte incentivado pelas análises do Roberto Simões e do Ricardo Vieira), sempre na defensiva e sempre na certeza de que o resultado final me iria desagradar.

Por vezes, há que admitir estarmos errados. Esta é uma daquelas ocasiões e, com mais ou menos preconceitos ou simplesmente gostos desfocados deste género de Cinema, em momento algum em me atreveria a dizer que "Herói" é um mau filme.
Muito pelo contrário, a fita de Yimou Zhang e apadrinhada por Quentin Tarantino (uma surpresa para mim e que elevou de imediato o meu interesse pela mesma) possui um nível qualitativo superado por muito poucos dos filmes que já tive o prazer de ver.
Assim, torna-se substancialmente mais fácil referir os aspectos de "Herói" que não me conquistaram totalmente.

O primeiro é a realização do já referido Yimou Zhang. Não obstante o seu magnífico trabalho durante grande parte da obra, sobre o qual me expressarei mais à frente, Zhang falha, redondamente a meu ver, nas sequências de artes marciais ao abusar clara e constantemente do slow-motion, atribuindo-lhes uma conotação de cansaço e aborrecimento totalmente desapropriada e obviamente escusada. Não sei se reunirei muito consenso neste meu ponto de vista, mas estou absolutamente convicto do que digo: se no início, o efeito era agradável e permitia uma perspectiva mais panorâmica da acção, o exagero da técnica apenas prejudicou o resultado final.

Apenas um outro obstáculo impede a minha total apreciação de "Herói": a linha narrativa utilizada para apresentar a trama do filme. Eu, honestamente, compreendo-a. São escolhas, e a usada para o argumento de "Herói", ao estilo de filmes como "Os Suspeitos do Costume", nunca me agradou.
Não me consigo conformar sabendo que estão a ser gastos dezenas de minutos com informações que se vêm a revelar, total ou parcialmente, falsas. Não me agrada, não consigo gostar. Já para não falar das consequências de tal linha narrativa, nomeadamente alguma confusão (não foi o meu caso, mas com outros aconteceu). Era desnecessário.

Reitero, no entanto, que estes foram os únicos factores que não me agradaram na totalidade. Afirmar que não gostei de algo, neste fenomenal "Herói", seria mentir.
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I felt like watching a masterpiece



"-Has anyone told you play an agressive game?
-Has anyone told you have very sensual lips?
-Extremely agressive."
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Grandes Prémios Cinemajb: Melhor Personagem

3.º Lugar- "Hans Landa" (Christoph Waltz, em "Sacanas Sem Lei")


A leviandade com que Landa leva a sua "profissão", apesar da dedicação, impelem um sentido de humor tão perverso que apenas podemos associa-lo a um nome: Quentin Tarantino.
Depois de uma série de personagens deliciosamente insuportáveis, aqui fica mais uma.


2.º Lugar "Tallhassee" (Woody Harelson, em "Bem-vindo a Zombieland")

Quer seja nos papéis mais propícios (o desastrado agente de "Golpe no Paraíso"), quer seja nos menos prováveis (o... whatever de "2012"), Woody Harelson sempre foi capaz de deixar bem vincado o seu carisma.
Quando o soltam no meio de zombies, o resultado é uma verdadeira delícia.


1.º Lugar- "Rorschach" (Jackie Earle Haley, em "Watchmen- Os Guardiões")

Com o hype (merecido) à volta do Landa de Waltz, todos se parecem ter esquecido da magnífica recriação levada a cabo por Haley, na fita de Zach Snyder.
Um personagem sombrio, profundo e extremista. Numa palavra: inesquecível.
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Kiki-Aprendiz de Feiticeira


Claramente não tem corrido da melhor maneira, ou pelo menos não da maneira que eu esperava (talvez pelas altíssimas expectativas), este Especial dedicado a Hayao Miyazaki.

A visualização de "Kiki-Aprendiz de Feiticeira" vem a confirmar isto mesmo, ao revelar-se tão decepcionante quanto insuficiente. E é precisamente essa a questão: Hayao Miyazaki não tem o que contar em quase duas horas de filme.

Cria uma personagem maravilhosa, e disso ninguém duvida. Kiki é uma adorável e inocente rapariga, capaz de criar com o espectador um elo afectivo formidável, sendo mesmo o principal pilar de suporte de toda a escassa trama (muito em parte graças à dobragem de Minami Takayama).

Mas Miyazaki, por e simplesmente, não é capaz de criar um enredo para "Kiki-Aprendiz de Feiticeira". Kiki vai-se debatendo com meia dúzia de problemas dignos de uma série, onde cada um é de fácil resolução e importância diminuta, e muitas personagens secundárias, mas nenhuma marcante. A relação paternal de Kiki com os seus progenitores, o ponto mais interessante da fita (os seus primeiros 10 minutos), é preterida a favor das características já descritas, bem como um final tão previsível quanto desadequado (fruto de uma solução fácil para a irritante questão do dirigível) e que viria a culminar em mais informação desnecessária durante os créditos.
Não há nada a que nos agarremos, quando nos referimos à narrativa de "Kiki-Aprendiz de Feiticeira", a não ser a introdução e a protagonista que, obviamente, não chegam.

Ao menos Hayao Miyazaki não desilude, de todo, na outra metade do bolo.
A animação, não sendo estonteante como a de "Ponyo à Beira-Mar" (também devido à temática em si), induz um certo noir extremamente apelativo.
A acompanhar na perfeição está a banda-sonora, retrato musical da liberdade e jovialidade que caracterizam a doce Kiki.

Mas esperava, de facto, mais. Muito mais.





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Guilty Pleasures: Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo


Quer-me parecer que esta minha rubrica já tem demasiado prestígio. Nada melhor do que contrabalar este prestígio com alguma... xungaria! E onde vou eu buscar esta xungaria? À fonte, pois!
Aqui estão os guilty pleasures do já lendário Pedro, autor do Cinema Xunga.


O guilty pleasure é uma das características mais enigmáticas da mente humana. Como podemos explicar o gosto por coisas que à primeira vista teriam tudo para nos abominar? Mas o certo é que todos nós somos tentados por este tipo de prazeres, seja masturbar um cavalo ou ouvir compulsivamente o novo CD do Leandro. Os próximos 7 itens que vos mostro são os meus guilty pleasures na área do entretenimento.


Número 7 – Kung Fu dos anos 70



Não é coisa que compre, grave ou tire da net. Mas quando estou a fazer zapping e apanho um filme de Kung Fu chinês (vertente Shaolin) não desgrudo. Talvez sejam influências de infância de quando os Jovens Herois de Shaolin fizeram de mim mais homem ou aquele impulso masoquista de ver audio e video com falta de sincronia. Mas adoro os efeitos sonoros e as proezas físicas a desafiar todas as leis da física (e da química, matemática e até da alquimia).


Número 6 – Ace Ventura


Apesar de ser constantemente enxovalhado publicamente em foruns ou discussões online, sou grande fã de Ace Ventura. E esta frase não é uma coisa que me faça popular. Até vou mais longe, os Ace Venturas e o Man on the Moon são a única coisa que Jim Carrey fez de jeito. Sim, os inveterados românticos das vertentes mais alternativas (com CDs comprados dos Sigur Ros e Bell and Sebastian) atiram-me sempre à cara com a pergunta “então e o Eternal Sunshine and The Spotless Mind“? ao qual eu respondo, “vão levar no cu mais o Eternal Sunshine and The Spotless Mind“. Apesar de ser um bom filme é apenas mais um bom filme. Ace Ventura é único, é original e não há nada me faça rir mais do que Jim Carrey a falar com um molho de espargos na boca e a perguntar “Tenho alguma coisa nos dentes?”.


Número 5 – Ali G Indahouse


Hey, chamem-me parolo, mas adoro o filme do Ali G. Pejado do humor mais baixo, mais básico e mais flatulento, tem tudo para ser odiado. Mas quem pode conter o riso quando Ali G discursa numa reunião de um grupo feminista e, para tentar ganhar o seu voto, promete baixar o preço dos Strap-Ons? Ali G é o pináculo máximo do bazofe, criatura bastante comum no nosso país. E o basofe é um tipo de pessoas que nem precisa de fazer nada para ser hilariante, basta aparecer com o rego do cu à mostra, os dedos com artrite basofiana e o habitual cumprimento “yo yo yo”.


Numero 4 -As séries do Seth MacFarlane



É verdade que inicialmente eram frescas e interessantes, mas as séries animadas do Seth MacFarlane já há muito que passaram o prazo de validade. Agora são apenas uma longa sucessão de spoof e paródias a outras séries e filmes. Mas eu adoro na mesma. Chego a gravar 12 horas seguidas na FOX ao sábado e domingo para depois ir vendo. Até fico deprimido quando descubro que já os vi todos e são só repetições. Também posso aqui meter nesta alínea todo o submundo da cultura Star Wars, mas isso iria requerer muito mais escrita…


Número 3 – Desperate Housewives


Arghh… Haverá maior degredo do que esta telenovela xunga em que nem as gajas se aproveitam? Um desfile de paus de virar tripa, velhas, enrugadas e com efeitos de suavização para não parecerem carcassas oxidadas. E o argumento? Tirando a primeira época que foi boa, é sempre moer e remoer as mesmas palermices, exacerbando o poder da dona de casa e mostrando os homens como sendo uns idiotas cuja única função é trazer-lhes dinheiro e prazer sexual. Mas eu não consigo parar de ver. Apesar de estar sempre a repetir a frase “Juro que este é o último episódio que vejo”, mas depois falha o período à Bree e eu tenho que ver o próximo episódio para ver se ela está grávida ou se é na realidade um homem.



Número 2 – Jay and Silent Bob Strike Back (2001)


O Viewaskewniverse é uma série de 6 filmes de Kevin Smith que apesar de serem independentes entre si (à excepção de Clerks 1 e 2) são interligados por uma séries de referências e situações diagonais comuns. São 6 filmes que eu idolatro quase como uma religião. Mas um deles, este do tópico, é na realidade um dos mais patéticos filmes algumas vez feitos. O filme tem pouca razão existir e veio provar que a Jay e Silent Bob são óptimos como personagens de suporte mas muito maus como personagens principais da sua própria epopeia. Ainda assim adoro este show de slapstick, badalhoquice e doses industriais de nonsense. As referências à cultura popular e um festim de Star Wars são as deliciosas imagens de marca de Kevin Smith. Está no topo da minha lista de Stoner Movies, lista essa que por si só poderia ser outro Guilty Pleasure.


Numero UM- Pornografia


Pois é! Eu estou a ver o vosso sorriso maroto. E sei que este não é só meu. Digam o que disserem, que usam Internet para “pesquisar“, “trabalhar“, “para ver o mail” o certo e que o tráfego de pornografia é quase 60% de todo o tráfego de Internet. O que significa que praticamente toda a gente gosta de ver berlaitada e gajas nuas, ou gajos nus, ou animais ou seja qual for o vosso sabor preferido. E só temos que agradecer à Internet por permitir que se poupe imenso espaço nas nossas estantes que antes tinham cassetes VHS a dizer “Titanic” ou “Final da Taça das Taças de 1987? e DVDs muito riscados sem capa, porque agora é tudo online ou naquele disco externo que não deixamos ninguém mexer
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Entrevista a Jaime Neves


Por vezes, o sentido de oportunidade é fundamental em certas ocasiões. Quando este, da minha parte, se aliou à generosidade do Dr. Jaime Neves, professor na Universidade Católica e director do Festival Black & White (cuja sétima edição se realizará em Abril), estava lançado o mote para uma das mais ambiciosas publicações deste meu humilde espaço.

Por isso mesmo, aqui apresento com todo o gosto aos meus leitores a primeira parte da entrevista que realizei ao Dr. Jaime (a quem aproveito para expressar o meu profundo agradecimento), esta focada no Black & White.

Peço, uma vez mais, o feedback de todos os leitores. Será muito importante saber a vossa opinião.


RFP- Caro Dr. Jaime Neves, quero, antes de mais, agradecer sinceramente a entrevista concedida.Sendo o Dr., o director do festival Black & White, e estando iminente a realização da próxima cerimónia (já em Abril), começo por perguntar como surgiu a ideia para a criação do Black & White, sendo que Portugal até possui um número significativo de festivais de Cinema.

JN- No contexto da Escola das Artes, por volta de 2003, chegamos à conclusão que seria importante para a comunidade estudantil e docente da escola a criação de um evento que possibilitasse a troca de experiencias entre artistas ligados ao cinema, áudio e fotografia. Rapidamente chegamos a um conceito de “festival audiovisual”, um festival com competições de vídeo, áudio e fotografia. Achamos que deveríamos inovar para criar um festival que fosse distinto de todos os outros. Efectivamente Portugal possui um número significativo de festivais mas nenhum deles tem as características do “Black & White”.


RFP- É, no entanto, a característica que constituí a nomenclatura do festival, a mais interessante. Porquê, apenas e só, a preto e branco?

JN- Nunca foi nossa intenção criar mais um festival igual a tantos outros. Sempre consideramos fundamental criar algo novo e diferente. O “Black & White” ao englobar 3 categorias artísticas (Vídeo, áudio e fotografia) e unicamente a preto e branco diferencia-se de todos os outros não só em Portugal mas também no mundo – não temos conhecimento de outro festival do género. O “Black & White” é um festival especializado na estética do preto e branco não se apresentando como um festival nostálgico mas sim como um festival desafiante para a recriação da estética do preto e branco utilizando a mais recente tecnologia digital. Era óbvio que faltava um festival que privilegiasse esta estética tão própria…


RFP- Sendo a vertente do Cinema, aparentemente, o principal foco de interesse dos espectadores do Black & White, acha que as outras duas (Fotografia e Som) merecem e obtêm o mesmo protagonismo?

JN- Curiosamente registamos este ano um aumento significativo de trabalhos fotográficos. O festival tem vindo a merecer cada vez mais a atenção dos amantes da fotografia. O áudio é também uma “imagem” de marca do festival… é óbvio que não há tradição de festivais também vocacionados para artistas ligados ao áudio… daí a categoria de áudio ser por norma a menos participada das 3. Para nós todas as categorias são importantes. Se há um maior protagonismo do vídeo o mesmo é atribuído pelo público…


RFP- Já vertente da sonoplastia parece ser a menos acessível. Poderia forncer alguns exemplos de um trabalho sonoro que cumpra o requisito do Black & White, o preto e branco?

JN- Produzir áudio a preto e branco é efectivamente um grande desafio! Ao longo destes 6 anos de festival temos sido brindados com interpretações magníficas do conceito áudio a preto e branco. Lembro-me por exemplo de uma composição sonora criada com os sons dos códigos de barras (pretos e brancos) nas caixas de supermercado. Foi um trabalho premiado e que ainda recordo com entusiasmo.


RFP- Estando iminente, como já foi referida, a realização do Black & White de 2010, quais as expectativas do Dr. Jaime para a edição deste ano?

JN- Para a 7ª edição do “Black & White” a nossa grande expectativa é que o público continue a participar no festival. Um festival sem público não faz sentido. Até ao momento estamos muito agradados. Esperamos poder continuar a merecer a confiança de cada vez mais público. Esperamos igualmente continuar a merecer a atenção da comunicação social não só nacional como internacional só assim continuaremos a conseguir divulgar cada vez mais o festival.


RFP- Analisando um pouco o histórico do festival, acha que existiu uma evolução significativa, desde a primeira edição até àquela que em Abril se realizará?A que níveis?

JN- Existiu efectivamente uma grande evolução ao longo das 6 anteriores edições do festival e a vários níveis: número de países em competição, qualidade das obras, riqueza da programação, as festas nocturnas diárias do festival, a referência dos convidados, o número crescente de público, a visibilidade na comunicação social, etc, etc. A própria organização do festival cresceu muito e é agora assumida por um maior número de pessoas.


RFP- Por fim, acredita que a realização dos Black & White é, agora, algo sem o qual, tanto os alunos como os professores da Universidade Católica, não podem passar? Ou seja, considera a realização destes festivais já quase indispensável, como forma de melhorar/desenvolver as capacidades dos alunos?

JN- Sou de opinião que nada nem ninguém é insubstituível. O “Black & White” é um projecto muito acarinhado pela comunidade da Escola das Artes da Universidade Católica mas existem mais outras iniciativas também relevantes. Se um dia o projecto “Black & White” for extinto acredito que deixará saudades não só na comunidade universitária mas também na comunidade cinéfila. É claro que não nos passa pela cabeça terminar o projecto! Já só pensamos na 7ª edição de 21 a 24 de Abril de 2010…
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Ponyo à Beira-Mar


Não será com certeza preciso um nível de perspicácia muito elevado, mesmo para o mais inexperiente cinéfilo na matéria, para se aperceber da complexidade e profundidade inerente à filmografia de Hayao Miyazaki. Não me parece que o manto animado com o qual se cobre, engane muitos. As obras de Miyazaki dirigem-se sempre a um público mais adulto, compreensivo e mais perceptível.

A única excepção parece ser "Ponyo à Beira-Mar". Apesar de aparentar ser irrelevante, a ordem pela qual se visualizam pela primeira vez os filmes de Hayao Miyazaki é um factor importante para uma opinião prematura do trabalho do realizador.
Estou assim totalmente convicto de que ter iniciado a minha incursão pela filmografia de Miyazaki com este "Ponyo à Beira-Mar", não foi a melhor opção.
Trata-se de uma fita claramente infantil, focalizada para uma audiência cuja faixa etária já não me enquadra.

Talvez por isto mesmo eu me tenha sentido algo desconfortável após a visualização desta obra, estando convicto de que se trata de um filme de extremos.
A animação que Miyazaki proporciona é refrescante e quase inovadora. Optar (ou continuar a) pela clássica animação desenhada a 2D, em vez do recorrente efeito computorizado, tem como consequência uma óbvia nostalgia. É uma opção que revela honestidade e sabedoria e que, não se servindo dos seus antecedentes, é responsável por momentos de pura beleza e regalo visual.
Seria um crime não referir o aparecimento da mãe de Ponyo, num maravilhoso turbilhão colorido que enche de júbilo a mais insensível das almas.
No entanto, a meu ver e tal como outros géneros animados, tem as suas limitações. Aqui, cabe-me apontar o dedo a Hayao Miyazaki, que erradamente presumiu que a sua técnica animada era capaz de fazer jus ao pretendido, algo que se veio a revelar falso, uma vez que algumas (escassas, é certo, mas marcantes) cenas de "Ponyo à Beira-Mar", sobretudo no climax da tempestade, são... ridículas.
Apesar de tudo, pela intenção e por grande parte da concretização, "Ponyo à Beira-Mar" é um verdadeiro mar de beleza.

Não são, no entanto, apenas os olhos que comem. Também a nossa audição beneficia (e de que maneira) de uma banda-sonora tão inocente quanto tocante. Um trabalho magnífico.

A nível argumentativo, "Ponyo à Beira-Mar" é, clara e infelizmente, irregular. A sua premissa é interessante, mas pouco apelativa, e a sua conclusão previsível.
É o desenvolvimento que "borra a pintura", com o argumento a perder-se algures entre um surrealismo delicioso e uma banalidade aborrecida, na relação entre Ponyo e Sosuke, havendo mesmo espaço para uma ou outra cena dispensável e sem sentido.

Servindo-se, acredito que involuntariamente, da sua fruição visual (quase sempre ao mais alto nível), "Ponyo à Beira-Mar" é uma proposta que apenas poderá ser valorizada pelo lado mais infantil de todos nós.



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