45 Anos


"I don't read the script, the script reads me."

"Tempestade Tropical" (Crítica aqui)


"If you want to understand me, watch my movies."

"Chaplin" (Crítica aqui)"


Um dos grandes da actualidade.
Read more

O Aviador


Sempre me revelei apreensivo em relação a esta obra de Martin Scorsese. Tinha sido acusada de tudo um pouco, mas sobretudo de ser pautada por momentos tremendamente aborrecidos. A minha experiência da filmografia de Scorsese não é vasta, mas ainda menos o era antes de assistir a "O Aviador". E foi assim, de forma relutante, que assisti a este passo de gigante na carreira de Martin Scorsese.

E é de forma muito entusiasta que afirmo nunca ter estado tão feliz por um filme não ter correspondido às minhas expectativas. "O Aviador" tinha tudo, absolutamente tudo para ser uma obra-prima. E é de facto uma obra-prima.

Constitui, arrisco-me a dizer, um dos momentos mais altos da carreira de Martin Scorsese, a oportunidade dada ao cineasta para finalmente demonstrar o seu amor pelo Cinema mas desta vez a uma escala maior do que nunca. O generoso orçamento permitiu a Martin Scorsese rodear-se de qualidade por todos os lados e dirigi-la com uma paixão e uma dedicação estonteantes, não só pela 7.ª Arte, mas também pela fascinante figura de Howard Hughes.

Creio, honestamente, que a primeira e principal questão que deve ser feita a respeito deste filme é: Como é possível não gostar de "O Aviador"?
"O Aviador" é uma das obras mais completas e abrangentes que já tive o prazer de ver, experimentando géneros tão distintos como a acção, a aventura, o romance, o suspense, alguma comédia e tudo com muita, muita intensidade e classe.

"O Aviador" transcende largamente o simples género do biopic, respira Cinema e emana classicismo em cada frama, graças à mestria de Martin Scorsese que filma "O Aviador" de forma fantástica e que prova o seu talento através de pequenas opções com consequências fenomenais.
Opções estas que se prendem com, por exemplo, a diferente fotografia utilizada durante o filme, de forma a demarcar visualmente certos eventos (neste caso, os anteriores a 1935), o acompanhamento simultâneo dos dois intervenientes de uma simples chamada telefónica e, claro, os intensos jogos de sombras que exploram o lado mais doentio de Hughes.
Um trabalho de mestre, de uma dedicação apaixonante e que deveria (mais uma vez...) ter sido premiado com o Óscar de Melhor Realizador.

A nível argumentativo, admito que possa não existir uma linha narrativa muito coerente. Mas tal factor não é um entrave à existência de uma história extremamente interessante sobre uma figura extremamente interessante.
Se já nos seus momentos mais descontraídos (como, por exemplo, aquele em que vemos Jude Law), "O Aviador" assegura o entretenimento, em cenas mais importantes (como o julgamento), o filme de Scorsese é simplesmente imperdível.
Recheado ainda de personagens marcantes e muito bem conhecidas do grande público, o escrito de "O Aviador", da autoria de John Logan (já nomeado anteriormente para o Óscar de Melhor Argumento Original por "Gladiador"-crítica aqui), trata cada uma destas personalidades como um capítulo na vida de Howard Hughes, atribuindo-lhes uma dimensão e uma profundidade magníficas e tornando-as assim, também elas, deliciosamente fascinantes.

Personalidades que são brilhantemente interpretadas por um elenco invejável, um conjunto de grandes actores com interpretações de grande calibre. Debruço-me, no entanto, principalmente sob o elenco secundário. Nomeadamente, o sempre bem e sempre discreto John C. Reilly que, agora sob a capa da discrição e contrariando o registo intenso de "Gangs de Nova Iorque" (crítica aqui), obtém novamente uma excelente interpretação. Outros membros merecem destaque, nomeadamente Ian Holm, Alan Alda (que não justificou a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário), Kate Beckinsale (um poço de beleza e a encostar, nesta matéria, Cate Blanchett e Gwen Stefani a um canto), Alec Baldwin e sobretudo Adam Scott. Membros distintos de um brilhante grupo interpretativo, todos eles à altura do desafio.

Resta agora o casal protagonista, Leonardo DiCaprio e Cate Blanchett, e que interpretam Howard Hughes e Katherine Hephburn. Devo confessar-me ligeiramente desapontado com as performances de ambos os actores, que me parecem um pouco irregulares, com momentos altos e momentos... médios.
DiCaprio está bem no seu papel, mas apenas atinge um registo realmente impressionante na segunda parte do filme, mais concretamente nas já referidas cenas do isolamento e do julgamento. É uma excelente interpretação em alguns momentos, mas no cômputo geral fica-se pelo regular.
Blanchett parece demasiado caricatural para obter a credibilidade necessária como Hephburn, obtendo uma interpretção um pouco histérica em demasia e, por isso mesmo, algo risível. Talvez fosse propositado, mas não me agradou particularmente.

Uma palavra final para a banda-sonora, sempre fabulosa, sempre versátil e sempre do mesmo mestre: Howard Shore.

No final, tudo se resume ao mesmo: "Longo"? "Cansativo"? "Personalidade desinteressante"? Não devem ter visto o mesmo filme que eu. Como é possível não se gostar de "O Aviador"?


"It's the way of the future."



Read more

Em Busca da Felicidade/Underworld: Evolução


Enésima versão do típico filme lamechas, aqui convertido a filme de actor de forma a arrancar a mais poderosa interpretação da carreira do subvalorizado Will Smith, que por este filme recebeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor.
Para além disto e da química natural de Will Smith com o jovem Jaden Smith (filho do actor na vida real), pouco mais há a elogiar.

A realização é amadora e indecisa (evitando, ainda assim e por várias vezes, ir deliberadamente ao encontro do drama e até mesmo da comédia), e o argumento é por demais redutor e algo incoerente, terminando com o típico final feliz e a evidente preguiça para uma conclusão decente.

Não é um mau filme, quanto mais não seja pela excelente performance de Will Smith. Mas fica muito aquém do que podia ter sido.


"This part of my life... this part right here? This is called happyness."




Evolução? Pelo contrário, regressão. Regressão, dependência, chungaria, estupidez. Eis alguns dos adjectivos que classificam bem esta sequela de "Underworld- O Submundo" (crítica aqui).

Para além de não se aguentar como filme a solo (a prová-lo estão os constantes, irritantes e inúteis flashbacks dos acontecimentos do primeiro filme), "Underworld: Evolução" chega mesmo a ser confuso e totalmente incoerente na sua abordagem.

Não se podiam ter cingido àquilo que eram capazes de fazer (acção non-stop), tinham que arranjar um enredo tão estapafúrdio quanto idiota. Histórias, mitos, lendas, nomes trocados e ainda o enredo do primeiro filme são alguns dos ingredientes utilizados na salgalhada sem sentido a que alguns chamam de "argumento". É tudo uma confusão e são várias as perguntas que ficam no ar.

Pouco inteligente foi também a opção de descartar Michael Sheen e Bill Nighy, sendo que agora o elenco está reduzido à pouco explorada (a nível de talento) Kate Beckinsale.

Enfim, um fracasso. Conseguiu ser pior do que o original, o que não era fácil.
O meu conselho? Vejam o terceiro tomo e fiquem-se por aí.


"-You don't scare me, Selene.
-Well, we'll have to work on that."

Read more

Não há margem para dúvidas

62% dos leitores do Cinemajb desejam o final das vídeo-críticas. De certa forma, até estou contente, já que estas eram de difícil elaboração e, aparentemente, de difícil agrado.

Quem sabe no futuro...
Read more

Procurado


Timur Bekmambetov nem sequer hesita em trespassar furiosamente os limites do razoável, se isso implicar a existência de um produto que consiga entreter tão bem e destacar-se tão claramente da maioria dos filmes do género.

Aliás, esta falta de realismo não é propriamente defeito, mas antes feitio da abordagem conduzida, abordagem esta que acaba por se revelar muito bem-sucedida, pelo menos até certo ponto.
É claro que chega aquela altura em que temos de ligar o cérebro e questionarmo-nos a próposito de certos pormenores, como o facto de as balas conseguirem ser curvadas ou uma Angelina Jolie extremamente magra mas capaz de desancar qualquer um.

O problema de "Procurado" não está, então, neste irrealismo, que permite aliás o triunfo de categorias técnicas como os efeitos especiais e sobretudo a sonoplastia.

Também não está no elenco, obviamente. Nem são Morgan Freeman e Angelina Jolie que merecem os maiores elogios, mas sim o surpreendente James McAvoy que carrega todo o filme às costas com a sua portentosa e divertidamente sarcástica interpretação.

O principal busílis de "Procurado" é o seu desequilibrio narrativo, o óbvio vosso qualitativo entre a primeira e a segunda parte. A primeira parte é fantástica, corrosiva e hilariante. Inesperada, instável e inspirada. É um one-man show de McAvoy, acompanhado pela eloquência de Freeman e a sensualidade de Jolie.
A segunda parte é um fracasso total, um drama familiar frouxo e forçado e que tem ainda a particularidade de exibir Morgan Freeman a fazer uma das figurinhas mais ridículas da sua carreira.

"Procurado" é um excelente e desequilibrado produto de entretenimento.


"What the fuck have you done lately?"

Read more

Record

E eis que depois das mentiras, vem uma verdade bem recompensadora. No dia 1 de Abril de 2010, o dia que terminou há 30 minutos, o Cinemajb bateu o seu record de comentários.

Foram, ao todo, 22 comentários recebidos pelo yours truly.

E muito obrigado!
Read more

Remake de "A Lista de Schindler"! Mas Hollywood está cheia de doidos?! [Actualização]


Ainda estou em choque... Acabei de saber que "A Lista de Schindler" (crítica aqui), a obra-prima de Steven Spielberg, irá ser alvo de um remake! É incrível, esta gente de Hollywood não tem escrúpulos mesmo.

Um filme com apenas 17 anos já vai ter "direito" a um remake? E não se ficam por aqui, as notícias. O protagonista do filme, que irá ter o nome de "1100" (acho que foi o número de judeus salvos por Schindler), o actor que irá repetir o papel de Liam Neeson é... Orlando Bloom, que também irá produzir (já se está a ver como obteu o papel...).

Os restantes produtores serão Michael Mann e Joel Silver, sendo que o primeiro é apontado como o principal candidato à posição de Realizador.

Mas havia mesmo necessidade?!
Parece-me óbvio que isto já está condenado ao fracasso...


[Actualização]- Esta "notícia" não passou de uma simples mentira, como forma de festejar o 1.º Dia de Abril.
Read more

Underworld:A Revolta


No terceiro filme desta saga, é-nos mostrada a origem da guerra entre os Lycans,uma espécie de lobisomens, e os vampiros.

É rara a sequela que supera o original,mas"Underworld:A Revolta" é um desses escassos exemplos,uma película aparentemente fraca, que acaba por se tornar em entretenimento de qualidade significativa,onde um elenco sem grandes estrelas é mais do que suficiente para suportar o filme.Se o já sempre bem Bill Nighy não necessita de apresentações,Michael Sheen confirma as boas indicações dadas em "Frost/Nixon", ambos com excelentes interpretações.

Com um argumento interessante que,para além de introduzir algum dramatismo na trama,faz uma boa ligação com o filme original,bem como outros aspectos como a excelente fotografia,embora alterada por via digital, e uma banda-sonora interessante,"Underworld:A Revolta" é um filme que pode,deve e merece ser visto como uma obra individual,independente do substancialmente mais fraco,o original "Underworld-Submundo".


O Melhor-Michael Sheen e Bill Nighy.

O Pior-Obviamente,a falta de realismo e algum estilo em demasia.

[Re-apreciação feita a 01/04/10]
Read more

Confiem em Mim


Este vai ser O filme português!
Read more

Ratatui


Já todos o sabemos: a Pixar é incapaz de produzir um mau filme. Estes revolucionários estudos animados apresentam-nos, ano após ano, excelentes propostas animadas. Ao contrário da Dreamwoks, que continua a preterir a qualidade a favor do lucro, a Pixar é a verdadeira herdeira de toda a magia de Walt Disney.
Por isso mesmo, "Ratatui" nunca poderia se um mau filme. O que não invalida que, dentro da "família Pixar", "Ratatui" seja um dos filmes menos bons. O que, por sua vez, não invalida que "Ratatui" seja um bom filme. Confuso? Nem por isso.

"Ratatui" esbanja, sobretudo, dedicação e amor. Neste caso, o amor pela alimentação resulta numa fita dedicada e surpreendentemente informativa. Remy não é apenas um personagem sem essência que aparenta gostar de cozinhar, mas quase um verdadeiro rato que realmente sabe o que está a fazer. É esta tridimensionalidade argumentativa, este realismo das personagens que assegura a empatia do público.

Mas esta é uma característica já comum nas obras da Pixar e que, por si só, não eleva assim tanto o filme. No caso de "Ratatui", era necessária alguma descontracção e a existência de mais gags que atribuíssem ao filme mais fluidez. Não bastam problemáticas e vocabulário de cozinha, é preciso dar igual importância ao humor, para que "Ratatui" não caia nas malhas do aborrecimento. O que, por alguns momentos, chega a acontecer.

"Ratatui" é também um filme ligeiramente desequilibrado e incoerente, tentando apostar no já referido realismo (por exemplo, e ao contrário da maior parte das obras da Dreamworks, os animais não conseguem comunicar com os humanos por voz), mas é também possuidor de erros incríveis no mesmo campo (um rato que consegue manipular um homem, puxando-lhe os cabelos? Sim, pois...).

Os desempenhos vocais são todos feitos por actores semi-desconhecidos, com excepção para Peter O' Toole que, refira-se, está fantástico.
A nível técnico, "Ratatui" é obviamente irrepreensível. Animação e banda-sonora são magníficas.
A propósito, deixo aqui uma curiosidade: Sabiam que tenho um amigo meu, cujo pai é amigo de um tipo que trabalhou em "Ratatui"? Pois é, sou uma celebridade...

"Ratatui" venceu o o Óscar de Melhor Filme de Animação com toda a justiça. Como, aliás, todas as obras da Pixar.


"If we are what we eat, then I only want to eat the good stuff."

Read more
Related Posts with Thumbnails