
Num filme cujo título é
"Missão: Impossível", o espectador não pode esperar, à partida, muito realismo na trama. Pode esperar, sim, a habitual trama de espionagem, ligeiramente complexa e ligeiramente mal fundamentada. Algo típico neste género de filmes, onde o dinheiro é razão para o bom virar mau.
Custa também um pouco ver como
Brian De Palma se foca demasiado em
Tom Cruise para ignorar um elenco secundário tão sonante.
Jon Voight,
Kristin Scott Thomas,
Jean Reno ou
Ving Rhames são nomes que desfilam em volta de
Cruise, mas sem se tornarem realmente marcantes. Pouco tempo de antena, personagens demasiado ocas (típicas dos anos 90) ou ambos, são as causas para a falta de imposição do elenco secundário.
Menos mal que o protagonista é
Tom Cruise, símbolo de estilo e que se dá ao luxo de conseguir uma interpretação muito capaz, num registo irónico e algo arrogante.
Apesar da sua premissa aparentemente inteligente,
"Missão: Impossível" é um filme para ver com o cérebro desligado. Um dos melhores do seu género, nos anos 90.
"Anonimity... is like a warm blanket."

"Romance Perigoso" é uma espécie de balão-de-ensaio para
"Ocean's Eleven" (crítica
aqui).
Steven Soderbergh peca apenas por duas coisas. A primeira é a indecisão entre fazer um filme romântico, um thriller de assaltos, um buddy-movie, um policial ou uma comédia.
"Romance Perigoso" corre estes géneros todos, conseguindo pedacinhos deliciosos de todos eles, mas sem se fixar realmente em nenhum. Falta coerência à realização.
O segundo erro chama-se
Jennifer Lopez. Antes de mais, quem lhe disse que era actriz, enganou-a bem. Até mete dó vê-la no meio de tão talentoso elenco. Além disto, e para o papel que deveria representar (o de
feeme fatale meets bad-ass),
Lopez deixa muito a desejar, já que não está minimamente atraente (quilos e maquilhagem a mais).
Erros que parecem pouco, quando comparados com outros aspectos. O argumento é excelente, divertido mas a explorar muito bem a vertente romântica sem se tornar lamechas ou cliché.
Lopez também não estraga muito, já que o filme é de
George Clooney. Competentíssima interpretação a criar empatia com o público. Quando não é de
Clooney, é de
Ving Rhames, de
Don Cheadle, de
Steve Zahn (hilariante) ou de
Albert Brooks.
Uma palavra final para o
cameo de
Samuel L. Jackson e a banda-sonora, juntamente com a recomendação total por parte deste vosso escriba, isto se quiserem passar um bom momento de cinema.
"Now that I can say that I fucked a U.S. Marhall, do you think I will?"