
"Brincadeiras Perigosas" marca o primeiro encontro entre a minha pessoa e a pouco ortodoxa filmografia de Michael Haneke. E que primeiro encontro este!
"Brincadeiras Perigosas" irá perdurar na minha memória como um dos filmes mais intensos e verdadeiramente estranhos da última década. O estilo de realização de Michael Haneke é diferente de tudo o que já tinha visto até ao momento. Uma realização cruel e crua, em concordância com a natureza de "Brincadeiras Perigosas", e quase insuportável. Cenas enormes, exploração ao máximo da capacidade de sofrimento do fabuloso elenco e ainda uma série de pormenores inesquecíveis, como o facto de Haneke nunca filmar directamente as cenas de violência, deixando assim o espectador imaginar o que terá acontecido, ou a quase ausência de banda-sonora
Michael Haneke rompe com as convenções do género, tendo um dos melhores e mais irreverentes trabalhos de realização de 2007. Trabalho este que peca apenas por falta de contenção, já que uma ou outra cena é bastante cansativa devido à sua excessiva duração.
O elenco é igualmente magistral. Apesar das interpretações muito competentes de
Naomi Watts e
Tim Roth, ambos são ultrapassados pelos perturbadores
Michael Pitt e
Brady Corbet. Este último, especialmente, está fabuloso.
Então, o que faltou a
"Brincadeiras Perigosas" para ser um grande filme? Faltou um argumento. Apesar da crítica social nele implícita, no final, não deixa de permanecer uma sensação de insuficiência, porque
Haneke não tinha assim tanto para contar.
Recapitulando: adolescentes perturbados invadem lar de família perfeita... e pronto. Pelo meio há o habitual: jogos macabros, diálogos incisivos mas em quantidade reduzida, e as típicas reviravoltas do género.
E
Michael Haneke ainda faz pior. Tenta compor o cenário com a sua realização desconcertante, mas, como já referi, excede-se e torna
"Brincadeiras Perigosas" muito parado.
E que cena foi aquela do comando? Honestamente, não sei bem o que pensar daquilo. Genialidade? Insanidade? Nunca tinha visto uma cena assim, mas é de facto marcante...
E, afinal de contas, essa é a palavra de ordem para definir
"Brincadeiras Perigosas": marcante.
"-Why don't you just kill us?
-You shouldn't forget the importance of entertainment."
