
Não há nada mais perigoso do que uma cara conhecida.
Um pequeno grande filme.
Uma tour-de-force de Robin Williams.
Seja na magnífica fotografia de Jeff Cronenweth, seja na seguríssima realização de Mark Romanek, que, com substancial mestria, consegue tornar até o mais banal dos locais -neste caso um simples supermercado- no local ideal para alguns inesquecíveis momentos (sendo o mais bem conseguido o pesadelo de Sy, muito pessimista e, ao mesmo tempo metafórico e directo), seja no argumento discreto e feito à medida de um one-man show.
A qualidade, é visível por todo o lado, em "Câmara Indiscreta".
E o seu expoente máximo é aquela que perdurará como uma das melhores interpretações da carreira de Robin Williams. Um papel muito difícil, um personagem emocionalmente instável, algo bipolar, que muda de registos com muita facilidade e rapidez, mas também extremamente tocante e dramático.
Enfim, um papel muito pouco acessível que Robin Williams agarra com todo o seu portentoso talento, provando que é mais, tão mais, do que um simples comediante genial.
"Câmara Indiscreta" é um filme discreto, pessoal, intimista e voyeurista. Pecando apenas por deixar a sensação de que poderia ter ido ainda mais longe, sobretudo a nível argumentativo, não deixa de ser muito subvalorizado e certamente merecedor um maior reconhecimento . Quanto mais não seja, pela grande, grande interpretação do grande Robin Williams.
"And if these pictures have anything important to say to future generations, it's this: I was here. I existed. I was young, I was happy, and someone cared enough about me in this world to take my picture."
"All I did was take pictures..."
"Most people don't take snapshots of the little things. The used Band-Aid, the guy at the gas station, the wasp on the Jell-O. But these are the things that make up the true picture of our lives. People don't take pictures of these things."
