Um Domingo Qualquer


"Um Domingo Qualquer" é não só uma das melhores obras de Oliver Stone -realizador cuja grande parte do trabalho me tem escapado- como também uma das mais subvalorizadas.

Stone tem aqui um mérito inegável, ao conseguir fazer de "Um Domingo Qualquer" um espectáculo de entretenimento de grande qualidade, assegurando diversos e excelentes momentos ao longo de 2h30 que nos parecem curtas no final.

Mesmo com uma história bastante simples, os argumentistas John Logan e Daniel Pyne elevam "Um Domingo Qualquer" a um verdadeiro épico desportivo. Muitos dos diálogos entre as personagens são avassaladores e alguns monólogos (em especial os de Al Pacino) ficarão na história do Cinema moderno.

É um argumento portentoso ao nível de diálogos e dimensão das personagens, que é estendido e polido pela realização majestosa do sempre dinâmico Oliver Stone (que volta a fazer um curto e simpático papel).

O elenco é peça-chave para o sucesso de "Um Domingo Qualquer". Um Al Pacino a redefinir o adjectivo intensidade, encontra-se à frente de um grande elenco. Dennis Quaid e James Woods, que merecia mais tempo de antena, obtém das melhores performances da sua carreira.
Até Cameron Diaz e Jamie Foxx, actores por quem não nutro qualquer simpatia, estão muito bem, especialmente a primeira.

A banda-sonora encaixa na perfeição, e eis Oliver Stone a pegar numa história banal, puxando-a até quase 3 horas de duração e no final... a deixar-nos a salivar por mais!


"On any given Sunday you're gonna win or you're gonna lose. The point is - can you win or lose like a man?"

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A Ressaca/Alien vs Predador


"A Ressaca" não tem, literalmente, muita piada. Tem situações muito propícias a tal, uma série de personagens que mereciam um filme só para elas, e um elenco invulgarmente capaz.

O problema é que Todd Phillips desperdiça este material todo, fazendo de "A Ressaca" um filme muito simpático e agradável, de fácil visualização e capaz de entreter muito bem, mas com pouquíssimas tiradas de real humor.





Desperdício surreal de potencial, o aguardado confronto entre as duas raças de alienígenas é uma autêntica desilusão para todos os fãs.
Argumento horrível, realização adolescente e um elenco quase totalmente amador.
São tantos os momentos ridículos e as incoerências de "Alien vs Predador", que até dói.

No entanto, o maior problema está na protagonista que está a cargo da péssima actriz Sanaa Lathan, tentando fazer de Alexa Woods uma imitação de Ellen Ripley, mas o mais que consegue é ser apenas uma empertigada irritante e que merecia ter sido "despachada" antes do filme completar meia hora.

No entanto, reconheço em "Alien vs Predador" um semi-guilty pleasure. Existem de facto um ou dois confrontos directos entre o Alien e o Predador, e que são um regalo para os olhos. O problema é tudo o resto...

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Loucuras em Las Vegas/A Tempo e Horas


Rob Corddry, sidekick brilhante, protagoniza as poucas cenas do filme genuínamente divertidas. O resto, já foi visto e revisto muitas vezes, mas também não se pretendia outra coisa.




Um falhanço tremendo e um custoso desperdício de dois excelentes protagonistas, que embarcam neste road-movie de sanidade duvidosa e coerência argumentativa nula.

Aposta total em humor físico e escatológico, muito desagradável e forçado.

Modesto desastre que vem pouco a tempo e horas...

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Pedindo desculpa pela interrupção...

...o blogue retomará o seu normal funcionamento ainda antes do fim do mês, com muitas novidades.
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Homem de Ferro 2


A primeira visualização "Homem de Ferro" (crítica aqui),consituiu para mim uma substancial decepção. Foi preciso a portentosa edição em DVD da Máscara do Homem de Ferro (cuja análise pode ser consultada aqui), que me permitiu rever o filme, para me fazer mudar de opinião. E que mudança.
"Homem de Ferro" foi um dos filmes mais divertidos do ano, e Robert Downey Jr. teve uma das melhores interpretações do mesmo.

Assim, a sequela do filme de Jon Favreau era uma das obras pela qual mais aguardava e que veio mesmo a justificar uma deslocação ao cinema mais próximo (a primeira, este ano) para a sua visualização.
E o produto final não me desiludiu, apresentando-se como um dos mais divertidos filmes que já vi nestes últimos tempos.

O factor nuclear do sucesso de "Homem de Ferro 2" é, tal como o anterior filme, a abordagem descontraída feita por Favreau. É imprimir um ritmo alucinante ao filme, mas repleto de humor e estilo. Por outras palavras, trata-se de conciliar as portentosas cenas de acção, festivais de CGI arrebatadores e munidos de uma sonoplastia fabulosa, com o enorme talento de Robert Downey Jr.. Soltar o carisma de Downey Jr. no meio de CGI, acrescentar uma banda-sonora de excepção e esperar pelos lucros. Aqui está o segredo do sucesso de "Homem de Ferro 2", que garante massivas doses de entretenimento sem nunca, rigorosamente nunca, se tornar minimamente aborrecido.

E estes três parâmetros, tão bem trabalhados, são suficientes para fazer esquecer alguns defeitos impensáveis do filme. O primeiro, e aquele que mais custa, é o elenco. Tão promissor quanto talentoso, quase todo ele está mal ou não tão bem quanto poderia.
Don Cheadle foi um tremendo erro de casting. Não tem qualquer fibra para o papel, apesar das várias oportunidades que lhe são dadas.
Quanto a Scarlett Johansson, limita-se a fazer de femme fatale: decotes generosos e cenas de acção pouco razoáveis, mas diálogo que é bom, nem vê-lo.
Mickey Rourke é a "versão feminina de Scarlett Johansson". Tem estilo e protagoniza as melhores cenas de acção, mas o seu Ivan Vanko carece de substância.
Sam Rockwell desilude-me pela primeira vez. O seu personagem, ao contrário de outros, fala de mais e é irritante. Não se trata de um rival de Tony Stark, mas de uma amostra patética sua. E se há coisa que Sam Rockwell não deveria interpretar, era uma amostra patética de Downey Jr..
A repetir o seu papel está Gwyneth Paltrow, que continua algo insossa, embora se sobressaia perante os restantes elementos.
Finalmente, temos ainda a presença de Samuel L. Jackson, que até poderia ser merecedora de elogios, se ocupasse mais do que duas cenas...

Até Jon Favreau se deixa desleixar, em comparação com o primeiro filme. Não só termina de forma demasiado abrupta a maior parte das cenas de acção, tornando-as muito breves, como cai igualmente em alguns clichés do género. Apesar de, como já foi referido, manter um ritmo incrível.

"Homem de Ferro 2" poderá deixar um ligeiro travo amargo numa primeira visualização, mas é um daqueles filmes vai melhorando com as seguintes. Contém um pouco mais de erros do que devia (é o argumento, o real problema), mas não desilude o suficiente para merecer críticas negativas.Difilmente encontrarão entretenimento tão agradável.


"I wanna make Iron Man look like an antique."

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Shutter Island


Não é só Teddy Daniels que está preso, a investigar o que se passa em Shutter Island. Também o espectador, qual mera criança, se deixa envolver pela magnífica obra de Martin Scorsese que é este "Shutter Island", do primeiro ao último minuto.

Envolto pela fotografia pesada emanada pelo filme, envolto pela realização brilhante de Scorsese, que literalmente não nos deixa sossegar um segundo e reserva uma surpresa atrás de cada porta (cela?) e que mantém um ritmo impressionante e um clima de tensão crescente, "Shutter Island" é uma autêntica caixinha, cuja surpresa... nunca é revelada.

E o que dizer do fascinante argumento de Laeta Kalogridis, que vai revelando a sua qualidade aos poucos e poucos, como se de uma flor a brotar se tratasse. E o que parecia ser apenas um mero policial, torna-se numa arrepiante e estonteante viagem aos confins...da natureza do ser humano.

Personagens magníficos que representam momentos-chave do filme, aliam-se a diálogos desconcertantes e a, como não podia deixar de ser, uma estrondosa, inesquecível e até mesmo perturbadora banda-sonora.

E por fim, a cereja no topo do bolo: um elenco de excepção, extremamente seguro e de elevadíssima qualidade. Secundários de grande talento, como Ben Kinglsey ou Mark Ruffalo suportam Leonardo DiCaprio naquela que é a melhor interpretação da carreira do actor. Grandioso trabalho de DiCaprio, a obter uma magnífica, intensa e tocante prestação que ultrapassa mesmo o registo obtido em "Diamante de Sangue" (crítica aqui) e demonstra o quão portentoso pode ser este versátil actor.

"Shutter Island" é, pois, tudo aquilo a que se propôs e um pouco mais. Um enigma brilhante ao qual foi dado um tratamento cinematográfico digno de um mestre.
O resultado? Mais uma aposta ganha de Martin Scorsese e companhia.


"You'll never leave this island."

"Which would be worse, to live as a monster or to die as a good man?"

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Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto


Sequelas: investimentos sempre pouco rentáveis, do ponto de vista qualitativo, na minha opinião. A regra é simples e, de um modo geral, quase inatacável. As sequelas raramente ultrapassam o original.
E, neste caso, o original era apenas "Piratas das Caraíbas: A Maldição do Pérola Negra" (crítica aqui), um dos maiores e mais inesperados sucessos da década. Como tal, avizinhava-se uma tarefa deveras difícil e que foi, a meu ver, totalmente bem sucedida.

"O Cofre do Homem Morto" é maior, melhor e mais completo em tudo que o seu antecessor, um triunfo enorme repleto de entretenimento e qualidade. A começar pelo tom deste novo filme, mais negro, mais sério e mais adulto. Mas também portador de um valor paisagístico enorme e claramente benéfico à vista. Aqui se resume a qualidade evidente da fotografia presente neste segundo tomo.
Também Hans Zimmer assume destaque, ele que agora toma as rédeas da banda-sonora e adiciona o seu cunho pessoal e indispensável à mesma, enriquecendo-a substancialmente.

Gore Verbinski consegue manter um ritmo interessante, nunca deixando o filme tornar-se aborrecido ou previsível, já que são várias as personagens que são acompanhadas (mas nunca demais, como acontece no terceiro filme). Verbinski concebe ainda uma ou outra cena de cortar a respiração, tal como o jogo de dados ou o magnífico final em jeito de twist.

Quanto ao argumento, da autoria de Ted Elliott e Terry Rossio, é um autêntico primor. Mais profundo, mais abragente e bem mais interessante, envolvente e complexo (não confuso, essa descrição cabe a "Nos Confins do Mundo", cuja crítica pode ser vista aqui).
Uma nova palete de personagens é exibida, sendo que algumas como Davy Jones ou Lord Beckett são verdadeiros achados. De referir por fim a brilhante opção em aumentar a comicidade da dupla Ragetti/Pintel, que se provou uma aposta ganha.

O elenco permanece irrepreensível. Johnny Depp aperfeiçoa aqui o seu genial boneco e obtém mais uma excelente interpretação, embora tenha aqui a dificuldade de disputar o protagonismo das cenas com o desconcertante Bill Nighy. Keira Knightley cresce a olhos vistos como actriz e Stellan Skarsgard confere segurança ao elenco. Apenas Orlando Bloom demonstra a habitual apatia.

Resta ainda fazer uma referência obrigatória e mais do que merecida aos maravilhosos efeitos especiais que, por aglomerados de pixeis como o Kraken ou o próprio Davy Jones, conquistaram o justíssimo Óscar na referida categoria.

"Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto" é pois um magnífico filme de puro entretenimento que suplanta o seu antecessor e causa inveja ao seu sucessor.


"Damn you, Jack Sparrow!"

"-This is going to save Elizabeth?
-How much do you know about Davy Jones?
-Not much.
-Yeah, it's going to save Elizabeth."

"Turns out not even Jack Sparrow can best the devil."

"-But I wonder, Sparrow, can you live with this? Can you condemn an innocent man, a friend, to a lifetime of servitude in your name while you roam free?
- Yep. I'm good with it."

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Um apanhado... de notícias


-O trailer do novo Piratas já saiu. Não me convenceu. Parece-me que já se começa a acumular algum cansaço, e estou a incluir Johnny Depp nesta descrição...

-As nomeações para os Globos também já estão cá fora. "A Origem" está lá e com cinco nomeações. É o que interessa.

"A Cidade" também está representada, mas justamente através de Jeremy Renner.

É imperativo ver:
"Cisne Negro";
"A Rede Social"
"Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" (Douglas está nomeado...)
"O Turista"
"127 Horas"

Venham todos eles!
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Um apanhado... de apartes

E porque se avizinham duas datas icónicas -o Natal e o Ano Novo- e para não descurar da já tradição, o Cinemajb informa que ambos os dias serão "festejados".


No dia 25 de Dezembro, será concluído o já épico desafio feito à blogosfera "Guilty Pleasures: Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo". Para além disto, será ainda exibida a crítica a um dos mais influentes (e melhores...) filmes do presente ano...


Já no dia 1 de Janeiro, para além da já referida novidade, o Cinemajb terá também o prazer de começar uma nova iniciativa, ao mesmo estilo da já referida sobre os guilty pleasures e que contará com a participação de muita da blogosfera nacional.


Oportunidade ideal para comentar...

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O maior enigma de 2010, chega em 2011



Crítica a 1 de Janeiro
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