O Resgate do Soldado Ryan


Apesar de tudo, é óbvio e inegável: "O Resgate do Soldado Ryan" está longe de ser o melhor filme da carreira de Steven Spielberg. Embora uma belíssima incursão no género, o seu primor técnico não é o suficiente para disfarçar o limitadíssimo argumento.

"O Resgate do Solado Ryan" é de um desenrolar gradual, a espaços aborrecido, e levanta bem menos questões do que aquelas que poderia, parecia, e deveria levantar. A sua premissa é simples, é certo, mas o seu desenvolvimento fica bem aquém do esperado. O desenvolvimento das personagens é também algo limitado, e com demasiados fios soltos no final. Ainda assim, um destaque para o sniper Reiben e o médico Wade.

De resto, e tecnicamente falando, "O Resgate do Soldado Ryan" é, numa só palavra, estonteante. Absolutamente estotenteante. A realização do mestre Spielberg é de um profissionalismo e de uma dedicação sobre-humanas. A sua câmara em cima do ombro confere um realismo asfixiante à obra, e instala-se na mente do espectador, não mais de lá querendo sair. Quem se poderá esquecer do desembarque na praia de Omaha, no dia D, que "inicia as hostilidades"?

A fotografia de Janusz Kaminski dinamiza, a banda-sonora de John Williams aquece e o elenco não descura. Secundários de grande talento, como Barry Pepper, Giovanni Ribisi e Jeremy Davies entregam-se de corpo e alma. A encabeça-los está um Tom Hanks...suportável.

Nada menos do que um trabalho de excelência de Steven Spielberg que, naquilo que lhe compete, não falha em momento algum. Pena o resto...


"We're not here to do the decent thing, we're here to follow fucking orders!"

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Parque Jurássico


Sou um franco adepto da vertente mais mágica e leviana do Cinema. Não obstante a face mais séria e de carácter reflectivo mais evidente da 7.ª Arte, prefiro claramente ser transportado para a fábrica de sonhos que Hollywood tão bem personifica. Inúmeros exemplos deste género de filmes surgem anualmente, no entanto e se tivesse de eleger um exemplo supremo de uma obra capaz de garantir o mais puro e qualitativo entretenimento, essa obra seria "Parque Jurássico".

"Parque Jurássico" foi um dos maiores sucessos de bilheteira, não só da carreira de Steven Spielberg, mas também da história do Cinema. No entanto, hoje em dia, não consigo evitar olhá-lo como algo (muito, talvez) subvalorizado. O que é uma pena.
Eu não vivi o fenómeno "Parque Jurássico". Não fui atingido pelo hype em torno desta obra, nem tão pouco o fui na minha primeira visualização da fita de Spielberg.

Foram necessárias várias vezes para me aperceber da real questão: viver. Este não é um filme para se ver, mas um filme para se viver. E agora, finalmente e depois de muitas visualizações, eu consigo viver "Parque Jurássico".

E que vivência. Que aventura. "Parque Jurássico" é aquele trabalho que todos classificam como sendo o mais light da carreira de Steven Spielberg. E a questão que se coloca é: em que medida essa leveza (que é clara, a todo e qualquer nível, ainda para mais quando comparado com uma obra de Spielberg do mesmo ano, "A Lista de Schindler") interfere na qualidade de "Parque Jurássico"? Em medida alguma.

Steven Spielberg realiza de forma irrepreensível e inspirada, embora não atinja em nenhum momento o registo da obra já referida, experimentando de forma muito bem sucedida os mais variados registos que vão desde o suspense, passando pela comédia até à mais genuína aventura. Gosto especialmente da forma como Spielberg introduz a chegada do T-Rex (personificada de forma deliciosa neste curioso poster -"roubado" do blogue Six Degrees of Separation- que aqui vos deixo) ou os cativantes jogos de sombras em que Spielberg tenta ser o menos explícito possível. Enfim, o patamar qualitativo a que estamos habituados.

A colaborar com Spielberg está John Williams que, uma vez mais, nos .presenteia com uma banda-sonora verdadeiramente inesquecível. Lindíssima e extasiante, sempre adequada e muito diversificada.

O elenco é igualmente fabuloso. O elemento menos bom talvez seja o protagonista Sam Neill, no entanto, actores como Laura Dern ou Richard Attenborough compensam. Ainda assim, a melhor interpretação cabe a Jeff Goldblum que, para além de criar um dos melhores personagens dos anos 90, rouba sem dificuldade todas as cenas em que entra. Grande, grande interpretação.

O principal busílis de "Parque Jurássico" é o seu argumento. Levanta questões interessantes, mas perde o seu rumo e deixa que a intriga se esfume na segunda metade. É pena, mas Steven Spielberg consegue agarrar-nos até ao fim. Para além disto, a primeira metade em si vale por todo o filme.

E que filme. Que grande filme. Para se viver, não para se ver.


"The lack of humility before nature that's being displayed here, staggers me."

"Dr. Grant, my dear Dr. Sattler. Welcome to Jurassic Park."

"I'll tell you the problem with the scientific power that you're using here: it didn't require any discipline to attain it. You read what others had done and you took the next step. You didn't earn the knowledge for yourselves, so you don't take any responsibility... for it. You stood on the shoulders of geniuses to accomplish something as fast as you could and before you even knew what you had you patented it and packaged it and slapped it on a plastic lunchbox, and now you're selling it, you want to sell it!"

"Remind me to thank John for a lovely weekend."

"Boy, do I hate being right all the time..."

"What is so great about discovery? It is a violent, penetrative act that scars what it explores. What you call discovery, I call... rape of the natural world."

"What've they got in there, King Kong?"



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O Mundo Perdido:Parque Jurássico


Era inevitável, depois do mega-sucesso de "Parque Jurássico", que uma sequela não fosse feita para tentar fazer render o franchise. O que joga a favor deste filme(e que não o faz, por exemplo, no terceiro) é que é Steven Spielberg quem está ao volante, garantindo o entretenimento, a qualidade e(ainda)a originalidade.

O argumento é interessante e coeso, apesar da narrativa assumir por vezes um ritmo lento e, tal como no filme anterior, a perder-se na segunda metade.
A realização é muito competente como sempre, com destaque para alguns planos especialmente bem conseguidos(nomeadamente os da sombra do T-Rex) e a banda-sonora é, provavelmente, o único aspecto de "O Mundo Perdido:Parque Jurássico" que supera o seu antecessor.

No elenco, Vince Vaughn surpreende, Juliane Moore confirma, mas é Jeff Goldblum quem rouba(outra vez!) todas as cenas. Pete Postlethwaite está também muito bem.

"O Mundo Perdido:Parque Jurássico"
é entretenimento ao mais alto nível e não deixa ficar mal o seu predecessor.


" Oh, yeah. Oooh, ahhh, that's how it always starts. Then later there's running and screaming."

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Indomável


Com um elenco fabuloso, sobretudo a parelha Bridges/Steinfeld, e uma fotografia ao mesmo nível, "Indomável" tenta dar um passo maior do que a perna quando instaura a habitual reviravolta (típica dos Coen) e falha.

A trama perde objectividade, o filme é abruptamente e aparentemente "apressado" e o espectador acaba por ficar boquiaberto também com a constatação do reduzido tempo de antena de um interessante Josh Brolin.

Sem dúvida, um exercício artístico de elevada qualidade, com duas soberbas interpretações, mas um filme bastante vazio e algo (mais do que o costume) estranho a nível de argumento e história.

"You go for a man hard enough and fast enough, he don't have time to think about how many's with him; he thinks about himself, and how he might get clear of that wrath that's about to set down on him."


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Braveheart- O Desafio do Guerreiro


O que verdadeiramente importa realçar é a dedicação e o interesse de Mel Gibson neste projecto, claramente pessoal, claramente seu.

Quer à frente das câmaras (uma das melhores interpretações do actor), quer atrás dela (justíssimo Óscar para Melhor Realizador), o empenho e a paixão estão lá.
A produção (fotografia e banda-sonora) é arrojada, o elenco é muito competente.

Já o argumento é bem mais limitado e básico do que à partida parece, quer ao nível do desenvolvimento, com a história a ganhar contornos previsíveis, quer no que toca às personagens, algumas delas autênticos clichés

Nada que arruíne este épico.


"Every man dies. Not every man really lives."

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O Discurso do Rei/ O Turista


Honestamente, esperava pior, bem pior. Afinal de contas, "O Discurso do Rei" tinha, não tudo, mas bastante para me desagradar. Mas não o fez.

Não sendo, de todo, uma obra-prima, um filme indispensável ou até mesmo o melhor do seu ano, "O Discurso do Rei" é uma obra interessante e sobretudo cativante, capaz de prender a atenção do espectador do início ao fim.

Esqueçamos o argumento...disperso, e concentremos-nos antes na realização dinâmica de Tom Hooper e, claro, no portentoso elenco.

Se o oscarizado Firth dispensa comentários, cabe ainda assim a Geoffrey Rush a interpretação do filme. Com o pouco que tinha, fez muito. Muito mesmo.




Enfim, tudo aquilo que não deveria ser, é o que "O Turista" é: uma desculpa -por sinal, péssima- para ver dois dos mais badalados actores a fazerem...bem, a não fazerem realmente nada de especial.

Depp, embora se safe, está a anos-luz dos seus melhores momentos. Jolie, essa, nem vê-la.

Não esquecendo, inevitavelmente, o ridículo argumento acompanhado de um final penoso.

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Um Domingo Qualquer


"Um Domingo Qualquer" é não só uma das melhores obras de Oliver Stone -realizador cuja grande parte do trabalho me tem escapado- como também uma das mais subvalorizadas.

Stone tem aqui um mérito inegável, ao conseguir fazer de "Um Domingo Qualquer" um espectáculo de entretenimento de grande qualidade, assegurando diversos e excelentes momentos ao longo de 2h30 que nos parecem curtas no final.

Mesmo com uma história bastante simples, os argumentistas John Logan e Daniel Pyne elevam "Um Domingo Qualquer" a um verdadeiro épico desportivo. Muitos dos diálogos entre as personagens são avassaladores e alguns monólogos (em especial os de Al Pacino) ficarão na história do Cinema moderno.

É um argumento portentoso ao nível de diálogos e dimensão das personagens, que é estendido e polido pela realização majestosa do sempre dinâmico Oliver Stone (que volta a fazer um curto e simpático papel).

O elenco é peça-chave para o sucesso de "Um Domingo Qualquer". Um Al Pacino a redefinir o adjectivo intensidade, encontra-se à frente de um grande elenco. Dennis Quaid e James Woods, que merecia mais tempo de antena, obtém das melhores performances da sua carreira.
Até Cameron Diaz e Jamie Foxx, actores por quem não nutro qualquer simpatia, estão muito bem, especialmente a primeira.

A banda-sonora encaixa na perfeição, e eis Oliver Stone a pegar numa história banal, puxando-a até quase 3 horas de duração e no final... a deixar-nos a salivar por mais!


"On any given Sunday you're gonna win or you're gonna lose. The point is - can you win or lose like a man?"

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A Ressaca/Alien vs Predador


"A Ressaca" não tem, literalmente, muita piada. Tem situações muito propícias a tal, uma série de personagens que mereciam um filme só para elas, e um elenco invulgarmente capaz.

O problema é que Todd Phillips desperdiça este material todo, fazendo de "A Ressaca" um filme muito simpático e agradável, de fácil visualização e capaz de entreter muito bem, mas com pouquíssimas tiradas de real humor.





Desperdício surreal de potencial, o aguardado confronto entre as duas raças de alienígenas é uma autêntica desilusão para todos os fãs.
Argumento horrível, realização adolescente e um elenco quase totalmente amador.
São tantos os momentos ridículos e as incoerências de "Alien vs Predador", que até dói.

No entanto, o maior problema está na protagonista que está a cargo da péssima actriz Sanaa Lathan, tentando fazer de Alexa Woods uma imitação de Ellen Ripley, mas o mais que consegue é ser apenas uma empertigada irritante e que merecia ter sido "despachada" antes do filme completar meia hora.

No entanto, reconheço em "Alien vs Predador" um semi-guilty pleasure. Existem de facto um ou dois confrontos directos entre o Alien e o Predador, e que são um regalo para os olhos. O problema é tudo o resto...

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Loucuras em Las Vegas/A Tempo e Horas


Rob Corddry, sidekick brilhante, protagoniza as poucas cenas do filme genuínamente divertidas. O resto, já foi visto e revisto muitas vezes, mas também não se pretendia outra coisa.




Um falhanço tremendo e um custoso desperdício de dois excelentes protagonistas, que embarcam neste road-movie de sanidade duvidosa e coerência argumentativa nula.

Aposta total em humor físico e escatológico, muito desagradável e forçado.

Modesto desastre que vem pouco a tempo e horas...

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Pedindo desculpa pela interrupção...

...o blogue retomará o seu normal funcionamento ainda antes do fim do mês, com muitas novidades.
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