Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


O mexicano Alfonso Cuáron revolucionou de forma muito original e eficaz o universo cinematográfico de Harry Potter, conferindo-lhe mais seriedade e realismo, atribuindo-lhe de forma pioneira a badalada "faceta adulta" e fazendo de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkabam", de longe, o melhor capítulo de toda a saga.

Inovação, estilo e contenção são as palavras que melhor descrevem a realização de Cuarón. Já não se tratam de crianças, mas de jovens adultos, com problemas a sério, num mundo negro (grande fotografia), realista e credível.

Também o argumento é um primor. Não se precipita, não apresenta cenas e personagens à pressão e é ainda abençoado com um excelente twist. Pena virar uma autêntica manta de retalhos, na recta final do filme, e o ridicularizar da promissora rivalidade entre Harry e Draco Malfoy, que tanto prometia em "A Câmara dos Segredos" (crítica aqui)

O elenco secundário está, como sempre, em primeiro plano, tal é a sua qualidade. Para além do sempre bem Alan Rickman e do muito competente David Thewlis, temos ainda um Gary Oldman absolutamente inesquecível, e com um tratamento visual brilhante.
De referir ainda os jovens Rupert Grint e Emma Watson, a adição de Michael Gambon (que deixa a desejar) em substituição do falecido Richard Harris, e, por fim, a fraquíssima interpretação de Daniel Radcliffe, que inicia aqui a sua curva descendente que o afastou da qualidade interpretativa obtida em "A Pedra Filosofal" (crítica aqui).

Enfim, eis, de longe, o melhor capítulo de toda a saga.


"Well, well, Lupin. Out for a little walk... in the moonlight, are we?"

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Inimigos Públicos/Nova Iorque 1997

Uma enorme desilusão.

Apesar de uma realização, pelo menos a nível visual, cuidada de Michael Mann, e da excelente interpretação de Johnny Depp (o seu John Dillinger é qualquer coisa de fantástico), "Inimigos Públicos" é uma inevitável desilusão.

O argumento é pouco dinâmico, pouco vivo, pouco...interessante.
"Inimigos Públicos" é um filme extremamente aborrecido durante grande parte da sua duração, Christian Bale tem uma das piores interpretações da sua carreira e as cenas de Marion Cotillard contam-se pelos dedos das mãos, naquele que é um desperdício imperdoável do talento da francesa.

Um final mais do que digno, cenas de acção de alto gabarito, mas no seu cômputo geral, um filme que fica a anos-luz da melhor obra do seu (grande) realizador.




Não posso dizer que tenha corrido bem esta primeira incursão pela filmografia de John Carpenter. Não. Não, de todo.
"Nova Iorque 1997" é mau, demasiado mau para ser verdade. Talvez o segredo esteja no fenómeno que o filme foi e que, obviamente, 30 anos depois, não me atingiu. Talvez se trate de um filme com grande valor histórico. Para mim foi, como é já evidente, constituiu também uma desilusão de proporções épicas.

Com uma premissa e um personagem principal absolutamente deliciosos, riquíssimos a nível argumentativo e visual, creio que o que Carpenter (ou seja lá quem for) fez aqui, foi um desperdício abismal destes dois factores.

A premissa, rapidamente se esfuma numa odisseia que, apesar de visua
lmente atractiva o quanto baste (pela sua surrealidade, entenda-se...), é escassa em momentos de acção, com o filme a assumir um ritmo sofrível e a tornar-se profundamente aborrecido.

O protagonista, "Snake" Plissken, é também ele um desperdício personificado por Kurt Russell. Tanto prometia, tanto carisma tinha para mostrar...mas o seu real protagonismo acaba por ser bastante, bastante inferior ao esperado e sobretudo ao desejado.
Pouco falador, bastante ausente e com pouca presença em cena. Inexplicável.

Fica uma banda-sonora...diferente, e um final (os últimos segundos mesmo, não a recta final do filme, bastante penosa...) intrigante a suscitar bastante curiosidade em relação à sequela.



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Alguém Tem Que Ceder


"Alguém Tem Que Ceder" foi agraciado com uma nomeação para os Oscars, bem como três para os Globos de Ouro (das quais venceu o Globo para Melhor Actriz Comédia/Musical-Diane Keaton). Prémios estes que, embora não espelhem a qualidade do filme, são mais do que merecidos.

Conhecendo agora um pouco melhor a realizadora e argumentista Nancy Meyers, posso, com toda a certeza, afirmar que o seu maior problema é... não suportar o seu próprio talento. Sendo capaz de obter premissas interessantes, desenvolvê-las de forma coerente (apesar de criar histórias e personagens secundárias que, em tudo, são ignoradas), e filmá-las com um profissionalismo memorável, a Nancy Meyers falta sempre a capacidade de atribuir uma conclusão minimamente capaz às suas obras.

"Alguém Tem Que Ceder" não foge, infelizmente, a esta regra. Meyers não consegue terminar a sua (excelente) história, e vai arrastando e arrastando a acção, apenas adiando o inadiável: um final frouxo e que, embora previsível, continua a ser decepcionante.
O que é uma pena, porque "Alguém Tem Que Ceder" tinha potencial para ser um marco do seu género.

Assim, apenas ficam na memória as excelentes interpretações de Jack Nicholson e Diane Keaton, bem como (o milagre!) uma interpretação bastante razoável de Keanu Reeves. Já Amanda Peet e Frances McDormand visam apenas a atracção de mais público, visto que raramente aparecem em cena.

Com "Alguém Tem Que Ceder", Nancy Meyers assina o seu filme mais extremista, possuidor do melhor e do pior.


"-Your pants, please.
-Ladies, first."

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Os Suspeitos do Costume


"Os Suspeitos do Costume" é um filme extremamente inteligente, que deve tudo ao brilhante argumento idealizado por Christopher McQuarrie, à inspirada realização de Bryan Singer e, claro, ao exemplar elenco, onde uma série de actores que estamos habituados a ver em papéis secundários se eleva e nos presenteia com um conjunto de grandes interpretações.

E apesar de as atenções estarem focadas em Kevin Spacey, que está muito bem, todo o restante elenco é igualmente magistral. O malogrado Gabriel Byrne, o divertido Benicio Del Toro, o excitado Stephen Baldwin, o impaciente Kevin Pollak, o determinado Chazz Palminteri e até o misterioso Pete Postlethwaite. Todos estão verdadeiramente fenomenais e qualquer um merecia a (justa) distinção atribuída a Spacey.

Mas "Os Suspeitos do Costume" tem o seu maior mérito no fabuloso argumento, que torna esta fita num policial atraente, mas que se sustenta sobretudo num crescendo de suspense que faz da sua visualização um verdadeiro vício. Para além da sua intrínseca e óbvia qualidade, "Os Suspeitos do Costume" é extremamente viciante, garantindo entretenimento do princípio ao fim.
A forma como o escrito de McQuarrie manipula o público sem este se aperceber é verdadeiramente brilhante. A cereja no topo do bolo é o fenomenal twist, que encerra "Os Suspeitos do Costume" da melhor maneira possível, bigger than life, estabelecendo-o como uma total obra-prima.

O argumento é, por sua vez, dinamizado pela excelente realização de Bryan Singer, que não só adensa visualmente o mistério em torno da verdadeira identidade de Keyser Soze, mas também oferece delicadas e perspicazes pistas sobre este mesmo mistério. Sem dúvida alguma, uma realização excelente.

Uma nota ainda para a estimulante montagem, sobretudo nas sequências finais, a misteriosa fotografia e a lindíssima banda-sonora.

"Os Suspeitos do Costume" é um daqueles filmes especiais, que vai melhorando de visualização para visualização. E foi o que aconteceu, pelo que me sinto profundamente feliz por ter redescoberto esta obra-prima.


"Keaton always said, "I don't believe in God, but I'm afraid of him." Well I believe in God, and the only thing that scares me is Keyser Soze."

"-You know what happens if you do another turn in the joint?
-Fuck your father in the shower and then have a snack?"


"How do you shoot the devil in the back? What if you miss?!"

"You think you can catch Keyser Soze? You think a guy like that comes this close to getting caught, and sticks his head out? If he comes up for anything it'll be to get rid of me. After that... my guess is you'll never hear from him again."

"The greatest trick the devil ever pulled was convincing the world he didn't exist. And like that... he is gone!"



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O Corpo da Mentira/Parque Jurássico III


Mark Strong deslumbra e abafa o esforçado DiCaprio e o irritante Crowe, num thriller de acção bastante bem realizado, mas que peca por uma narrativa (episódica) limitada e algo...comum.

Satisfaz, e de que maneira. Mas um pouco mais seria sempre bem vindo.





Inútil, desapropriado, amador. Um série B miserável, que tenta aproveitar-se do enorme sucesso dos seus predecessores.

Argumento perfeitamente estapafúrdio, elenco fraco, eis pouco mais de uma hora de entretenimento que, embora eficaz graças a uma realização interessante que nos proporciona uma ou duas cenas para mais tarde recordar (a da ponte ou a do telefone), é de cariz bastante duvidoso...

Não tendo também praticamente qualquer ponto de contacto com os filmes anteriores, eis uma proposta claramente recusável...


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O Resgate do Soldado Ryan


Apesar de tudo, é óbvio e inegável: "O Resgate do Soldado Ryan" está longe de ser o melhor filme da carreira de Steven Spielberg. Embora uma belíssima incursão no género, o seu primor técnico não é o suficiente para disfarçar o limitadíssimo argumento.

"O Resgate do Solado Ryan" é de um desenrolar gradual, a espaços aborrecido, e levanta bem menos questões do que aquelas que poderia, parecia, e deveria levantar. A sua premissa é simples, é certo, mas o seu desenvolvimento fica bem aquém do esperado. O desenvolvimento das personagens é também algo limitado, e com demasiados fios soltos no final. Ainda assim, um destaque para o sniper Reiben e o médico Wade.

De resto, e tecnicamente falando, "O Resgate do Soldado Ryan" é, numa só palavra, estonteante. Absolutamente estotenteante. A realização do mestre Spielberg é de um profissionalismo e de uma dedicação sobre-humanas. A sua câmara em cima do ombro confere um realismo asfixiante à obra, e instala-se na mente do espectador, não mais de lá querendo sair. Quem se poderá esquecer do desembarque na praia de Omaha, no dia D, que "inicia as hostilidades"?

A fotografia de Janusz Kaminski dinamiza, a banda-sonora de John Williams aquece e o elenco não descura. Secundários de grande talento, como Barry Pepper, Giovanni Ribisi e Jeremy Davies entregam-se de corpo e alma. A encabeça-los está um Tom Hanks...suportável.

Nada menos do que um trabalho de excelência de Steven Spielberg que, naquilo que lhe compete, não falha em momento algum. Pena o resto...


"We're not here to do the decent thing, we're here to follow fucking orders!"

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Parque Jurássico


Sou um franco adepto da vertente mais mágica e leviana do Cinema. Não obstante a face mais séria e de carácter reflectivo mais evidente da 7.ª Arte, prefiro claramente ser transportado para a fábrica de sonhos que Hollywood tão bem personifica. Inúmeros exemplos deste género de filmes surgem anualmente, no entanto e se tivesse de eleger um exemplo supremo de uma obra capaz de garantir o mais puro e qualitativo entretenimento, essa obra seria "Parque Jurássico".

"Parque Jurássico" foi um dos maiores sucessos de bilheteira, não só da carreira de Steven Spielberg, mas também da história do Cinema. No entanto, hoje em dia, não consigo evitar olhá-lo como algo (muito, talvez) subvalorizado. O que é uma pena.
Eu não vivi o fenómeno "Parque Jurássico". Não fui atingido pelo hype em torno desta obra, nem tão pouco o fui na minha primeira visualização da fita de Spielberg.

Foram necessárias várias vezes para me aperceber da real questão: viver. Este não é um filme para se ver, mas um filme para se viver. E agora, finalmente e depois de muitas visualizações, eu consigo viver "Parque Jurássico".

E que vivência. Que aventura. "Parque Jurássico" é aquele trabalho que todos classificam como sendo o mais light da carreira de Steven Spielberg. E a questão que se coloca é: em que medida essa leveza (que é clara, a todo e qualquer nível, ainda para mais quando comparado com uma obra de Spielberg do mesmo ano, "A Lista de Schindler") interfere na qualidade de "Parque Jurássico"? Em medida alguma.

Steven Spielberg realiza de forma irrepreensível e inspirada, embora não atinja em nenhum momento o registo da obra já referida, experimentando de forma muito bem sucedida os mais variados registos que vão desde o suspense, passando pela comédia até à mais genuína aventura. Gosto especialmente da forma como Spielberg introduz a chegada do T-Rex (personificada de forma deliciosa neste curioso poster -"roubado" do blogue Six Degrees of Separation- que aqui vos deixo) ou os cativantes jogos de sombras em que Spielberg tenta ser o menos explícito possível. Enfim, o patamar qualitativo a que estamos habituados.

A colaborar com Spielberg está John Williams que, uma vez mais, nos .presenteia com uma banda-sonora verdadeiramente inesquecível. Lindíssima e extasiante, sempre adequada e muito diversificada.

O elenco é igualmente fabuloso. O elemento menos bom talvez seja o protagonista Sam Neill, no entanto, actores como Laura Dern ou Richard Attenborough compensam. Ainda assim, a melhor interpretação cabe a Jeff Goldblum que, para além de criar um dos melhores personagens dos anos 90, rouba sem dificuldade todas as cenas em que entra. Grande, grande interpretação.

O principal busílis de "Parque Jurássico" é o seu argumento. Levanta questões interessantes, mas perde o seu rumo e deixa que a intriga se esfume na segunda metade. É pena, mas Steven Spielberg consegue agarrar-nos até ao fim. Para além disto, a primeira metade em si vale por todo o filme.

E que filme. Que grande filme. Para se viver, não para se ver.


"The lack of humility before nature that's being displayed here, staggers me."

"Dr. Grant, my dear Dr. Sattler. Welcome to Jurassic Park."

"I'll tell you the problem with the scientific power that you're using here: it didn't require any discipline to attain it. You read what others had done and you took the next step. You didn't earn the knowledge for yourselves, so you don't take any responsibility... for it. You stood on the shoulders of geniuses to accomplish something as fast as you could and before you even knew what you had you patented it and packaged it and slapped it on a plastic lunchbox, and now you're selling it, you want to sell it!"

"Remind me to thank John for a lovely weekend."

"Boy, do I hate being right all the time..."

"What is so great about discovery? It is a violent, penetrative act that scars what it explores. What you call discovery, I call... rape of the natural world."

"What've they got in there, King Kong?"



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O Mundo Perdido:Parque Jurássico


Era inevitável, depois do mega-sucesso de "Parque Jurássico", que uma sequela não fosse feita para tentar fazer render o franchise. O que joga a favor deste filme(e que não o faz, por exemplo, no terceiro) é que é Steven Spielberg quem está ao volante, garantindo o entretenimento, a qualidade e(ainda)a originalidade.

O argumento é interessante e coeso, apesar da narrativa assumir por vezes um ritmo lento e, tal como no filme anterior, a perder-se na segunda metade.
A realização é muito competente como sempre, com destaque para alguns planos especialmente bem conseguidos(nomeadamente os da sombra do T-Rex) e a banda-sonora é, provavelmente, o único aspecto de "O Mundo Perdido:Parque Jurássico" que supera o seu antecessor.

No elenco, Vince Vaughn surpreende, Juliane Moore confirma, mas é Jeff Goldblum quem rouba(outra vez!) todas as cenas. Pete Postlethwaite está também muito bem.

"O Mundo Perdido:Parque Jurássico"
é entretenimento ao mais alto nível e não deixa ficar mal o seu predecessor.


" Oh, yeah. Oooh, ahhh, that's how it always starts. Then later there's running and screaming."

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Indomável


Com um elenco fabuloso, sobretudo a parelha Bridges/Steinfeld, e uma fotografia ao mesmo nível, "Indomável" tenta dar um passo maior do que a perna quando instaura a habitual reviravolta (típica dos Coen) e falha.

A trama perde objectividade, o filme é abruptamente e aparentemente "apressado" e o espectador acaba por ficar boquiaberto também com a constatação do reduzido tempo de antena de um interessante Josh Brolin.

Sem dúvida, um exercício artístico de elevada qualidade, com duas soberbas interpretações, mas um filme bastante vazio e algo (mais do que o costume) estranho a nível de argumento e história.

"You go for a man hard enough and fast enough, he don't have time to think about how many's with him; he thinks about himself, and how he might get clear of that wrath that's about to set down on him."


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Braveheart- O Desafio do Guerreiro


O que verdadeiramente importa realçar é a dedicação e o interesse de Mel Gibson neste projecto, claramente pessoal, claramente seu.

Quer à frente das câmaras (uma das melhores interpretações do actor), quer atrás dela (justíssimo Óscar para Melhor Realizador), o empenho e a paixão estão lá.
A produção (fotografia e banda-sonora) é arrojada, o elenco é muito competente.

Já o argumento é bem mais limitado e básico do que à partida parece, quer ao nível do desenvolvimento, com a história a ganhar contornos previsíveis, quer no que toca às personagens, algumas delas autênticos clichés

Nada que arruíne este épico.


"Every man dies. Not every man really lives."

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