Colateral


Michael Mann é um dos melhores realizadores da actualidade. Isto é ponto assente. O homem que faz da noite, dia. Perfeccionista por natureza e explorador compulsivo das suas personagens (o estudo feito a Vincent, e que é analisado no Making Of de "Colateral" é exemplo disso mesmo), Michael Mann nunca descura nenhum aspecto nos seus filmes.
É um verdadeiro realizador. E um grande realizador.

E "Colateral" é o seu segundo melhor filme, um filme que chega a emanar magia apesar do seu contexto e da aparente simplicidade da história. Mann filma de forma fantástica, encontrando pura beleza em locais tão (também) aparentemente insípidos como uma simples esquina de uma rua de Los Angeles ou um Taxi perfeitamente banal.
Filmado em alta definição, "Colateral" é visualmente estonteante e repleto de grandes momentos de Cinema, não só pela qualidade da imagem mas também pelo perfeccionismo e realismo das cenas. Mérito? De Mann evidentemente.

Mas não só. O subtil argumento de Stuart Beattie é repleto de diálogos profundos e existencialistas, ajudando a dinamizar o filme a torná-lo em algo mais, muito mais do que um mero filme de acção.
A banda-sonora está ao rubro, não descurando o registo visto noutras obras do realizador, e a fotografia destaca-se igualmente, não fugindo também ela ao padrão visto nos anteriores filmes de Michael Mann.

O maior trunfo de "Colateral" é, ainda assim, Tom Cruise. Mesmo com a sua altura e voz que, como bem sabemos, não intimidam muito, o actor compõe um vilão totalmente marcante e obtém mais uma grande interpretação.
Jamie Foxx é muito elogiado pela sua prestação, mas a meu ver não existem motivos para tal. Uma interpretação mediana. O mesmo não poderá ser dito da curta mas inesquecível presença de Javier Bardem, aqui ainda "pós-Anton Chigurh".

"Colateral" só é desfavorecido por se deixar apanhar numa rede de clichés e cenas tipicamente "à filme", que não só contrariam a natureza do filme mas também a do seu realizador. E são obviamente uma decepção.

Ainda assim e evidentemente, "Colateral" trata-se de um excelente filme e um dos melhores de Michael Mann.


"-You just met him once and you killed him like that?
-What? I should only kill people after I get to know them?"

"Yo, homie. Is that my briefcase?"


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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


O mexicano Alfonso Cuáron revolucionou de forma muito original e eficaz o universo cinematográfico de Harry Potter, conferindo-lhe mais seriedade e realismo, atribuindo-lhe de forma pioneira a badalada "faceta adulta" e fazendo de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkabam", de longe, o melhor capítulo de toda a saga.

Inovação, estilo e contenção são as palavras que melhor descrevem a realização de Cuarón. Já não se tratam de crianças, mas de jovens adultos, com problemas a sério, num mundo negro (grande fotografia), realista e credível.

Também o argumento é um primor. Não se precipita, não apresenta cenas e personagens à pressão e é ainda abençoado com um excelente twist. Pena virar uma autêntica manta de retalhos, na recta final do filme, e o ridicularizar da promissora rivalidade entre Harry e Draco Malfoy, que tanto prometia em "A Câmara dos Segredos" (crítica aqui)

O elenco secundário está, como sempre, em primeiro plano, tal é a sua qualidade. Para além do sempre bem Alan Rickman e do muito competente David Thewlis, temos ainda um Gary Oldman absolutamente inesquecível, e com um tratamento visual brilhante.
De referir ainda os jovens Rupert Grint e Emma Watson, a adição de Michael Gambon (que deixa a desejar) em substituição do falecido Richard Harris, e, por fim, a fraquíssima interpretação de Daniel Radcliffe, que inicia aqui a sua curva descendente que o afastou da qualidade interpretativa obtida em "A Pedra Filosofal" (crítica aqui).

Enfim, eis, de longe, o melhor capítulo de toda a saga.


"Well, well, Lupin. Out for a little walk... in the moonlight, are we?"

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Inimigos Públicos/Nova Iorque 1997

Uma enorme desilusão.

Apesar de uma realização, pelo menos a nível visual, cuidada de Michael Mann, e da excelente interpretação de Johnny Depp (o seu John Dillinger é qualquer coisa de fantástico), "Inimigos Públicos" é uma inevitável desilusão.

O argumento é pouco dinâmico, pouco vivo, pouco...interessante.
"Inimigos Públicos" é um filme extremamente aborrecido durante grande parte da sua duração, Christian Bale tem uma das piores interpretações da sua carreira e as cenas de Marion Cotillard contam-se pelos dedos das mãos, naquele que é um desperdício imperdoável do talento da francesa.

Um final mais do que digno, cenas de acção de alto gabarito, mas no seu cômputo geral, um filme que fica a anos-luz da melhor obra do seu (grande) realizador.




Não posso dizer que tenha corrido bem esta primeira incursão pela filmografia de John Carpenter. Não. Não, de todo.
"Nova Iorque 1997" é mau, demasiado mau para ser verdade. Talvez o segredo esteja no fenómeno que o filme foi e que, obviamente, 30 anos depois, não me atingiu. Talvez se trate de um filme com grande valor histórico. Para mim foi, como é já evidente, constituiu também uma desilusão de proporções épicas.

Com uma premissa e um personagem principal absolutamente deliciosos, riquíssimos a nível argumentativo e visual, creio que o que Carpenter (ou seja lá quem for) fez aqui, foi um desperdício abismal destes dois factores.

A premissa, rapidamente se esfuma numa odisseia que, apesar de visua
lmente atractiva o quanto baste (pela sua surrealidade, entenda-se...), é escassa em momentos de acção, com o filme a assumir um ritmo sofrível e a tornar-se profundamente aborrecido.

O protagonista, "Snake" Plissken, é também ele um desperdício personificado por Kurt Russell. Tanto prometia, tanto carisma tinha para mostrar...mas o seu real protagonismo acaba por ser bastante, bastante inferior ao esperado e sobretudo ao desejado.
Pouco falador, bastante ausente e com pouca presença em cena. Inexplicável.

Fica uma banda-sonora...diferente, e um final (os últimos segundos mesmo, não a recta final do filme, bastante penosa...) intrigante a suscitar bastante curiosidade em relação à sequela.



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Alguém Tem Que Ceder


"Alguém Tem Que Ceder" foi agraciado com uma nomeação para os Oscars, bem como três para os Globos de Ouro (das quais venceu o Globo para Melhor Actriz Comédia/Musical-Diane Keaton). Prémios estes que, embora não espelhem a qualidade do filme, são mais do que merecidos.

Conhecendo agora um pouco melhor a realizadora e argumentista Nancy Meyers, posso, com toda a certeza, afirmar que o seu maior problema é... não suportar o seu próprio talento. Sendo capaz de obter premissas interessantes, desenvolvê-las de forma coerente (apesar de criar histórias e personagens secundárias que, em tudo, são ignoradas), e filmá-las com um profissionalismo memorável, a Nancy Meyers falta sempre a capacidade de atribuir uma conclusão minimamente capaz às suas obras.

"Alguém Tem Que Ceder" não foge, infelizmente, a esta regra. Meyers não consegue terminar a sua (excelente) história, e vai arrastando e arrastando a acção, apenas adiando o inadiável: um final frouxo e que, embora previsível, continua a ser decepcionante.
O que é uma pena, porque "Alguém Tem Que Ceder" tinha potencial para ser um marco do seu género.

Assim, apenas ficam na memória as excelentes interpretações de Jack Nicholson e Diane Keaton, bem como (o milagre!) uma interpretação bastante razoável de Keanu Reeves. Já Amanda Peet e Frances McDormand visam apenas a atracção de mais público, visto que raramente aparecem em cena.

Com "Alguém Tem Que Ceder", Nancy Meyers assina o seu filme mais extremista, possuidor do melhor e do pior.


"-Your pants, please.
-Ladies, first."

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Os Suspeitos do Costume


"Os Suspeitos do Costume" é um filme extremamente inteligente, que deve tudo ao brilhante argumento idealizado por Christopher McQuarrie, à inspirada realização de Bryan Singer e, claro, ao exemplar elenco, onde uma série de actores que estamos habituados a ver em papéis secundários se eleva e nos presenteia com um conjunto de grandes interpretações.

E apesar de as atenções estarem focadas em Kevin Spacey, que está muito bem, todo o restante elenco é igualmente magistral. O malogrado Gabriel Byrne, o divertido Benicio Del Toro, o excitado Stephen Baldwin, o impaciente Kevin Pollak, o determinado Chazz Palminteri e até o misterioso Pete Postlethwaite. Todos estão verdadeiramente fenomenais e qualquer um merecia a (justa) distinção atribuída a Spacey.

Mas "Os Suspeitos do Costume" tem o seu maior mérito no fabuloso argumento, que torna esta fita num policial atraente, mas que se sustenta sobretudo num crescendo de suspense que faz da sua visualização um verdadeiro vício. Para além da sua intrínseca e óbvia qualidade, "Os Suspeitos do Costume" é extremamente viciante, garantindo entretenimento do princípio ao fim.
A forma como o escrito de McQuarrie manipula o público sem este se aperceber é verdadeiramente brilhante. A cereja no topo do bolo é o fenomenal twist, que encerra "Os Suspeitos do Costume" da melhor maneira possível, bigger than life, estabelecendo-o como uma total obra-prima.

O argumento é, por sua vez, dinamizado pela excelente realização de Bryan Singer, que não só adensa visualmente o mistério em torno da verdadeira identidade de Keyser Soze, mas também oferece delicadas e perspicazes pistas sobre este mesmo mistério. Sem dúvida alguma, uma realização excelente.

Uma nota ainda para a estimulante montagem, sobretudo nas sequências finais, a misteriosa fotografia e a lindíssima banda-sonora.

"Os Suspeitos do Costume" é um daqueles filmes especiais, que vai melhorando de visualização para visualização. E foi o que aconteceu, pelo que me sinto profundamente feliz por ter redescoberto esta obra-prima.


"Keaton always said, "I don't believe in God, but I'm afraid of him." Well I believe in God, and the only thing that scares me is Keyser Soze."

"-You know what happens if you do another turn in the joint?
-Fuck your father in the shower and then have a snack?"


"How do you shoot the devil in the back? What if you miss?!"

"You think you can catch Keyser Soze? You think a guy like that comes this close to getting caught, and sticks his head out? If he comes up for anything it'll be to get rid of me. After that... my guess is you'll never hear from him again."

"The greatest trick the devil ever pulled was convincing the world he didn't exist. And like that... he is gone!"



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O Corpo da Mentira/Parque Jurássico III


Mark Strong deslumbra e abafa o esforçado DiCaprio e o irritante Crowe, num thriller de acção bastante bem realizado, mas que peca por uma narrativa (episódica) limitada e algo...comum.

Satisfaz, e de que maneira. Mas um pouco mais seria sempre bem vindo.





Inútil, desapropriado, amador. Um série B miserável, que tenta aproveitar-se do enorme sucesso dos seus predecessores.

Argumento perfeitamente estapafúrdio, elenco fraco, eis pouco mais de uma hora de entretenimento que, embora eficaz graças a uma realização interessante que nos proporciona uma ou duas cenas para mais tarde recordar (a da ponte ou a do telefone), é de cariz bastante duvidoso...

Não tendo também praticamente qualquer ponto de contacto com os filmes anteriores, eis uma proposta claramente recusável...


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O Resgate do Soldado Ryan


Apesar de tudo, é óbvio e inegável: "O Resgate do Soldado Ryan" está longe de ser o melhor filme da carreira de Steven Spielberg. Embora uma belíssima incursão no género, o seu primor técnico não é o suficiente para disfarçar o limitadíssimo argumento.

"O Resgate do Solado Ryan" é de um desenrolar gradual, a espaços aborrecido, e levanta bem menos questões do que aquelas que poderia, parecia, e deveria levantar. A sua premissa é simples, é certo, mas o seu desenvolvimento fica bem aquém do esperado. O desenvolvimento das personagens é também algo limitado, e com demasiados fios soltos no final. Ainda assim, um destaque para o sniper Reiben e o médico Wade.

De resto, e tecnicamente falando, "O Resgate do Soldado Ryan" é, numa só palavra, estonteante. Absolutamente estotenteante. A realização do mestre Spielberg é de um profissionalismo e de uma dedicação sobre-humanas. A sua câmara em cima do ombro confere um realismo asfixiante à obra, e instala-se na mente do espectador, não mais de lá querendo sair. Quem se poderá esquecer do desembarque na praia de Omaha, no dia D, que "inicia as hostilidades"?

A fotografia de Janusz Kaminski dinamiza, a banda-sonora de John Williams aquece e o elenco não descura. Secundários de grande talento, como Barry Pepper, Giovanni Ribisi e Jeremy Davies entregam-se de corpo e alma. A encabeça-los está um Tom Hanks...suportável.

Nada menos do que um trabalho de excelência de Steven Spielberg que, naquilo que lhe compete, não falha em momento algum. Pena o resto...


"We're not here to do the decent thing, we're here to follow fucking orders!"

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Parque Jurássico


Sou um franco adepto da vertente mais mágica e leviana do Cinema. Não obstante a face mais séria e de carácter reflectivo mais evidente da 7.ª Arte, prefiro claramente ser transportado para a fábrica de sonhos que Hollywood tão bem personifica. Inúmeros exemplos deste género de filmes surgem anualmente, no entanto e se tivesse de eleger um exemplo supremo de uma obra capaz de garantir o mais puro e qualitativo entretenimento, essa obra seria "Parque Jurássico".

"Parque Jurássico" foi um dos maiores sucessos de bilheteira, não só da carreira de Steven Spielberg, mas também da história do Cinema. No entanto, hoje em dia, não consigo evitar olhá-lo como algo (muito, talvez) subvalorizado. O que é uma pena.
Eu não vivi o fenómeno "Parque Jurássico". Não fui atingido pelo hype em torno desta obra, nem tão pouco o fui na minha primeira visualização da fita de Spielberg.

Foram necessárias várias vezes para me aperceber da real questão: viver. Este não é um filme para se ver, mas um filme para se viver. E agora, finalmente e depois de muitas visualizações, eu consigo viver "Parque Jurássico".

E que vivência. Que aventura. "Parque Jurássico" é aquele trabalho que todos classificam como sendo o mais light da carreira de Steven Spielberg. E a questão que se coloca é: em que medida essa leveza (que é clara, a todo e qualquer nível, ainda para mais quando comparado com uma obra de Spielberg do mesmo ano, "A Lista de Schindler") interfere na qualidade de "Parque Jurássico"? Em medida alguma.

Steven Spielberg realiza de forma irrepreensível e inspirada, embora não atinja em nenhum momento o registo da obra já referida, experimentando de forma muito bem sucedida os mais variados registos que vão desde o suspense, passando pela comédia até à mais genuína aventura. Gosto especialmente da forma como Spielberg introduz a chegada do T-Rex (personificada de forma deliciosa neste curioso poster -"roubado" do blogue Six Degrees of Separation- que aqui vos deixo) ou os cativantes jogos de sombras em que Spielberg tenta ser o menos explícito possível. Enfim, o patamar qualitativo a que estamos habituados.

A colaborar com Spielberg está John Williams que, uma vez mais, nos .presenteia com uma banda-sonora verdadeiramente inesquecível. Lindíssima e extasiante, sempre adequada e muito diversificada.

O elenco é igualmente fabuloso. O elemento menos bom talvez seja o protagonista Sam Neill, no entanto, actores como Laura Dern ou Richard Attenborough compensam. Ainda assim, a melhor interpretação cabe a Jeff Goldblum que, para além de criar um dos melhores personagens dos anos 90, rouba sem dificuldade todas as cenas em que entra. Grande, grande interpretação.

O principal busílis de "Parque Jurássico" é o seu argumento. Levanta questões interessantes, mas perde o seu rumo e deixa que a intriga se esfume na segunda metade. É pena, mas Steven Spielberg consegue agarrar-nos até ao fim. Para além disto, a primeira metade em si vale por todo o filme.

E que filme. Que grande filme. Para se viver, não para se ver.


"The lack of humility before nature that's being displayed here, staggers me."

"Dr. Grant, my dear Dr. Sattler. Welcome to Jurassic Park."

"I'll tell you the problem with the scientific power that you're using here: it didn't require any discipline to attain it. You read what others had done and you took the next step. You didn't earn the knowledge for yourselves, so you don't take any responsibility... for it. You stood on the shoulders of geniuses to accomplish something as fast as you could and before you even knew what you had you patented it and packaged it and slapped it on a plastic lunchbox, and now you're selling it, you want to sell it!"

"Remind me to thank John for a lovely weekend."

"Boy, do I hate being right all the time..."

"What is so great about discovery? It is a violent, penetrative act that scars what it explores. What you call discovery, I call... rape of the natural world."

"What've they got in there, King Kong?"



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O Mundo Perdido:Parque Jurássico


Era inevitável, depois do mega-sucesso de "Parque Jurássico", que uma sequela não fosse feita para tentar fazer render o franchise. O que joga a favor deste filme(e que não o faz, por exemplo, no terceiro) é que é Steven Spielberg quem está ao volante, garantindo o entretenimento, a qualidade e(ainda)a originalidade.

O argumento é interessante e coeso, apesar da narrativa assumir por vezes um ritmo lento e, tal como no filme anterior, a perder-se na segunda metade.
A realização é muito competente como sempre, com destaque para alguns planos especialmente bem conseguidos(nomeadamente os da sombra do T-Rex) e a banda-sonora é, provavelmente, o único aspecto de "O Mundo Perdido:Parque Jurássico" que supera o seu antecessor.

No elenco, Vince Vaughn surpreende, Juliane Moore confirma, mas é Jeff Goldblum quem rouba(outra vez!) todas as cenas. Pete Postlethwaite está também muito bem.

"O Mundo Perdido:Parque Jurássico"
é entretenimento ao mais alto nível e não deixa ficar mal o seu predecessor.


" Oh, yeah. Oooh, ahhh, that's how it always starts. Then later there's running and screaming."

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Indomável


Com um elenco fabuloso, sobretudo a parelha Bridges/Steinfeld, e uma fotografia ao mesmo nível, "Indomável" tenta dar um passo maior do que a perna quando instaura a habitual reviravolta (típica dos Coen) e falha.

A trama perde objectividade, o filme é abruptamente e aparentemente "apressado" e o espectador acaba por ficar boquiaberto também com a constatação do reduzido tempo de antena de um interessante Josh Brolin.

Sem dúvida, um exercício artístico de elevada qualidade, com duas soberbas interpretações, mas um filme bastante vazio e algo (mais do que o costume) estranho a nível de argumento e história.

"You go for a man hard enough and fast enough, he don't have time to think about how many's with him; he thinks about himself, and how he might get clear of that wrath that's about to set down on him."


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Braveheart- O Desafio do Guerreiro


O que verdadeiramente importa realçar é a dedicação e o interesse de Mel Gibson neste projecto, claramente pessoal, claramente seu.

Quer à frente das câmaras (uma das melhores interpretações do actor), quer atrás dela (justíssimo Óscar para Melhor Realizador), o empenho e a paixão estão lá.
A produção (fotografia e banda-sonora) é arrojada, o elenco é muito competente.

Já o argumento é bem mais limitado e básico do que à partida parece, quer ao nível do desenvolvimento, com a história a ganhar contornos previsíveis, quer no que toca às personagens, algumas delas autênticos clichés

Nada que arruíne este épico.


"Every man dies. Not every man really lives."

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O Discurso do Rei/ O Turista


Honestamente, esperava pior, bem pior. Afinal de contas, "O Discurso do Rei" tinha, não tudo, mas bastante para me desagradar. Mas não o fez.

Não sendo, de todo, uma obra-prima, um filme indispensável ou até mesmo o melhor do seu ano, "O Discurso do Rei" é uma obra interessante e sobretudo cativante, capaz de prender a atenção do espectador do início ao fim.

Esqueçamos o argumento...disperso, e concentremos-nos antes na realização dinâmica de Tom Hooper e, claro, no portentoso elenco.

Se o oscarizado Firth dispensa comentários, cabe ainda assim a Geoffrey Rush a interpretação do filme. Com o pouco que tinha, fez muito. Muito mesmo.




Enfim, tudo aquilo que não deveria ser, é o que "O Turista" é: uma desculpa -por sinal, péssima- para ver dois dos mais badalados actores a fazerem...bem, a não fazerem realmente nada de especial.

Depp, embora se safe, está a anos-luz dos seus melhores momentos. Jolie, essa, nem vê-la.

Não esquecendo, inevitavelmente, o ridículo argumento acompanhado de um final penoso.

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Um Domingo Qualquer


"Um Domingo Qualquer" é não só uma das melhores obras de Oliver Stone -realizador cuja grande parte do trabalho me tem escapado- como também uma das mais subvalorizadas.

Stone tem aqui um mérito inegável, ao conseguir fazer de "Um Domingo Qualquer" um espectáculo de entretenimento de grande qualidade, assegurando diversos e excelentes momentos ao longo de 2h30 que nos parecem curtas no final.

Mesmo com uma história bastante simples, os argumentistas John Logan e Daniel Pyne elevam "Um Domingo Qualquer" a um verdadeiro épico desportivo. Muitos dos diálogos entre as personagens são avassaladores e alguns monólogos (em especial os de Al Pacino) ficarão na história do Cinema moderno.

É um argumento portentoso ao nível de diálogos e dimensão das personagens, que é estendido e polido pela realização majestosa do sempre dinâmico Oliver Stone (que volta a fazer um curto e simpático papel).

O elenco é peça-chave para o sucesso de "Um Domingo Qualquer". Um Al Pacino a redefinir o adjectivo intensidade, encontra-se à frente de um grande elenco. Dennis Quaid e James Woods, que merecia mais tempo de antena, obtém das melhores performances da sua carreira.
Até Cameron Diaz e Jamie Foxx, actores por quem não nutro qualquer simpatia, estão muito bem, especialmente a primeira.

A banda-sonora encaixa na perfeição, e eis Oliver Stone a pegar numa história banal, puxando-a até quase 3 horas de duração e no final... a deixar-nos a salivar por mais!


"On any given Sunday you're gonna win or you're gonna lose. The point is - can you win or lose like a man?"

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A Ressaca/Alien vs Predador


"A Ressaca" não tem, literalmente, muita piada. Tem situações muito propícias a tal, uma série de personagens que mereciam um filme só para elas, e um elenco invulgarmente capaz.

O problema é que Todd Phillips desperdiça este material todo, fazendo de "A Ressaca" um filme muito simpático e agradável, de fácil visualização e capaz de entreter muito bem, mas com pouquíssimas tiradas de real humor.





Desperdício surreal de potencial, o aguardado confronto entre as duas raças de alienígenas é uma autêntica desilusão para todos os fãs.
Argumento horrível, realização adolescente e um elenco quase totalmente amador.
São tantos os momentos ridículos e as incoerências de "Alien vs Predador", que até dói.

No entanto, o maior problema está na protagonista que está a cargo da péssima actriz Sanaa Lathan, tentando fazer de Alexa Woods uma imitação de Ellen Ripley, mas o mais que consegue é ser apenas uma empertigada irritante e que merecia ter sido "despachada" antes do filme completar meia hora.

No entanto, reconheço em "Alien vs Predador" um semi-guilty pleasure. Existem de facto um ou dois confrontos directos entre o Alien e o Predador, e que são um regalo para os olhos. O problema é tudo o resto...

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Loucuras em Las Vegas/A Tempo e Horas


Rob Corddry, sidekick brilhante, protagoniza as poucas cenas do filme genuínamente divertidas. O resto, já foi visto e revisto muitas vezes, mas também não se pretendia outra coisa.




Um falhanço tremendo e um custoso desperdício de dois excelentes protagonistas, que embarcam neste road-movie de sanidade duvidosa e coerência argumentativa nula.

Aposta total em humor físico e escatológico, muito desagradável e forçado.

Modesto desastre que vem pouco a tempo e horas...

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Pedindo desculpa pela interrupção...

...o blogue retomará o seu normal funcionamento ainda antes do fim do mês, com muitas novidades.
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Homem de Ferro 2


A primeira visualização "Homem de Ferro" (crítica aqui),consituiu para mim uma substancial decepção. Foi preciso a portentosa edição em DVD da Máscara do Homem de Ferro (cuja análise pode ser consultada aqui), que me permitiu rever o filme, para me fazer mudar de opinião. E que mudança.
"Homem de Ferro" foi um dos filmes mais divertidos do ano, e Robert Downey Jr. teve uma das melhores interpretações do mesmo.

Assim, a sequela do filme de Jon Favreau era uma das obras pela qual mais aguardava e que veio mesmo a justificar uma deslocação ao cinema mais próximo (a primeira, este ano) para a sua visualização.
E o produto final não me desiludiu, apresentando-se como um dos mais divertidos filmes que já vi nestes últimos tempos.

O factor nuclear do sucesso de "Homem de Ferro 2" é, tal como o anterior filme, a abordagem descontraída feita por Favreau. É imprimir um ritmo alucinante ao filme, mas repleto de humor e estilo. Por outras palavras, trata-se de conciliar as portentosas cenas de acção, festivais de CGI arrebatadores e munidos de uma sonoplastia fabulosa, com o enorme talento de Robert Downey Jr.. Soltar o carisma de Downey Jr. no meio de CGI, acrescentar uma banda-sonora de excepção e esperar pelos lucros. Aqui está o segredo do sucesso de "Homem de Ferro 2", que garante massivas doses de entretenimento sem nunca, rigorosamente nunca, se tornar minimamente aborrecido.

E estes três parâmetros, tão bem trabalhados, são suficientes para fazer esquecer alguns defeitos impensáveis do filme. O primeiro, e aquele que mais custa, é o elenco. Tão promissor quanto talentoso, quase todo ele está mal ou não tão bem quanto poderia.
Don Cheadle foi um tremendo erro de casting. Não tem qualquer fibra para o papel, apesar das várias oportunidades que lhe são dadas.
Quanto a Scarlett Johansson, limita-se a fazer de femme fatale: decotes generosos e cenas de acção pouco razoáveis, mas diálogo que é bom, nem vê-lo.
Mickey Rourke é a "versão feminina de Scarlett Johansson". Tem estilo e protagoniza as melhores cenas de acção, mas o seu Ivan Vanko carece de substância.
Sam Rockwell desilude-me pela primeira vez. O seu personagem, ao contrário de outros, fala de mais e é irritante. Não se trata de um rival de Tony Stark, mas de uma amostra patética sua. E se há coisa que Sam Rockwell não deveria interpretar, era uma amostra patética de Downey Jr..
A repetir o seu papel está Gwyneth Paltrow, que continua algo insossa, embora se sobressaia perante os restantes elementos.
Finalmente, temos ainda a presença de Samuel L. Jackson, que até poderia ser merecedora de elogios, se ocupasse mais do que duas cenas...

Até Jon Favreau se deixa desleixar, em comparação com o primeiro filme. Não só termina de forma demasiado abrupta a maior parte das cenas de acção, tornando-as muito breves, como cai igualmente em alguns clichés do género. Apesar de, como já foi referido, manter um ritmo incrível.

"Homem de Ferro 2" poderá deixar um ligeiro travo amargo numa primeira visualização, mas é um daqueles filmes vai melhorando com as seguintes. Contém um pouco mais de erros do que devia (é o argumento, o real problema), mas não desilude o suficiente para merecer críticas negativas.Difilmente encontrarão entretenimento tão agradável.


"I wanna make Iron Man look like an antique."

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Shutter Island


Não é só Teddy Daniels que está preso, a investigar o que se passa em Shutter Island. Também o espectador, qual mera criança, se deixa envolver pela magnífica obra de Martin Scorsese que é este "Shutter Island", do primeiro ao último minuto.

Envolto pela fotografia pesada emanada pelo filme, envolto pela realização brilhante de Scorsese, que literalmente não nos deixa sossegar um segundo e reserva uma surpresa atrás de cada porta (cela?) e que mantém um ritmo impressionante e um clima de tensão crescente, "Shutter Island" é uma autêntica caixinha, cuja surpresa... nunca é revelada.

E o que dizer do fascinante argumento de Laeta Kalogridis, que vai revelando a sua qualidade aos poucos e poucos, como se de uma flor a brotar se tratasse. E o que parecia ser apenas um mero policial, torna-se numa arrepiante e estonteante viagem aos confins...da natureza do ser humano.

Personagens magníficos que representam momentos-chave do filme, aliam-se a diálogos desconcertantes e a, como não podia deixar de ser, uma estrondosa, inesquecível e até mesmo perturbadora banda-sonora.

E por fim, a cereja no topo do bolo: um elenco de excepção, extremamente seguro e de elevadíssima qualidade. Secundários de grande talento, como Ben Kinglsey ou Mark Ruffalo suportam Leonardo DiCaprio naquela que é a melhor interpretação da carreira do actor. Grandioso trabalho de DiCaprio, a obter uma magnífica, intensa e tocante prestação que ultrapassa mesmo o registo obtido em "Diamante de Sangue" (crítica aqui) e demonstra o quão portentoso pode ser este versátil actor.

"Shutter Island" é, pois, tudo aquilo a que se propôs e um pouco mais. Um enigma brilhante ao qual foi dado um tratamento cinematográfico digno de um mestre.
O resultado? Mais uma aposta ganha de Martin Scorsese e companhia.


"You'll never leave this island."

"Which would be worse, to live as a monster or to die as a good man?"

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Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto


Sequelas: investimentos sempre pouco rentáveis, do ponto de vista qualitativo, na minha opinião. A regra é simples e, de um modo geral, quase inatacável. As sequelas raramente ultrapassam o original.
E, neste caso, o original era apenas "Piratas das Caraíbas: A Maldição do Pérola Negra" (crítica aqui), um dos maiores e mais inesperados sucessos da década. Como tal, avizinhava-se uma tarefa deveras difícil e que foi, a meu ver, totalmente bem sucedida.

"O Cofre do Homem Morto" é maior, melhor e mais completo em tudo que o seu antecessor, um triunfo enorme repleto de entretenimento e qualidade. A começar pelo tom deste novo filme, mais negro, mais sério e mais adulto. Mas também portador de um valor paisagístico enorme e claramente benéfico à vista. Aqui se resume a qualidade evidente da fotografia presente neste segundo tomo.
Também Hans Zimmer assume destaque, ele que agora toma as rédeas da banda-sonora e adiciona o seu cunho pessoal e indispensável à mesma, enriquecendo-a substancialmente.

Gore Verbinski consegue manter um ritmo interessante, nunca deixando o filme tornar-se aborrecido ou previsível, já que são várias as personagens que são acompanhadas (mas nunca demais, como acontece no terceiro filme). Verbinski concebe ainda uma ou outra cena de cortar a respiração, tal como o jogo de dados ou o magnífico final em jeito de twist.

Quanto ao argumento, da autoria de Ted Elliott e Terry Rossio, é um autêntico primor. Mais profundo, mais abragente e bem mais interessante, envolvente e complexo (não confuso, essa descrição cabe a "Nos Confins do Mundo", cuja crítica pode ser vista aqui).
Uma nova palete de personagens é exibida, sendo que algumas como Davy Jones ou Lord Beckett são verdadeiros achados. De referir por fim a brilhante opção em aumentar a comicidade da dupla Ragetti/Pintel, que se provou uma aposta ganha.

O elenco permanece irrepreensível. Johnny Depp aperfeiçoa aqui o seu genial boneco e obtém mais uma excelente interpretação, embora tenha aqui a dificuldade de disputar o protagonismo das cenas com o desconcertante Bill Nighy. Keira Knightley cresce a olhos vistos como actriz e Stellan Skarsgard confere segurança ao elenco. Apenas Orlando Bloom demonstra a habitual apatia.

Resta ainda fazer uma referência obrigatória e mais do que merecida aos maravilhosos efeitos especiais que, por aglomerados de pixeis como o Kraken ou o próprio Davy Jones, conquistaram o justíssimo Óscar na referida categoria.

"Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto" é pois um magnífico filme de puro entretenimento que suplanta o seu antecessor e causa inveja ao seu sucessor.


"Damn you, Jack Sparrow!"

"-This is going to save Elizabeth?
-How much do you know about Davy Jones?
-Not much.
-Yeah, it's going to save Elizabeth."

"Turns out not even Jack Sparrow can best the devil."

"-But I wonder, Sparrow, can you live with this? Can you condemn an innocent man, a friend, to a lifetime of servitude in your name while you roam free?
- Yep. I'm good with it."

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Um apanhado... de notícias


-O trailer do novo Piratas já saiu. Não me convenceu. Parece-me que já se começa a acumular algum cansaço, e estou a incluir Johnny Depp nesta descrição...

-As nomeações para os Globos também já estão cá fora. "A Origem" está lá e com cinco nomeações. É o que interessa.

"A Cidade" também está representada, mas justamente através de Jeremy Renner.

É imperativo ver:
"Cisne Negro";
"A Rede Social"
"Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" (Douglas está nomeado...)
"O Turista"
"127 Horas"

Venham todos eles!
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