O Planeta dos Macacos


O problema reside na produção. Tim Burton, realizador por quem nutro uma especial antipatia, bem tenta tornar "O Planeta dos Macacos" num épico à medida de, segundo dizem, "O Homem que veio do Futuro".

Mas os valores de produção deixam demais, demais a desejar: fotografia, guarda-roupa, efeitos especiais ou figurantes. Não deixam o filme ir mais longe. O que é uma pena.

A excepção é a caracterização. Fantástico trabalho, tão bom que chega a "engolir" alguns dos actores, como é o caso de Helena Bonham Carter.

Não obstante estes defeitos, acabei por gostar bastante deste "O Planeta dos Macacos", que tudo deve à estrondosa interpretação de Tim Roth. Brilhante trabalho do actor, a compor uma vilão inesquecível enquanto obtém uma das melhores interpretações da sua carreira. Igualmente brilhante é o trabalho de caracterização, que torna o personagem realmente intimidador.

O restante elenco é regular. Mark Wahlberg não tem estofo para protagonista e Estella Warren é só uma cara bonita. Os secundários Michael Clarke Duncan e Paul Giamatti, por seu lado, estão bastante bem.

Quanto à história em si, é interessante, embora se acabe por perder (confundir?) com intrigas políticas e muita disfunção espacio-temporal.

O final agradou-me. Dá uma sensação de desconforto e impotência deliciosa.

Acabo por encontrar mais defeitos do que qualidades neste "O Planeta dos Macacos", e concluo que... não consigo justificar a minha classificação...


"Everything in the human culture takes place below the waist."

Read more

Ocean's Eleven


Era necessário um verdadeiro punho de ferro -e igualmente sólido talento- para transformar "Ocean's Eleven" num grande filme e não num desfile de estrelas.
É na frescura e jovialidade de Steven Soderbergh que este talento foi depositado.

Soderbergh tem à sua disposição elementos indispensáveis para a obtenção da qualidade desejada, começando, desde já, pelo magnífico escrito de Ted Griffin. Nunca um heist movie nos pareceu tão credível, tão realista, tão diferenciado de todos os outros. Aqui está a prova de que não são necessárias grandes cenas de acção, "apenas" diálogos verdadeiramente avassaladores e uma palete de personagens inesquecível e extremamente variada.

Recorde-se, por exemplo, a complexidade e abrangência da descrição feita por Rusty (o papel para o qual Brad Pitt nasceu) a Danny (George Clooney) do grupo ideal de profissionais necessários para a realização do assalto, ou do magnífico, verdadeiramente magnífico diálogo entre Danny e Tess (Julia Roberts), no seu primeiro encontro:

"-Does he make you laugh?
-He doesn't make me cry."

Para além disto, o argumento de Griffin dissimula pequenos e delicados apontamentos de um grande e delicioso humor. Humor infinitamente mais eficaz e menos "brejeiro" do que o que nos é apresentado, por exemplo, por "Scary Movie- Um Susto do Filme" (crítica aqui) e que constituem a faceta do entretenimento que "Ocean's Eleven" proporciona de forma tão categórica.

O segundo elemento fundamental é a banda-sonora de David Holmes. É impressionante, o encaixe perfeito entre o filme e a maior parte das sequências musicais. A banda-sonora transpira o ambiente descontraído e o sentido de coolness visto no filme, e parece fazer ecoar na nossa mente os nomes de, por exemplo, Brad Pitt ou até mesmo Las Vegas.

E, finalmente, o elenco, o grande e majestoso elenco, a maior junção de grandes estrelas do Cinema nos últimos 10 anos, pelo menos. Mas mais impressionante do que tamanho aglomerado de grandes actores, é a constatação de que todos são soberbamente dirigidos por Soderbergh, que dá a cada um destes actores o necessário espaço para brilhar.

Os elementos que mais se destacam são, inevitavelmente, os protagonistas George Clooney e Brad Pitt. Pitt, em particular, está mais com mais estilo do que nunca. E o melhor? É que a substância também não é descurada.
A merecer destaque está também Andy Garcia, naquela que é a melhor interpretação de toda a sua carreira.
O restante elenco está, sem nenhum tipo de excepção, fantástico. Que direcção de actores brilhante.

"Ocean's Eleven" recorda-me ainda "Blade Runner", pela forma tão magistral como Steven Soderbergh realiza, ocultando e mascarando a sua genialidade nas mais diversas cenas e fazendo de "Ocean's Eleven" uma obra com pormenores a descobrir com cada nova visualização.

A lente de Soderbergh capta de tudo, desde o humor, passando pela intriga e até algum drama.O sentido de estilo, o ritmo rápido mas nunca precipitado, a cintilante fotografia e a manipulação feita ao espectador, quando consagrados com os aspectos já referidos, fazem de "Ocean's Eleven" um dos melhores filmes que já vi, bem como o heist movie por excelência.


"You guys are pros. The best. I'm sure you can make it out of the casino. Of course, lest we forget, once you're out the front door, you're still in the middle of the fucking desert!"

"-I always confuse Monet and Manet. Now which one married his mistress?
-Monet.
-Right, and then Manet had syphilis.
-They also painted occasionally."

"-You're a thief and a liar.
-I only lied about being a thief, I don't do that anymore.
-Steal?
-Lie.
-I'm with someone who doesn't have to make that kind of distinction.
-No, he's very clear on both."



Read more

Harry Potter e o Príncipe Misterioso


Era difícil para David Yates fazer pior neste sexto capítulo do que fez em "A Ordem da Fénix" (crítica aqui).
Mas de facto, e após uma nova visualização, há que dar a mão à palmatória e admiti-lo com franqueza: "O Príncipe Misterioso" é o melhor filme de toda a saga desde "O Prisioneiro de Azkaban" (crítica aqui) e um belíssimo pedaço de entretenimento.

A faceta "adulta" manifesta-se uma vez mais, mas agora com sobriedade e profissionalismo. "O Príncipe Misterioso" é portador de um par de grandes cenas (o encontro de Dumbledore com Tom Riddle será a mais intensa e memorável, conseguindo verdadeiramente imponente e provando que não são essenciais grandes segmentos de acção, para um saldo final francamente positivo. E aqui, o mérito, esse, é todo de David Yates.

Yates que consegue ainda arrancar a melhor interpretação de um Daniel Radcliffe cujas perspectivas de talento pareciam já ter sido exterminadas, após as desastrosas prestações dos últimos dois filmes. Também Michael Gambon merece um grande destaque graças à sua soberba interpretação, a fazer esquecer, por fim, que já existiu um outro actor na pele de Albus Dumbledore. Verdadeiramente estonteante, o modo como o actor desenvolve a figura paternal mas ainda assim temível do director de Hogwarts, num registo infinitamente superior a todos os restantes do actor na saga.

Apenas o argumento deita a perder grande parte do potencial do filme, com toda a trama envolvendo o Príncipe Misterioso a ser inexplicavelmente esquecida, a favor dos romances banais de Ron.

Mas, ainda assim, reitero o resultado final acima da média, e sobretudo surpreendente. Custa a acreditar que os responsáveis por este filme são os mesmos do capítulo anterior.

"-Did you know, sir? Then?
-Did I know that I just met the most dangerous dark wizard of all time? No.
"

Read more

Assalto ao Metro 1 2 3


Enervante, revoltante, gritante. Estes e muitos mais adjectivos do mesmo género podiam ser utilizados para classificar a falta de talento demonstrada nesta miserável fita, por parte de Tony Scott, que tão descaradamente desperdiçou o grande talento de John Travolta, conduzindo-o a uma espiral descendente de overacting que não demora muito a ultrapassar a barreira do ridículo.

O trabalho de câmara fraquíssimo, quase amador, inconsequente e totalmente idiótico de Scott é complementado pela já referida frágil direcção de actores (excepção feita ao underacting de Denzel Washington).

Como cereja no topo do bolo, "Assalto ao Metro 1 2 3" é ainda dono de um argumento muito pobre, repleto das mais variadas incoerências e falhas, bem como uma série de clichés do género, o que, obviamente, origina um punhado de cenas que pouco devem à lógica (algumas mesmo ridículas, como a do leite).


Paira o sentimento de desilusão pelo filme, de raiva por Scott e de pena por Travolta.


"-A catholic, a good catholic would know that he is got a train loaded with innoccent people. I mean, you don't want to kill innocent people, do you?
-A good catholic knows that nobody is innocent!"

Read more

Harry Potter e a Pedra Filosofal/Harry Potter e a Câmara dos Segredos


Um começo brilhante, embora com algumas limitações ao nível do desenrolar da acção e da sua inerente (e, refira-se, inevitável) infantilidade, este primeiro filme é um autêntico tesouro.

Fotografia e cenografia deslumbrante, uma banda-sonora de John Williams absolutamente inesquecível e, claro, um elenco de excepção.

Para além de uma série de secundários de luxo (Richard Harris, Maggie Sm
ith, John Hurt, Robbie Coltrane, John Cleese e, claro, o soberbo Severus Snape de Alan Rickman), temos três achados no que à representação diz respeito. Três belíssimas, belíssimas interpretações que encabeçam esta excelente proposta de entretenimento infanto-juvenil.




Em nada descurando o seu predecessor, "A Câmara dos Segredos"
é sem dúvida, a meu ver, o mais intenso filme de toda a saga. Apesar dos seus efeitos especiais serem mais limitados, quando comparados com os filmes mais recentes, apesar do seu cariz infantil ainda presente... sequências como as palavras do Basilísco a ecoarem pelas paredes do castelo, a conversa de Harry com o diário de Tom Riddle ou a aparição de Aragog confirmam esta minha teoria.

A causa? O argumento, evidentemente. Bem mais limado, completo e aperfeiçoado, mas infelizmente confinado a um contexto com o qual pouco ou nada combina...mas que em muito melhora.


Read more

As Confissões de Schmidt



Alexander Payne filma "As Confissões de Schimdt" com uma segurança e um talento notáveis. Sem ambição de inovar e cair no descrédito, presenteia o espectador com alguns planos magníficos e interessantissimos, construindo, aos poucos e poucos, a rampa de lançamento pela qual é lançado Jack Nicholson, que nos oferece uma das melhores actuações da sua carreira, numa espécie de spin-off do Melvin Udall de "Melhor É Impossível" (crítica aqui), justamente premiada com uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor, bem como o Globo de Ouro para Melhor Actor Drama.

Fossemos a juntar o trabalho destes dois homens, e estávamos perante um grande filme, certamente. Infelizmente, o argumento de "As Confissões de Schimdt", também a cargo de Payne, é um poço de indecisões e buracos. Ora um filme sério, ora uns picos cómicos, ora uns toquezitos de road-movie e muitas, muitas personagens e cenas desnecessárias.

O caso mais concreto desta debilidade argumentativa prende-se com o decepcionante final, que deita a perder, não só uma história interessante, mas também a possibilidade de a concluir de forma minimamente... conclusiva. É que um final, não é sinónimo de uma conclusão, e "As Confissões de Schimdt" não tem uma conclusão.

Solidária com o espectador, está Kathy Bates, cujo promissor papel e substancial talento, são totalmente desperdiçados em aparições, sem dúvida marcantes (quem se esquecerá da visão de uma Bates totalmente nua?...), mas rápidas, intermitentes e...perturbadores.
O resultado é uma interpretação que totaliza uns meros 20 minutos e cuja premiação com a nomeação para o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actriz (muito, demais) Secundária, fica por explicar.

E é uma pena, porque este "As Confissões de Schimdt" tinha muito potencial. Fica-se pelo entretenimento mediano e uma grande interpretação.
Finalmente, uma nota especial para o excelente poster do filme. Nunca nenhum poster consegui ser tão dramático e tão cómico, ao mesmo tempo.


"Life is short, and I can't afford to waste another minute."

Read more

Apanha-me se Puderes


É um problema que Steven Spielberg está constantemente a enfrentar: é responsável por filmes tão bons, que quando tenta optar pela discrição é de imediato acusado de ter perdido os seus talentos. "A Guerra dos Mundos" (crítica aqui), por exemplo, é um bom filme que sofreu com este problema.

"Apanha-me se Puderes" é de facto um filme menor na carreira de Steven Spielberg. Foi uma espécie de brincadeira, um feel-good movie sobre um vigarista, com toques cómicos e dramáticos. Não é um mau filme de todo, apenas por comparação.

A história em si é interessante mas não apaioxanante. O argumento tem trechos em que cativa mais e outros em que cativa menos, debruçando-se de forma delicada mas desequilibrada sobre os momentos e figuras da vida de Frank Abagnale (é dado muito mais espaço ao se pai do que à mãe).

Leonardo DiCaprio não tem de se esforçar muito para fazer de rapazinho-um rapazinho vigarista mas um rapazinho- e Christopher Walken está bastante bem numa cena específica (a do almoço com Frank), mas no cômputo geral não justifica a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Quem mais me surpreendeu foi Tom Hanks, com uma performance a roçar a comicidade e claramente mais desafiadora para o actor, de quem não gosto particularmente.

John Williams parecia ter voltado aos seus velhos tempos, mas apenas o tema principal do filme fica no ouvido.
Filme este que, apesar de não ser nada mau, deixa muito a desejar para a equipa técnica que possui.


"-Well, would you like to hear me tell a joke?
-Yeah, we'd love to hear a joke from you.
-Knock knock.
-Who's there?
-Go fuck yourselfes!"

Read more

Miami Vice


Michael Mann é um dos melhores realizadores da actualidade. Com discrição e atenção, Mann é um verdadeiro estudioso que foi desenvolvendo ao longo dos anos a sua apuradíssima técnica visual que torna qualquer filme seu um prodígio a este nível. Mas Michael Mann não se fica pela fruição artística, conciliando o seu talento com argumentos sólidos e produzindo assim alguns dos melhores filmes dos últimos anos. O exemplo mais recente (até ao ano de estreia de "Miami Vice") foi o brilhante "Colateral" (crítica aqui), que nos mostrou o lado mais negro de Tom Cruise. Mas em "Miami Vice", Mann espalha-se ao comprido. O embrulho é muito bonito e polido, como só Mann sabe fazer, mas o presente é verdadeiramente medíocre.

"Miami Vice" é um poço de coolness. Nas roupas, nos acessórios, nos visuais, no tom de voz, na forma de andar. Michael Mann filma de forma irrepreensível, com planos brilhantes que nos aproximam dos actores e desconstroem a noite com uma mestria inegável. Dá-nos ainda aqueles pormenores que valem por um filme, verdadeiros traços de humildade e humanismo que conquistam qualquer alma. Não há como o negar: atrás das câmaras, Michael Mann é um dos melhores da actualidade e a prová-lo estão inúmeras sequências: a noite passada por Sonny e Isabella ou a fabulosa, embora escusada, sequência inicial.

O problema é que Mann presume que é tão bom a realizar como é a escrever, algo que "Miami Vice" prova ser falso. O argumento é verdadeiramente fraco e tolhido de defeitos.
Para começar, existe um desequilíbrio incrível na incisão feita aos dois protagonistas. Colin Farrell é profundamente explorado e tem mesmo direito a uma relação amorosa metida a martelo. Já Jamie Foxx tem o pouco tempo que merece, não passando de um mero secundário que raramente aparece sem Farrell no mesmo plano.
Depois, temos diálogos tão sintéticos que até enjoam. Mann encurta ao máximo a quantidade e a duração das falas e prejudica-se muito mais do que se poderia pensar à partida, abatendo a credibilidade da história em várias vertentes. A relação entre os protagonistas, por exemplo, reduz-se a uma meia-dúzia de trocas de palavras breves e simples, que causam as mais diversas e indesejadas impressões no espectador (que Sonny e Ricardo não se suportam, não se conhecem, não têm confiança um com o outro, etc..).

Além disto, outros aspectos técnicos desiludem igualmente, sobretudo a sonoplastia, que torna a troca de tiros final verdadeiramente ridícula.
Salva-se a banda-sonora, um aspecto sempre em alta nos filmes de Mann.

O elenco também é demasiado inexperiente e de poucos créditos firmados para assegurar a estabilidade interpretativa que se pretendia. É certo que Jamie Foxx já tinha vencido um Óscar, mas tal não passou de um "acidente de percurso", já que o registo do actor em "Miami Vice" não foge às tendências medíocres que tem mostrado durante toda a sua carreira.
Colin Farrell está substancialmente melhor, mas o seu personagem não constitui um especial desafio para o actor irlandês. Do restante elenco, apenas John Ortiz é digno de destaque e afirma-se como o melhor elemento do conjunto.

Mas, tal como o inegável talento de Michael Mann, é impossível negar que "Miami Vice" é o seu pior filme.


"-You seem okay. But him, I don't like how he looks.
-Do you wanna fuck my partner or do you wanna do business with us?"

Read more

Colateral


Michael Mann é um dos melhores realizadores da actualidade. Isto é ponto assente. O homem que faz da noite, dia. Perfeccionista por natureza e explorador compulsivo das suas personagens (o estudo feito a Vincent, e que é analisado no Making Of de "Colateral" é exemplo disso mesmo), Michael Mann nunca descura nenhum aspecto nos seus filmes.
É um verdadeiro realizador. E um grande realizador.

E "Colateral" é o seu segundo melhor filme, um filme que chega a emanar magia apesar do seu contexto e da aparente simplicidade da história. Mann filma de forma fantástica, encontrando pura beleza em locais tão (também) aparentemente insípidos como uma simples esquina de uma rua de Los Angeles ou um Taxi perfeitamente banal.
Filmado em alta definição, "Colateral" é visualmente estonteante e repleto de grandes momentos de Cinema, não só pela qualidade da imagem mas também pelo perfeccionismo e realismo das cenas. Mérito? De Mann evidentemente.

Mas não só. O subtil argumento de Stuart Beattie é repleto de diálogos profundos e existencialistas, ajudando a dinamizar o filme a torná-lo em algo mais, muito mais do que um mero filme de acção.
A banda-sonora está ao rubro, não descurando o registo visto noutras obras do realizador, e a fotografia destaca-se igualmente, não fugindo também ela ao padrão visto nos anteriores filmes de Michael Mann.

O maior trunfo de "Colateral" é, ainda assim, Tom Cruise. Mesmo com a sua altura e voz que, como bem sabemos, não intimidam muito, o actor compõe um vilão totalmente marcante e obtém mais uma grande interpretação.
Jamie Foxx é muito elogiado pela sua prestação, mas a meu ver não existem motivos para tal. Uma interpretação mediana. O mesmo não poderá ser dito da curta mas inesquecível presença de Javier Bardem, aqui ainda "pós-Anton Chigurh".

"Colateral" só é desfavorecido por se deixar apanhar numa rede de clichés e cenas tipicamente "à filme", que não só contrariam a natureza do filme mas também a do seu realizador. E são obviamente uma decepção.

Ainda assim e evidentemente, "Colateral" trata-se de um excelente filme e um dos melhores de Michael Mann.


"-You just met him once and you killed him like that?
-What? I should only kill people after I get to know them?"

"Yo, homie. Is that my briefcase?"


Read more

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


O mexicano Alfonso Cuáron revolucionou de forma muito original e eficaz o universo cinematográfico de Harry Potter, conferindo-lhe mais seriedade e realismo, atribuindo-lhe de forma pioneira a badalada "faceta adulta" e fazendo de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkabam", de longe, o melhor capítulo de toda a saga.

Inovação, estilo e contenção são as palavras que melhor descrevem a realização de Cuarón. Já não se tratam de crianças, mas de jovens adultos, com problemas a sério, num mundo negro (grande fotografia), realista e credível.

Também o argumento é um primor. Não se precipita, não apresenta cenas e personagens à pressão e é ainda abençoado com um excelente twist. Pena virar uma autêntica manta de retalhos, na recta final do filme, e o ridicularizar da promissora rivalidade entre Harry e Draco Malfoy, que tanto prometia em "A Câmara dos Segredos" (crítica aqui)

O elenco secundário está, como sempre, em primeiro plano, tal é a sua qualidade. Para além do sempre bem Alan Rickman e do muito competente David Thewlis, temos ainda um Gary Oldman absolutamente inesquecível, e com um tratamento visual brilhante.
De referir ainda os jovens Rupert Grint e Emma Watson, a adição de Michael Gambon (que deixa a desejar) em substituição do falecido Richard Harris, e, por fim, a fraquíssima interpretação de Daniel Radcliffe, que inicia aqui a sua curva descendente que o afastou da qualidade interpretativa obtida em "A Pedra Filosofal" (crítica aqui).

Enfim, eis, de longe, o melhor capítulo de toda a saga.


"Well, well, Lupin. Out for a little walk... in the moonlight, are we?"

Read more
Related Posts with Thumbnails