Terapia de Choque/Bad Boys 2


Resta saber como se deixou Jack Nicholson arrastar para um projecto destes...porque, de resto, "Terapia de Choque" é uma comédia até bastante agradável, apesar do selo de banalidade carregado por Sandler.

Mérito de Nicholson e de um elenco de secundários bastante sólido.




Hilariante, de ir ás lágrimas por vezes. Esquecendo as enervantes, longas e cansativas sequências de acção bigger than life que Bay teima em impôr, "Bad Boys 2" é um two-man s
how de Martin Lawrence e sobretudo de Will Smith.

Com uma química inegável, acompanhada por doses semelhantes de carisma e talento, os dois actores protagonizam várias cenas de um humor nada subtil, nada discreto, mas muitíssimo eficaz.


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Harry Potter e o Cálice de Fogo/Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte Um


Aclamado por muitos como o melhor filme da saga,"Harry Potter e o Cálice de Fogo" é um modesto desastre a nível de argumento,e uma curva descendente na saga do feiticeiro.

Chegando a atingir o ridículo em variados momentos (o início precipitado), o desequilibrado argumento não consegue ser compensado pelo elenco: Gary Oldman é afastado, Ralph Fiennes mal se vê e os restantes elementos são bastante secundarizados, sendo o caso de Alan Rickman o ma
is gritante.

Salva-se a realização de Mike Newell, a conseguir, vá-se lá saber como, tornar
bastante agradáveis e até épicas, cenas estruturalmente absurdas e, evidentemente, a marcante prestação de um sempre muito competente Brendan Gleeson, compondo um dos mais memoráveis personagens de toda a saga, e que tantas saudades deixa nos capítulos seguintes.



Eis, aqui sim, a verdadeira definição de filme-ponte. "Os Talismãs da Morte: Parte Um" é um empecilho de duas horas e meia, que arrasta aquilo que podia ter sido apresentado talvez numa única hora.

Uma belíssima, e simultâneamente miserável, manobra de marketing, da qual apenas se recorda o segmento animado d'Os Três Irmãos.

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Sem Limites


Partindo de uma premissa absolutamente fenomenal e profundamente original, "Sem Limites" é um dos títulos mais interessantes do presente ano e uma proposta de entretenimento tão viciante quanto a droga que apresenta.

É certo que com um ponto de partida destes (o de uma droga capaz de nos fazer aceder a 100% do cérebro, tornando-nos muito mais inteligentes), era difícil fazer um mau filme.
Mas, ainda assim, seria injusto não referir a dinâmica realização de Neil Burger (algumas sequências são de cortar a respiração) e a forte presença e carisma de Bradley Cooper, actor cada vez mais em voga e portador de substancial talento.

E já que estamos no elenco, vale a pena referir a presença segura de Abbie Cornish e de Robert De Niro, evidentemente longe das suas melhores prestações, mas a emanar um certo "brilho" que já não víamos com frequência há vários anos.

Sim, é evidente que "Sem Limites", apesar de tudo, fica aquém do seu potencial. Embora com uma primeira parte soberba, profundamente cativante, "Sem Limites" acaba por incorrer, sensivelmente a meio, por uma série de clichés, deixando à vista alguns buracos no argumento que depois tenta tapar por meio de uma série de facilitismos e atalhos narrativos, muitíssimo exagerados e claramente discutíveis.

Apesar de ficar o suspiro por algo maior, "Sem Limites" é efectivamente uma proposta de grande entretenimento e representativa de uma lufada de ar fresco no género.


"A tablet a day and I was Limitless..."

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O Planeta dos Macacos


O problema reside na produção. Tim Burton, realizador por quem nutro uma especial antipatia, bem tenta tornar "O Planeta dos Macacos" num épico à medida de, segundo dizem, "O Homem que veio do Futuro".

Mas os valores de produção deixam demais, demais a desejar: fotografia, guarda-roupa, efeitos especiais ou figurantes. Não deixam o filme ir mais longe. O que é uma pena.

A excepção é a caracterização. Fantástico trabalho, tão bom que chega a "engolir" alguns dos actores, como é o caso de Helena Bonham Carter.

Não obstante estes defeitos, acabei por gostar bastante deste "O Planeta dos Macacos", que tudo deve à estrondosa interpretação de Tim Roth. Brilhante trabalho do actor, a compor uma vilão inesquecível enquanto obtém uma das melhores interpretações da sua carreira. Igualmente brilhante é o trabalho de caracterização, que torna o personagem realmente intimidador.

O restante elenco é regular. Mark Wahlberg não tem estofo para protagonista e Estella Warren é só uma cara bonita. Os secundários Michael Clarke Duncan e Paul Giamatti, por seu lado, estão bastante bem.

Quanto à história em si, é interessante, embora se acabe por perder (confundir?) com intrigas políticas e muita disfunção espacio-temporal.

O final agradou-me. Dá uma sensação de desconforto e impotência deliciosa.

Acabo por encontrar mais defeitos do que qualidades neste "O Planeta dos Macacos", e concluo que... não consigo justificar a minha classificação...


"Everything in the human culture takes place below the waist."

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Ocean's Eleven


Era necessário um verdadeiro punho de ferro -e igualmente sólido talento- para transformar "Ocean's Eleven" num grande filme e não num desfile de estrelas.
É na frescura e jovialidade de Steven Soderbergh que este talento foi depositado.

Soderbergh tem à sua disposição elementos indispensáveis para a obtenção da qualidade desejada, começando, desde já, pelo magnífico escrito de Ted Griffin. Nunca um heist movie nos pareceu tão credível, tão realista, tão diferenciado de todos os outros. Aqui está a prova de que não são necessárias grandes cenas de acção, "apenas" diálogos verdadeiramente avassaladores e uma palete de personagens inesquecível e extremamente variada.

Recorde-se, por exemplo, a complexidade e abrangência da descrição feita por Rusty (o papel para o qual Brad Pitt nasceu) a Danny (George Clooney) do grupo ideal de profissionais necessários para a realização do assalto, ou do magnífico, verdadeiramente magnífico diálogo entre Danny e Tess (Julia Roberts), no seu primeiro encontro:

"-Does he make you laugh?
-He doesn't make me cry."

Para além disto, o argumento de Griffin dissimula pequenos e delicados apontamentos de um grande e delicioso humor. Humor infinitamente mais eficaz e menos "brejeiro" do que o que nos é apresentado, por exemplo, por "Scary Movie- Um Susto do Filme" (crítica aqui) e que constituem a faceta do entretenimento que "Ocean's Eleven" proporciona de forma tão categórica.

O segundo elemento fundamental é a banda-sonora de David Holmes. É impressionante, o encaixe perfeito entre o filme e a maior parte das sequências musicais. A banda-sonora transpira o ambiente descontraído e o sentido de coolness visto no filme, e parece fazer ecoar na nossa mente os nomes de, por exemplo, Brad Pitt ou até mesmo Las Vegas.

E, finalmente, o elenco, o grande e majestoso elenco, a maior junção de grandes estrelas do Cinema nos últimos 10 anos, pelo menos. Mas mais impressionante do que tamanho aglomerado de grandes actores, é a constatação de que todos são soberbamente dirigidos por Soderbergh, que dá a cada um destes actores o necessário espaço para brilhar.

Os elementos que mais se destacam são, inevitavelmente, os protagonistas George Clooney e Brad Pitt. Pitt, em particular, está mais com mais estilo do que nunca. E o melhor? É que a substância também não é descurada.
A merecer destaque está também Andy Garcia, naquela que é a melhor interpretação de toda a sua carreira.
O restante elenco está, sem nenhum tipo de excepção, fantástico. Que direcção de actores brilhante.

"Ocean's Eleven" recorda-me ainda "Blade Runner", pela forma tão magistral como Steven Soderbergh realiza, ocultando e mascarando a sua genialidade nas mais diversas cenas e fazendo de "Ocean's Eleven" uma obra com pormenores a descobrir com cada nova visualização.

A lente de Soderbergh capta de tudo, desde o humor, passando pela intriga e até algum drama.O sentido de estilo, o ritmo rápido mas nunca precipitado, a cintilante fotografia e a manipulação feita ao espectador, quando consagrados com os aspectos já referidos, fazem de "Ocean's Eleven" um dos melhores filmes que já vi, bem como o heist movie por excelência.


"You guys are pros. The best. I'm sure you can make it out of the casino. Of course, lest we forget, once you're out the front door, you're still in the middle of the fucking desert!"

"-I always confuse Monet and Manet. Now which one married his mistress?
-Monet.
-Right, and then Manet had syphilis.
-They also painted occasionally."

"-You're a thief and a liar.
-I only lied about being a thief, I don't do that anymore.
-Steal?
-Lie.
-I'm with someone who doesn't have to make that kind of distinction.
-No, he's very clear on both."



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Harry Potter e o Príncipe Misterioso


Era difícil para David Yates fazer pior neste sexto capítulo do que fez em "A Ordem da Fénix" (crítica aqui).
Mas de facto, e após uma nova visualização, há que dar a mão à palmatória e admiti-lo com franqueza: "O Príncipe Misterioso" é o melhor filme de toda a saga desde "O Prisioneiro de Azkaban" (crítica aqui) e um belíssimo pedaço de entretenimento.

A faceta "adulta" manifesta-se uma vez mais, mas agora com sobriedade e profissionalismo. "O Príncipe Misterioso" é portador de um par de grandes cenas (o encontro de Dumbledore com Tom Riddle será a mais intensa e memorável, conseguindo verdadeiramente imponente e provando que não são essenciais grandes segmentos de acção, para um saldo final francamente positivo. E aqui, o mérito, esse, é todo de David Yates.

Yates que consegue ainda arrancar a melhor interpretação de um Daniel Radcliffe cujas perspectivas de talento pareciam já ter sido exterminadas, após as desastrosas prestações dos últimos dois filmes. Também Michael Gambon merece um grande destaque graças à sua soberba interpretação, a fazer esquecer, por fim, que já existiu um outro actor na pele de Albus Dumbledore. Verdadeiramente estonteante, o modo como o actor desenvolve a figura paternal mas ainda assim temível do director de Hogwarts, num registo infinitamente superior a todos os restantes do actor na saga.

Apenas o argumento deita a perder grande parte do potencial do filme, com toda a trama envolvendo o Príncipe Misterioso a ser inexplicavelmente esquecida, a favor dos romances banais de Ron.

Mas, ainda assim, reitero o resultado final acima da média, e sobretudo surpreendente. Custa a acreditar que os responsáveis por este filme são os mesmos do capítulo anterior.

"-Did you know, sir? Then?
-Did I know that I just met the most dangerous dark wizard of all time? No.
"

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Assalto ao Metro 1 2 3


Enervante, revoltante, gritante. Estes e muitos mais adjectivos do mesmo género podiam ser utilizados para classificar a falta de talento demonstrada nesta miserável fita, por parte de Tony Scott, que tão descaradamente desperdiçou o grande talento de John Travolta, conduzindo-o a uma espiral descendente de overacting que não demora muito a ultrapassar a barreira do ridículo.

O trabalho de câmara fraquíssimo, quase amador, inconsequente e totalmente idiótico de Scott é complementado pela já referida frágil direcção de actores (excepção feita ao underacting de Denzel Washington).

Como cereja no topo do bolo, "Assalto ao Metro 1 2 3" é ainda dono de um argumento muito pobre, repleto das mais variadas incoerências e falhas, bem como uma série de clichés do género, o que, obviamente, origina um punhado de cenas que pouco devem à lógica (algumas mesmo ridículas, como a do leite).


Paira o sentimento de desilusão pelo filme, de raiva por Scott e de pena por Travolta.


"-A catholic, a good catholic would know that he is got a train loaded with innoccent people. I mean, you don't want to kill innocent people, do you?
-A good catholic knows that nobody is innocent!"

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Harry Potter e a Pedra Filosofal/Harry Potter e a Câmara dos Segredos


Um começo brilhante, embora com algumas limitações ao nível do desenrolar da acção e da sua inerente (e, refira-se, inevitável) infantilidade, este primeiro filme é um autêntico tesouro.

Fotografia e cenografia deslumbrante, uma banda-sonora de John Williams absolutamente inesquecível e, claro, um elenco de excepção.

Para além de uma série de secundários de luxo (Richard Harris, Maggie Sm
ith, John Hurt, Robbie Coltrane, John Cleese e, claro, o soberbo Severus Snape de Alan Rickman), temos três achados no que à representação diz respeito. Três belíssimas, belíssimas interpretações que encabeçam esta excelente proposta de entretenimento infanto-juvenil.




Em nada descurando o seu predecessor, "A Câmara dos Segredos"
é sem dúvida, a meu ver, o mais intenso filme de toda a saga. Apesar dos seus efeitos especiais serem mais limitados, quando comparados com os filmes mais recentes, apesar do seu cariz infantil ainda presente... sequências como as palavras do Basilísco a ecoarem pelas paredes do castelo, a conversa de Harry com o diário de Tom Riddle ou a aparição de Aragog confirmam esta minha teoria.

A causa? O argumento, evidentemente. Bem mais limado, completo e aperfeiçoado, mas infelizmente confinado a um contexto com o qual pouco ou nada combina...mas que em muito melhora.


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As Confissões de Schmidt



Alexander Payne filma "As Confissões de Schimdt" com uma segurança e um talento notáveis. Sem ambição de inovar e cair no descrédito, presenteia o espectador com alguns planos magníficos e interessantissimos, construindo, aos poucos e poucos, a rampa de lançamento pela qual é lançado Jack Nicholson, que nos oferece uma das melhores actuações da sua carreira, numa espécie de spin-off do Melvin Udall de "Melhor É Impossível" (crítica aqui), justamente premiada com uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor, bem como o Globo de Ouro para Melhor Actor Drama.

Fossemos a juntar o trabalho destes dois homens, e estávamos perante um grande filme, certamente. Infelizmente, o argumento de "As Confissões de Schimdt", também a cargo de Payne, é um poço de indecisões e buracos. Ora um filme sério, ora uns picos cómicos, ora uns toquezitos de road-movie e muitas, muitas personagens e cenas desnecessárias.

O caso mais concreto desta debilidade argumentativa prende-se com o decepcionante final, que deita a perder, não só uma história interessante, mas também a possibilidade de a concluir de forma minimamente... conclusiva. É que um final, não é sinónimo de uma conclusão, e "As Confissões de Schimdt" não tem uma conclusão.

Solidária com o espectador, está Kathy Bates, cujo promissor papel e substancial talento, são totalmente desperdiçados em aparições, sem dúvida marcantes (quem se esquecerá da visão de uma Bates totalmente nua?...), mas rápidas, intermitentes e...perturbadores.
O resultado é uma interpretação que totaliza uns meros 20 minutos e cuja premiação com a nomeação para o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actriz (muito, demais) Secundária, fica por explicar.

E é uma pena, porque este "As Confissões de Schimdt" tinha muito potencial. Fica-se pelo entretenimento mediano e uma grande interpretação.
Finalmente, uma nota especial para o excelente poster do filme. Nunca nenhum poster consegui ser tão dramático e tão cómico, ao mesmo tempo.


"Life is short, and I can't afford to waste another minute."

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Apanha-me se Puderes


É um problema que Steven Spielberg está constantemente a enfrentar: é responsável por filmes tão bons, que quando tenta optar pela discrição é de imediato acusado de ter perdido os seus talentos. "A Guerra dos Mundos" (crítica aqui), por exemplo, é um bom filme que sofreu com este problema.

"Apanha-me se Puderes" é de facto um filme menor na carreira de Steven Spielberg. Foi uma espécie de brincadeira, um feel-good movie sobre um vigarista, com toques cómicos e dramáticos. Não é um mau filme de todo, apenas por comparação.

A história em si é interessante mas não apaioxanante. O argumento tem trechos em que cativa mais e outros em que cativa menos, debruçando-se de forma delicada mas desequilibrada sobre os momentos e figuras da vida de Frank Abagnale (é dado muito mais espaço ao se pai do que à mãe).

Leonardo DiCaprio não tem de se esforçar muito para fazer de rapazinho-um rapazinho vigarista mas um rapazinho- e Christopher Walken está bastante bem numa cena específica (a do almoço com Frank), mas no cômputo geral não justifica a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Quem mais me surpreendeu foi Tom Hanks, com uma performance a roçar a comicidade e claramente mais desafiadora para o actor, de quem não gosto particularmente.

John Williams parecia ter voltado aos seus velhos tempos, mas apenas o tema principal do filme fica no ouvido.
Filme este que, apesar de não ser nada mau, deixa muito a desejar para a equipa técnica que possui.


"-Well, would you like to hear me tell a joke?
-Yeah, we'd love to hear a joke from you.
-Knock knock.
-Who's there?
-Go fuck yourselfes!"

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