Guilty Pleasures- Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo



A caminhar seguramente para o fim, e meses após o candidato anterior ter exposto as suas escolhas, eis que o brasileiro Hugo, autor do blogue Cinema- Filmes e Seriados, nos deixa os seus cinco maiores guilty pleasures.


1 - Afinado no Amor (The Wedding Singer,1998)


Direção - Frank Coraci
Elenco - Adam Sandler e Drew Barrymore
Considero Adam Sandler um ótimo comediante, porém a maioria de seus filmes são ruins. Eu gosto deste em virtude da história se passar nos anos oitenta e pela deliciosa trilha sonora de músicas da época, que tocam durante os diversos casamento apresentados no filme.



2 - Comando para Matar (Commando, 1985)

Direção - Mark L. Lester
Elenco - Arnold Schwarzenegger
Um dos roteiros mais absurdas da história do cinema, porém ao mesmo tempo sensacional como filme de ação. Schwarzenegger levanta um elevador panôramica de shopping, pula de um avião e mata um exército completo. Um exagero que diverte os fãs de ação.


3 - Mortal Kombat (Mortal Kombat, 1995)


Direção - Paul W. S. Anderson
Elenco - Christopher Lambert, Robin Shou, Cary Hiroyuki Tagawa
Os críticos odeiam os trabalhos de Paul W. S. Anderson, que em sua maioria são longas caros, cheios de efeitos especiais, mas com cara de filme B. Este é o caso de "Mortal Kombat", que mesmo com defeitos, agrada e muito. As lutas são legais, as composições dos personagens são bem parecidas com o jogo e a atuação do canastrão Christopher Lambert como Lord Rayden é cínica e memorável.


4 - Reino de Fogo (Reign of Fire, 2002)


Direção - Rob Bowman
Elenco - Christian Bale, Matthew McConaughey, Izabella Scorupco, Gerard Butler
O filme mistura a temática de "Mad Max" com filmes medievais, ao mostrar a Terra devastada por dragões e um grupo de pessoas tentando lutar para matar os animais. As cenas de ação são muitas boas, assim como os efeitos especiais e os assustadores ataques de dragões. O elenco também é ótimo e destaco principalmente Matthew McConaughey como um caçador de dragões totalmente maluco e com a cabeça raspada.


5 - Superbad (Superbad, 2007)


Direção - Greg Mottola
Elenco - Jonah Hill, Michael Cera e Christopher Mintz Plasse
Mesmo com o roteiro reciclando situações de diversas comédias adolescentes, fica difícil não rir da aventura dos três jovens neste filme politicamente incorreto ao extremo, recheado de palavrões e piadas sobre sexo. O carisma do falador Jonah Hill, do tímido Michael Cera e do inacreditável Christopher Mintz Plasse como McLovin, valem a sessão.
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O Que as Mulheres Querem/Mr. e Mrs. Smith


"O Que as Mulheres Querem" não foge às tendências da realizadora Nancy Meyers: premissa é interessante e original, e o elenco de secundários que inclui desde Marisa Tomei até Alan Alda, é muito bem encabeçado por Mel Gibson (numa das suas melhores e últimas interpretações em muito tempo).

Infelizmente, e honrando a tendência da restante obra da realizadora, à medida que se aproxima do final, "O Que as Mulheres Querem" vai perdendo as qualidades.

Ainda assim, evidente guilty pleasure e grande Mel Gibson.




Valeu, e de que maneira, a Doug Liman, a brilhante química entre Brad Pitt e Angelina Jolie.
Separados, são dois grandes actores. Juntos, são perfeitos e carregam "Mr. e Mrs. Smith" às costas, porque de resto, o filme é um desastre.

Chega a ser hilariante o quão limitado é o argumento: não há início, não há conclusão, não há coerência, não há personagens para além dos dois protagonistas... De rir, nesse aspecto...

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Matrix Reloaded/Matrix Revolutions


Passado o choque inicial, quando é chegado o momento de começarem a fundamentar as suas ideias, os irmãos Wachowski cometem uma calinada de proporções épicas, tornando o principal defeito do primeiro filme (crítica aqui) na única qualidade deste "Matrix Reloaded": os duelos, que apesar de absurdos do ponto de vista do realismo, asseguram algum entretenimento.

O resto é uma mistela pseudo-filosófica, que tem tanta falta de qualidade como excesso de pujança visual.






Um filme inútil, aborrecido e tremendamente pretensioso. E para aqueles que pensavam que "Matrix Reloaded" tinha sido apenas um erro de percurso, "Matrix Revolutions" confirma que afinal "Matrix" é que foi um golpe de sorte.

"Matrix Revolutions" é chato, confuso e até idiota, sem ponta por onde se lhe pegue, de difícil análise mas também de substância nula.
Para além disto, revela-nos ainda as tendências fetichistas e doentias dos "manos" Wachowski, que emergem o filme num ambiente absolutamente deplorável e enjoativo, uma característica já vista no tomo anterior.

Salva-se, ainda e sempre, Hugo Weaving.
Que, tal como no filme anterior e ainda com menos protagonismo, não chega para atenuar o desastre que é este "Matrix Revolutions".

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Matrix


"Matrix" foi um fenómeno.Independentemente de se gostar ou não da fita dos irmãos Wachowski,há que reconhecer este facto. No entanto, quando analisado ao pormenor, "Matrix" revela mais fragilidades do que à partida queríamos ver.

O seu argumento é tido como uma das suas maiores qualidades. A realidade alternativa e inovadora apresentada pelos irmãos Wachowski é polvilhada por uma série de questões filosoficamente não só interessantes mas estimulantes. No entanto, as soluções que nos são apresentadas (quando nos são apresentadas) são, contrariamente às das duas sequelas, demasiado simples e redutoras.

Ainda assim, o maior problema de "Matrix" reside no facto de não aproveitar convictamente o potencial do seu argumento, deixando de lado a vertente filosófica e substancialmente mais interessante, sensivelmente a meio do filme, para dar lugar aos shows de pirotecnia pelos quais é realmente famoso.

Por sua vez, estas sequências de acção, apesar de verdadeiramente revolucionárias a todos os níveis (e isso ninguém pode negar), deambulam por uma série de clichés e irrealismos que parecem invisíveis à maior parte das pessoas.
Os mais flagrantes serão a falta de ferimentos após os combates, ou a indiferença dos personangens perante os alvejamentos que sofreram (Neo é alvejado por duas vezes, na recta final do filme, no entanto ainda consegue combater Smith, fugir dos restantes agentes, etc). Aliás, toda a famosa sequência do hall é tão estonteante quanto irrealista.

Mas, e se é certo que "Matrix" favorece a sua fruição visual, não é menos certo de que esta é uma vertente isenta de qualquer falha. Os efeitos especiais, a fotografia ou a fantástica realização a servir-se de um slow-motion perfeitamente doseado são exemplos do quão imaculada é a vertente técnica de "Matrix". Uma palavra ainda para a banda-sonora.

Referência final para o elenco. Apesar de, infelizmente, o duo romântico Keanu Reeves e Carrie-Ann Moss deixar a desejar (sobretudo o primeiro), os excelentes Laurence Fishburne e Hugo Weaving compensam (sobretudo o segundo, a criar um dos maiores vilões da história do Cinema). Destaque ainda para a marcante presença de Joe Pantoliano.

"Matrix" é um filme com defeitos e virtudes, sobrevalorizado hoje em dia, mas verdadeiramente revolucionário.


"Don't think you are, know you are."

"I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species and I realized that you're not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment but you humans do not. You move to an area and you multiply and multiply until every natural resource is consumed and the only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. Do you know what it is? A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet. You're a plague and we are the cure."

"I imagine that right now, you're feeling a bit like Alice. Tumbling down the rabbit hole?"

"-You're cuter than I thought. I can see why she likes you.
-Who?
- Not too bright, though."


"You hear that Mr. Anderson?... That is the sound of inevitability... It is the sound of your death..."

"-What are you trying to tell me? That I can dodge bullets?
-No, Neo. I'm trying to tell you that when you're ready, you won't have to."


"-So what do you need? Besides a miracle.
- Guns. Lots of guns.
- Neo... nobody has ever done this before.
-That's why it's going to work."


"I know kung fu."

"Ignorance is bliss."

"You take the blue pill - the story ends, you wake up in your bed and believe whatever you want to believe. You take the red pill - you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes."

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Shrek


Não, o termo "revolucionário" não é um exagero. "Shrek" tem mesmo essa importância. Talvez não a nível animado, nesse aspecto o filme está "apenas" ao nível dos da Pixar, com um detalhe animado realista e soberbo.

É a nível de argumento, personagens e storytelling que "Shrek" triunfa ruidosamente. Contrariando a tendência vista até então, "Shrek" aposta na acção, na
irreverência, na originalidade e sobretudo no humor. Humor rústico, indelicado, "sujo" e indiscreto, talvez... Mas tremendamente eficaz.

Afinal de contas, o protagonista é um ogre horrível e sem maneiras (faz questão de nos mostrar isso mesmo na brilhante introdução), acompanhado por um burro falante que, com um misto de melhor amigo e sidekick, se torna numa das melhores personagens ani
madas de sempre e, quando parece entrar nos "eixos" com o resgate à Princesa Fiona, "Shrek" volta a trocar as voltas ao espectador e comprova que não esqueceu o propósito ao qual se propôs desde o seu início: marcar pela diferença.

"Shrek" não é um simples filme animado bem conseguido.
"Shrek" é uma comédia, ainda antes de ser um filme de animação, e que, graças ao já referido esquivo argumento, ao elenco responsável pelas dobragens (Eddie Murphy tem a melhor prestação na área desde a de Robin Williams em "Aladdin" (crítica aqui)) e às inúmeras referências e pormenores deliciosamente dissimulados sob a sua cobertura "infantil", se tornou um marco no género, catapultando a Dreamworks novamente para a ribalta
e vencedor do primeiro Óscar para Melhor Filme de Animação.

De referir a portentosa banda-sonora, desde a composição de Harry Gregson-Williams até à palete de canções que enriquecem esta obra-prima animada.


"That must be Lord Farquaad's castle... Do you think he's maybe compensating for something"

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Atraídos pelo Crime/Push- Os Poderosos

Link
Argumento limitado. O que "Atraídos pelo Crime" nos conta, já nós vimos antes. Ficam alguns clichés do género.

Vale então, indubitavelmente, pelos protagonistas Richard Gere e Ethan Hawke. Ainda assim, o maior destaque vai para Wesley Snipes, a regressar finalmente à ribalta e a protagonizar a melhor cena do filme.
De Don Cheadle já nem falo. Onde anda o carismático actor de "Romance Perigoso" (crítica aqui) e "Ocean's Eleven"
(crítica aqui) ?

Antoine Fuqua faz um trabalho seguro e atento, atrás das câmaras.





Sinceramente gostei. É um guilty pleasure, um filme sofisticado com tantos defeitos quanto qualidades.

Se por um lado temos um argumento mais esburacado que um queijo suíço, incapaz de explicar, relacionar e sustentar conceitos como os de viagem temporal e previsão de futuro de forma conclusiva, bem como portador de informação excessiva que só complica tudo (aconselho ao espectador que não tente perceber, apenas apreciar) e uma ou outra cena absolutamente ridícula, por outro temos uma realização muito competente e dinâmica de Paul McGuigan, a fazer um bom uso da fotografia e dos efeitos especiais, bem como um elenco bastante interessante.

Chris Evans é o improvável protagonista que confirma ser mesmo um bom actor, e Dakota Fanning nunca desilude, apesar de tudo. Djimon Hounson está longe dos seus melhores momentos, mas nem por isso mal, e Cliff Curtis completa o improvável elenco.

Mas "Push- Os Poderosos", não sendo um filme genial nem tão pouco consensual, consegue facilmente captar o interesse e a afeição. Além disso, percorre com substancial à-vontade (e alguma leveza) o campo do romance, sem nunca se tornar lamechas. E isso, honestamente, agrada-me.

E claro, temos ainda um excelente final como brinde, mesmo do género que me apraz.

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Diamante de Sangue


"Diamante de Sangue" levanta apenas uma única questão verdadeiramente pertinente: quem está melhor no seu papel? O intempestivo DiCaprio ou o avassalador Hounson?

O primeiro tem, na minha opinião, uma das melhores, talvez a melhor performance da sua carreira. É cruel e possessivo, numa interpretação excelente, cativante e claramente trabalhada (destaque-se o sotaque, por exemplo). É um fantástico e nada estereotipado anti-herói. A nomeação para o Óscar foi mais do que merecida, e acrescente-se que a atribuição do prémio também não defraudava ninguém.
Quanto a Djimon Hounson, é completamente avassalador. É a palavra que me ocorre sempre que penso na sua enorme interpretação, tão comovente quanto capaz. Foi também nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário, e apesar do prémio ser igualmente merecido, fica por perceber a adição do "Secundário", já que Hounson é tão ou mais protagonista do que DiCaprio.
Jennifer Connely dá corpo a uma personagem tão cliché e mal construída que até mete dó. Não se podia esperar mais do que uma fraca interpretação.

E porque me foquei tanto no elenco, pergunta o leitor? Bem, porque é basicamente esse o único ponto de interesse de "Diamante de Sangue", visto que a fita de Edward Zick acaba por se
perder em cenas escusadas, que tornam o argumento disperso e que têm ainda como consequência uma duração excessiva e a perda de credibilidade do filme.

A nível técnico, é maioritariamente a fotografia do our own Eduardo Serra que compõe a pintura, ao captar algumas das mais belas paisagens africanas já vistas (exemplo disso é a cena final de DiCaprio).

"Diamante de Sangue", ou "como tentar tirar partido de um bom elenco".


"I like to get kissed before I get fucked."

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Operação Swordfish


Visto agora com a devida distância temporal, "Operação Swordfish" não só proporciona uma elevadíssima dose de entretenimento e adrenalina, como também tem todas as componentes para mais um delicioso guilty pleasure.

É certo que o seu argumento revisita vários clichés, dando-se ainda ao luxo de ser mais complexo do que deveria. Tem buracos, personagens mal trabalhadas e unidimensionanis e é ainda polvilhado com um twist morno e previsível.

No entanto, "Operação Swordfish" sai claramente a ganhar nas sequências de acção delirantes, bem como no fantástico elenco, com John Travolta a encabeçá-lo e a fazer aquilo que faz melhor: vilões estilosos e de discurso eloquente.

Prova disso é aquela que ficará como uma das melhores introduções da (pelo menos) última década. Fabuloso trabalho de John Travolta, a ter direito a um monólogo maravilhoso e repleto de substância, devidamente acompanhado por uma explosão de fazer frente a muitas das de "Matrix" (crítica aqui).

A realização de Dominic Sena é elegante, realçando o estilo em tudo -desde as roupas, passando pelos acessórios e penteados (o de Travolta é... diferente) até à cintilante fotografia.
A banda-sonora também pontua.

E assim, "Operação Swordfish" é uma delícia e um genuíno guilty pleasure. Um dos maiores. E como tal...


"You know what the problem with Hollywood is? They make shit. Unbelievable, unremarkable shit."

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Terapia de Choque/Bad Boys 2


Resta saber como se deixou Jack Nicholson arrastar para um projecto destes...porque, de resto, "Terapia de Choque" é uma comédia até bastante agradável, apesar do selo de banalidade carregado por Sandler.

Mérito de Nicholson e de um elenco de secundários bastante sólido.




Hilariante, de ir ás lágrimas por vezes. Esquecendo as enervantes, longas e cansativas sequências de acção bigger than life que Bay teima em impôr, "Bad Boys 2" é um two-man s
how de Martin Lawrence e sobretudo de Will Smith.

Com uma química inegável, acompanhada por doses semelhantes de carisma e talento, os dois actores protagonizam várias cenas de um humor nada subtil, nada discreto, mas muitíssimo eficaz.


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Harry Potter e o Cálice de Fogo/Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte Um


Aclamado por muitos como o melhor filme da saga,"Harry Potter e o Cálice de Fogo" é um modesto desastre a nível de argumento,e uma curva descendente na saga do feiticeiro.

Chegando a atingir o ridículo em variados momentos (o início precipitado), o desequilibrado argumento não consegue ser compensado pelo elenco: Gary Oldman é afastado, Ralph Fiennes mal se vê e os restantes elementos são bastante secundarizados, sendo o caso de Alan Rickman o ma
is gritante.

Salva-se a realização de Mike Newell, a conseguir, vá-se lá saber como, tornar
bastante agradáveis e até épicas, cenas estruturalmente absurdas e, evidentemente, a marcante prestação de um sempre muito competente Brendan Gleeson, compondo um dos mais memoráveis personagens de toda a saga, e que tantas saudades deixa nos capítulos seguintes.



Eis, aqui sim, a verdadeira definição de filme-ponte. "Os Talismãs da Morte: Parte Um" é um empecilho de duas horas e meia, que arrasta aquilo que podia ter sido apresentado talvez numa única hora.

Uma belíssima, e simultâneamente miserável, manobra de marketing, da qual apenas se recorda o segmento animado d'Os Três Irmãos.

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