Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»


Alexandreo Grande? Não...
Alexandre, o Frágil, talvez.
Se quisermos ser um pouco mais directos, Alexandre, o Chorão ou até mesmo Alexandre, o Homossexual.
É este o Alexandre que Oliver Stone nos mostra.

As intenções de Oliver Stone eram nobres e, sem dúvida, louváveis. É, ainda assim, que por elas se fica. Mais do que o mito e a lenda, Stone pretendia retratar Alexandre, o Homem. E, neste aspecto, não poderemos acusar Stone de pecar por falta de empenho, ou preguiça.
A análise à vida pessoal -refiro-me, concretamente, a relações familiares e amorosas- de Alexandre foi efectivamente competente, no mínimo. Direi mesmo exaustiva.

No entanto, esta focalização tão grande no homem, Alexandre, suscita determinadas questões:
Era isto o pretendido? Mais do que um blockbuster, "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut" é um épico. Não um biopic dramático. Onde estão as façanhas épicas? Onde está a aventura? A acção? Não se podem prescindir de tais componentes, tendo em conta o género a que "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut" se propôs ser.
Era esta abordagem preferível a outras? Aparentemente, julgando pela recepção fraca (um pouco mais entusiasta, nesta versão) que a obra de Stone teve, a resposta é clara.
Está bem delimitada a linha entre a atenção e a quase obecessão?
Foi Oliver Stone capaz de se moderar, de ter rigor, coerência e contenção?
Não se terá
Stone deixado deslumbrar, pelo menos parcialmente, pelos meios que tinha à sua disposição?

Infelizmente, o panorama não é o mais inovador. Oliver Stone alimentou e contribuiu com a sua realização para um argumento que, a nível estrutural, é uma verdadeira nódoa. Nesta versão «Revisited: The Final Cut», Stone tem todo o tempo do mundo para perder as estribeiras.
A homossexualidade não é uma sugestão, mas um pilar do filme. Orgias, danças, homens nus, violações e, veja-se, até homens a beijarem-se.
Não era preciso, não era preciso isto. Que falta de delicadeza por parte de Oliver Stone.

Mas Stone não se fica por aqui nos erros cometidos. Algumas cenas são indisculpáveis. A cena com Bucephalus e o jovem Alexandre (muito bem interpretado por Connor Paolo) parece ter saído de um vulgar filme da Disney.
O encontro sexual entre Alexandre e Roxane é verdadeiramente ridículo. Parece ter sido filmada por um qualquer tarefeiro, e um não muito são, a nível mental... Um simples abraço entre Alexandre e Hefestião é muito mais tocante e agradável.
A batalha de Gaugamela, embora muito bem idealizada, falha redondamente na execução.

E poderia continuar: os slow-motions escusados, a adição de rugidos de leões aos soldados, o simples facto de as personangens não envelhecerem e, acima de tudo, a completa falta de linearidade temporal. A acção de "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»" não se mantém no mesmo espaço de tempo por mais de vinte minutos. É incrível, um erro incompreensível.

Mas ainda mais incompreensível é a forma como Stone é igualmente capaz de momentos... de tirar o fôlego. A Batalha na Índia é qualquer coisa de arrebatador. Stone filma a acção com uma mestria inegável, dela extraindo a tensão e o drama na perfeição. E como se não bastasse o confronto, que faz jus (mais do que qualquer outro momento do filme) à palavra épico, entre Bucephalus e o elefante, Stone tem ainda a brilhante ideia de distorçer as cores. E o efeito produzido é fenomenal, enche de júbilo até o mais inexperiente dos cinéfilos. Que lucidez, que tirada de génio.

Quanto ao argumento e conforme já foi referido, possui uma evidente debilidade na sua base: a narração. A narração é, a meu ver, um facilitismo. Um facilitismo necessário, mas não essencial. O problema reside precisamente no narrador: Ptolomeu, interpretado por Anthony Hopkins.
Sim, apenas interpretado por Anthony Hopkins, como o envelhecido Ptolomeu. Porque o jovem Ptolomeu, esse... mal o vemos. É um mero secundário, dos mais secundários de toda a corte de Alexandre. Porque razão lhe foi a ele atribuída a narração da obra? Quanta incoerência.

Convém não esquecer, de todo, a excessiva focalização nos romances de Alexandre e nas discussões com os que o rodeiam (algumas tão triviais, outras de grande intensidade).
Stone, que também escreveu o argumento, ao tentar mostrar a sua sensiblidade, acabou por ser sensível de mais. Não existem limites, não existem barreiras, não existe pudor.

Não que o argumento esteja propriamente mal escrito. Alguns diálogos e monólogos são de uma credibilidade e interesse inegáveis. O leque de personangens é também muito vasto e igualmente enriquecido.
Para além disto, “Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»” é um filme repleto de simbolismos, mensagens codificadas com várias camadas de complexidade.
O problema foi mesmo o núcleo e a abordagem feita por Oliver Stone.

A produção é, invariavelmente, um autêntico luxo. Uma fotografia lindíssima, uma das melhores cenografias que já vi, um guarda-roupa competente e efeitos especiais discretos são disso exemplos . A banda-sonora de Vangelis possui uns temas superiores a outros, mas acaba por satisfazer bastante.

Mas a grande desilusão deste "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»" é mesmo o elenco. A Colin Farrell falta todo o estofo do mundo para o papel. É demasiado pequeno para tão grande papel, embora a abordagem tomada por Stone acabe por favorecer o actor irlandês.
O ridículo sotaque de Angelina Jolie é um entrave à apreciação da sua interpretação. Jolie recorre ao overacting com demasiada frequência e, por vezes, assume-se apenas como uma mera vilã.
Rosario Dawson e Jonathan Reys Meyers, no curto tempo de antena de que dispõem, estão francamente mal. Anthony Hopkins pouco melhor está, mas o aproveitamento das suas capacidades é quase nulo.

Apenas Jared Leto, de forma surpreendente, e sobretudo Val Kilmer fogem à tendência. O segundo é definitvamente o melhor elemento do elenco, obtendo uma das melhores prestações da sua carreira. Também Christopher Plummer tem uma interpretação bastante boa.

Uma série de escolhas mal feitas e uma evidente debilidade no estabelecimento de prioridades, ditam a sentença de "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»".
Mesmo com mais de três horas e meia de duração, permanece a sensação de que tanto mais podia ser dito -ou tanto menos podia ser mostrado...

Um filme tão grande, quanto... pequeno.


"Fortune favors the bold."

Read more

Homicídio em Hollywood/Eraser


Um policial diferente, descontraído, com alguns apontamentos humorísticos a merecerem destaque, bem como uma prestação bastante bem conseguida por parte de Harrison Ford.





No género típico do actor, um dos melhores. A história não é a típica desculpa esfarrapada, o elenco contém nomes sonantes como James Caan e James Coburn e, evidentemente, as cenas de acção também não são de menosprezar.

De destacar, acima de tudo, o carisma do sidekick Robert Pastorelli e uma banda-sonora surpreendentemente qualitativa.

Read more

Jerry Maguire


Não havia a intenção de produzir um grande filme, e tal não aconteceu. O que não invalida que "Jerry Maguire" seja uma proposta extremamente interessante e apelativa, um feel-good movie que garante belíssimos e inteligentes momentos de entretenimento e muita, muita ternura.
Obviamente que o factor determinante para a qualidade da obra de Cameron Crowe, que realiza de forma mediana mas escreve magistralmente, é o elenco.

Não, não me refiro a Tom Cruise. Oferece-nos uma das melhores e mais descontraídas performances da sua carreira (apesar de confundir intensidade com histerismo), mas existe alguém que rouba todas as cenas em que entra.
Claramente também não me refiro a uma insossa Renée Zellweger, que pouco mais faz do que umas caretas.

Quem sobra? Sobra um fabuloso, hilariante e extremamente carismático Cuba Gooding Jr.. No seu primeiro grande papel, o afro-americano demonstra muita garra e talento óbvio. Resultado: Óscar de Melhor Actor Secundário, merecido, refira-se. Fica por explicar a decadência que a sua carreira vive agora.

Repito o que disse: "Jerry Maguire" não é um grande filme. Mas lá que é uma pequena maravilha, disso ninguém duvida.


"Show me the money!"

Read more

Sahara/007- Morre Noutro Dia


Não fosse o sidekick Steve Zahn, e "Sahara" seria uma fita bem (mais) fraca.

Não se conseguindo insurgir no género cómico nem muito menos no aventureiro, "Sahara" é aquele filme que entretém mas nem de perto deslumbra.

Um grão de areia no deserto...






Não deixa de ser curioso como "Casino Royale" prima pelo realismo e qualidade, enquanto que "007-Morre Noutro Dia" carece de forma tão extrema de ambos.

Efeitos especiais rascas, irrealismo ao máximo, argumento repleto de incoerências e clichés, e vilões estereotipados


Pierce Brosnan espalha estilo e a confirmação de que está demasiado envelhecido para o papel.

Mas, "007- Morre Noutro Dia" é um incrível guilty pleasure, repleto de one-liners fantásticas e momentos cinematograficamente deliciosos. Mesmo os mal conseguidos.

Read more

Guilty Pleasures- Os Jardins Proibidos de um Cinéfilo



A caminhar seguramente para o fim, e meses após o candidato anterior ter exposto as suas escolhas, eis que o brasileiro Hugo, autor do blogue Cinema- Filmes e Seriados, nos deixa os seus cinco maiores guilty pleasures.


1 - Afinado no Amor (The Wedding Singer,1998)


Direção - Frank Coraci
Elenco - Adam Sandler e Drew Barrymore
Considero Adam Sandler um ótimo comediante, porém a maioria de seus filmes são ruins. Eu gosto deste em virtude da história se passar nos anos oitenta e pela deliciosa trilha sonora de músicas da época, que tocam durante os diversos casamento apresentados no filme.



2 - Comando para Matar (Commando, 1985)

Direção - Mark L. Lester
Elenco - Arnold Schwarzenegger
Um dos roteiros mais absurdas da história do cinema, porém ao mesmo tempo sensacional como filme de ação. Schwarzenegger levanta um elevador panôramica de shopping, pula de um avião e mata um exército completo. Um exagero que diverte os fãs de ação.


3 - Mortal Kombat (Mortal Kombat, 1995)


Direção - Paul W. S. Anderson
Elenco - Christopher Lambert, Robin Shou, Cary Hiroyuki Tagawa
Os críticos odeiam os trabalhos de Paul W. S. Anderson, que em sua maioria são longas caros, cheios de efeitos especiais, mas com cara de filme B. Este é o caso de "Mortal Kombat", que mesmo com defeitos, agrada e muito. As lutas são legais, as composições dos personagens são bem parecidas com o jogo e a atuação do canastrão Christopher Lambert como Lord Rayden é cínica e memorável.


4 - Reino de Fogo (Reign of Fire, 2002)


Direção - Rob Bowman
Elenco - Christian Bale, Matthew McConaughey, Izabella Scorupco, Gerard Butler
O filme mistura a temática de "Mad Max" com filmes medievais, ao mostrar a Terra devastada por dragões e um grupo de pessoas tentando lutar para matar os animais. As cenas de ação são muitas boas, assim como os efeitos especiais e os assustadores ataques de dragões. O elenco também é ótimo e destaco principalmente Matthew McConaughey como um caçador de dragões totalmente maluco e com a cabeça raspada.


5 - Superbad (Superbad, 2007)


Direção - Greg Mottola
Elenco - Jonah Hill, Michael Cera e Christopher Mintz Plasse
Mesmo com o roteiro reciclando situações de diversas comédias adolescentes, fica difícil não rir da aventura dos três jovens neste filme politicamente incorreto ao extremo, recheado de palavrões e piadas sobre sexo. O carisma do falador Jonah Hill, do tímido Michael Cera e do inacreditável Christopher Mintz Plasse como McLovin, valem a sessão.
Read more

O Que as Mulheres Querem/Mr. e Mrs. Smith


"O Que as Mulheres Querem" não foge às tendências da realizadora Nancy Meyers: premissa é interessante e original, e o elenco de secundários que inclui desde Marisa Tomei até Alan Alda, é muito bem encabeçado por Mel Gibson (numa das suas melhores e últimas interpretações em muito tempo).

Infelizmente, e honrando a tendência da restante obra da realizadora, à medida que se aproxima do final, "O Que as Mulheres Querem" vai perdendo as qualidades.

Ainda assim, evidente guilty pleasure e grande Mel Gibson.




Valeu, e de que maneira, a Doug Liman, a brilhante química entre Brad Pitt e Angelina Jolie.
Separados, são dois grandes actores. Juntos, são perfeitos e carregam "Mr. e Mrs. Smith" às costas, porque de resto, o filme é um desastre.

Chega a ser hilariante o quão limitado é o argumento: não há início, não há conclusão, não há coerência, não há personagens para além dos dois protagonistas... De rir, nesse aspecto...

Read more

Matrix Reloaded/Matrix Revolutions


Passado o choque inicial, quando é chegado o momento de começarem a fundamentar as suas ideias, os irmãos Wachowski cometem uma calinada de proporções épicas, tornando o principal defeito do primeiro filme (crítica aqui) na única qualidade deste "Matrix Reloaded": os duelos, que apesar de absurdos do ponto de vista do realismo, asseguram algum entretenimento.

O resto é uma mistela pseudo-filosófica, que tem tanta falta de qualidade como excesso de pujança visual.






Um filme inútil, aborrecido e tremendamente pretensioso. E para aqueles que pensavam que "Matrix Reloaded" tinha sido apenas um erro de percurso, "Matrix Revolutions" confirma que afinal "Matrix" é que foi um golpe de sorte.

"Matrix Revolutions" é chato, confuso e até idiota, sem ponta por onde se lhe pegue, de difícil análise mas também de substância nula.
Para além disto, revela-nos ainda as tendências fetichistas e doentias dos "manos" Wachowski, que emergem o filme num ambiente absolutamente deplorável e enjoativo, uma característica já vista no tomo anterior.

Salva-se, ainda e sempre, Hugo Weaving.
Que, tal como no filme anterior e ainda com menos protagonismo, não chega para atenuar o desastre que é este "Matrix Revolutions".

Read more

Matrix


"Matrix" foi um fenómeno.Independentemente de se gostar ou não da fita dos irmãos Wachowski,há que reconhecer este facto. No entanto, quando analisado ao pormenor, "Matrix" revela mais fragilidades do que à partida queríamos ver.

O seu argumento é tido como uma das suas maiores qualidades. A realidade alternativa e inovadora apresentada pelos irmãos Wachowski é polvilhada por uma série de questões filosoficamente não só interessantes mas estimulantes. No entanto, as soluções que nos são apresentadas (quando nos são apresentadas) são, contrariamente às das duas sequelas, demasiado simples e redutoras.

Ainda assim, o maior problema de "Matrix" reside no facto de não aproveitar convictamente o potencial do seu argumento, deixando de lado a vertente filosófica e substancialmente mais interessante, sensivelmente a meio do filme, para dar lugar aos shows de pirotecnia pelos quais é realmente famoso.

Por sua vez, estas sequências de acção, apesar de verdadeiramente revolucionárias a todos os níveis (e isso ninguém pode negar), deambulam por uma série de clichés e irrealismos que parecem invisíveis à maior parte das pessoas.
Os mais flagrantes serão a falta de ferimentos após os combates, ou a indiferença dos personangens perante os alvejamentos que sofreram (Neo é alvejado por duas vezes, na recta final do filme, no entanto ainda consegue combater Smith, fugir dos restantes agentes, etc). Aliás, toda a famosa sequência do hall é tão estonteante quanto irrealista.

Mas, e se é certo que "Matrix" favorece a sua fruição visual, não é menos certo de que esta é uma vertente isenta de qualquer falha. Os efeitos especiais, a fotografia ou a fantástica realização a servir-se de um slow-motion perfeitamente doseado são exemplos do quão imaculada é a vertente técnica de "Matrix". Uma palavra ainda para a banda-sonora.

Referência final para o elenco. Apesar de, infelizmente, o duo romântico Keanu Reeves e Carrie-Ann Moss deixar a desejar (sobretudo o primeiro), os excelentes Laurence Fishburne e Hugo Weaving compensam (sobretudo o segundo, a criar um dos maiores vilões da história do Cinema). Destaque ainda para a marcante presença de Joe Pantoliano.

"Matrix" é um filme com defeitos e virtudes, sobrevalorizado hoje em dia, mas verdadeiramente revolucionário.


"Don't think you are, know you are."

"I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species and I realized that you're not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment but you humans do not. You move to an area and you multiply and multiply until every natural resource is consumed and the only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. Do you know what it is? A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet. You're a plague and we are the cure."

"I imagine that right now, you're feeling a bit like Alice. Tumbling down the rabbit hole?"

"-You're cuter than I thought. I can see why she likes you.
-Who?
- Not too bright, though."


"You hear that Mr. Anderson?... That is the sound of inevitability... It is the sound of your death..."

"-What are you trying to tell me? That I can dodge bullets?
-No, Neo. I'm trying to tell you that when you're ready, you won't have to."


"-So what do you need? Besides a miracle.
- Guns. Lots of guns.
- Neo... nobody has ever done this before.
-That's why it's going to work."


"I know kung fu."

"Ignorance is bliss."

"You take the blue pill - the story ends, you wake up in your bed and believe whatever you want to believe. You take the red pill - you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes."

Read more

Shrek


Não, o termo "revolucionário" não é um exagero. "Shrek" tem mesmo essa importância. Talvez não a nível animado, nesse aspecto o filme está "apenas" ao nível dos da Pixar, com um detalhe animado realista e soberbo.

É a nível de argumento, personagens e storytelling que "Shrek" triunfa ruidosamente. Contrariando a tendência vista até então, "Shrek" aposta na acção, na
irreverência, na originalidade e sobretudo no humor. Humor rústico, indelicado, "sujo" e indiscreto, talvez... Mas tremendamente eficaz.

Afinal de contas, o protagonista é um ogre horrível e sem maneiras (faz questão de nos mostrar isso mesmo na brilhante introdução), acompanhado por um burro falante que, com um misto de melhor amigo e sidekick, se torna numa das melhores personagens ani
madas de sempre e, quando parece entrar nos "eixos" com o resgate à Princesa Fiona, "Shrek" volta a trocar as voltas ao espectador e comprova que não esqueceu o propósito ao qual se propôs desde o seu início: marcar pela diferença.

"Shrek" não é um simples filme animado bem conseguido.
"Shrek" é uma comédia, ainda antes de ser um filme de animação, e que, graças ao já referido esquivo argumento, ao elenco responsável pelas dobragens (Eddie Murphy tem a melhor prestação na área desde a de Robin Williams em "Aladdin" (crítica aqui)) e às inúmeras referências e pormenores deliciosamente dissimulados sob a sua cobertura "infantil", se tornou um marco no género, catapultando a Dreamworks novamente para a ribalta
e vencedor do primeiro Óscar para Melhor Filme de Animação.

De referir a portentosa banda-sonora, desde a composição de Harry Gregson-Williams até à palete de canções que enriquecem esta obra-prima animada.


"That must be Lord Farquaad's castle... Do you think he's maybe compensating for something"

Read more

Atraídos pelo Crime/Push- Os Poderosos

Link
Argumento limitado. O que "Atraídos pelo Crime" nos conta, já nós vimos antes. Ficam alguns clichés do género.

Vale então, indubitavelmente, pelos protagonistas Richard Gere e Ethan Hawke. Ainda assim, o maior destaque vai para Wesley Snipes, a regressar finalmente à ribalta e a protagonizar a melhor cena do filme.
De Don Cheadle já nem falo. Onde anda o carismático actor de "Romance Perigoso" (crítica aqui) e "Ocean's Eleven"
(crítica aqui) ?

Antoine Fuqua faz um trabalho seguro e atento, atrás das câmaras.





Sinceramente gostei. É um guilty pleasure, um filme sofisticado com tantos defeitos quanto qualidades.

Se por um lado temos um argumento mais esburacado que um queijo suíço, incapaz de explicar, relacionar e sustentar conceitos como os de viagem temporal e previsão de futuro de forma conclusiva, bem como portador de informação excessiva que só complica tudo (aconselho ao espectador que não tente perceber, apenas apreciar) e uma ou outra cena absolutamente ridícula, por outro temos uma realização muito competente e dinâmica de Paul McGuigan, a fazer um bom uso da fotografia e dos efeitos especiais, bem como um elenco bastante interessante.

Chris Evans é o improvável protagonista que confirma ser mesmo um bom actor, e Dakota Fanning nunca desilude, apesar de tudo. Djimon Hounson está longe dos seus melhores momentos, mas nem por isso mal, e Cliff Curtis completa o improvável elenco.

Mas "Push- Os Poderosos", não sendo um filme genial nem tão pouco consensual, consegue facilmente captar o interesse e a afeição. Além disso, percorre com substancial à-vontade (e alguma leveza) o campo do romance, sem nunca se tornar lamechas. E isso, honestamente, agrada-me.

E claro, temos ainda um excelente final como brinde, mesmo do género que me apraz.

Read more
Related Posts with Thumbnails