As Confissões de Schmidt



Alexander Payne filma "As Confissões de Schimdt" com uma segurança e um talento notáveis. Sem ambição de inovar e cair no descrédito, presenteia o espectador com alguns planos magníficos e interessantissimos, construindo, aos poucos e poucos, a rampa de lançamento pela qual é lançado Jack Nicholson, que nos oferece uma das melhores actuações da sua carreira, numa espécie de spin-off do Melvin Udall de "Melhor É Impossível" (crítica aqui), justamente premiada com uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor, bem como o Globo de Ouro para Melhor Actor Drama.

Fossemos a juntar o trabalho destes dois homens, e estávamos perante um grande filme, certamente. Infelizmente, o argumento de "As Confissões de Schimdt", também a cargo de Payne, é um poço de indecisões e buracos. Ora um filme sério, ora uns picos cómicos, ora uns toquezitos de road-movie e muitas, muitas personagens e cenas desnecessárias.

O caso mais concreto desta debilidade argumentativa prende-se com o decepcionante final, que deita a perder, não só uma história interessante, mas também a possibilidade de a concluir de forma minimamente... conclusiva. É que um final, não é sinónimo de uma conclusão, e "As Confissões de Schimdt" não tem uma conclusão.

Solidária com o espectador, está Kathy Bates, cujo promissor papel e substancial talento, são totalmente desperdiçados em aparições, sem dúvida marcantes (quem se esquecerá da visão de uma Bates totalmente nua?...), mas rápidas, intermitentes e...perturbadores.
O resultado é uma interpretação que totaliza uns meros 20 minutos e cuja premiação com a nomeação para o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actriz (muito, demais) Secundária, fica por explicar.

E é uma pena, porque este "As Confissões de Schimdt" tinha muito potencial. Fica-se pelo entretenimento mediano e uma grande interpretação.
Finalmente, uma nota especial para o excelente poster do filme. Nunca nenhum poster consegui ser tão dramático e tão cómico, ao mesmo tempo.


"Life is short, and I can't afford to waste another minute."

2 Eloquentes Intervenções Escritas:

Roberto F. A. Simões disse...

Aqui está o comentário devido.

Fosse o argumento mais ambicioso, inteligente e original, e facilmente estaríamos perante um bom filme. O que acontece é que o tema até é interessante, mas depressa nos deparamos com demasiados lugares comuns. E Nicholson bem que está fenomenal.

Jackie Brown disse...

Roberto,

Lol, não me deves nada ;)

Por acaso nem achei que o argumento tivesse assim tantos lugares comuns. Acho é que é insuficiente.
Quanto a Nicholson, está de facto, fenomenal.

Abraço

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