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Há Dias de Azar...



Existe uma diferença abismal entre admirar Quentin Tarantino e imitá-lo. Admirar, qualquer um o faz, até eu. Imitar já é mais difícil. Imitar bem é ainda mais difícil.

E é inegável: "Há Dias de Azar..." respira Tarantino por todos os poros, e as influências do realizador, sobretudo ao nível do argumento, são evidentes. Mas apenas ele teria a capacidade de tornar esta incursão pelo mundo do crime na obra-prima a que o seu portentoso argumento aspirava.
Uma vez que não é Tarantino quem realiza, mas o escocês Paul McGuigan , responsável pelo interessante "Push- Os Poderosos" (crítica aqui), "Há Dias de Azar..." vê o seu voo até à genialidade a ser abruptamente cancelado, já que McGuigan pouco mais é do que um mero tarefeiro, pouco incompetente sem dúvida, mas infinitamente limitado. E é claramente essa a sensação que fica no final do filme: a de desperdício, graças aos limites impostos ao argumento e até ao elenco, por este realizador.

Evidentemente, e conforme é já perceptível, o argumento é verdadeiramente portentoso. Quer ao nível de diálogos, cuja elegância exibirei no final desta análise, quer ao nível de personagens, quer até mesmo no que ao desenvolvimento da história, portadora de um twist avassalador, o escrito de Jason Smilovic é um autêntico primor.
Pecará por alguma rigidez em determinados momentos, pelo segundo twist, perfeitamente inútil, e pela falta de exposição atribuída ao personagem de Stanley Tucci.

De referir ainda a dócil banda-sonora e a vertiginosa montagem, sempre muito importante em filmes do género para, por fim, avançarmos em direcção ao elenco de excepção.
Exceptuando Lucy Liu, apenas boa a espaços, e a interpretação indistinta de Bruce Willis, tão habituado a personagens do género, todo o restante elenco é excelente.
Josh Hartnett tem uma prestação por demais convincente, bastante descontraída e muitíssimo carismática, encaixando no papel como uma luva. Morgan Freeman, embora também ele no seu papel do costume, é capaz (embora com ajuda do argumento) de sobressair com classe. Stanley Tucci está muito bem e quanto a Ben Kinglsey, tem pura e simplesmente a melhor interpretação da fita.

Embora de lamentar o suspiro por mais, "Há Dias de Azar..." é um primoroso e profundamente viciante entretenimento.


"I bet it was that mouth that got you that nose. "

"
-I didn't think you were him, I thought he was you. And I was trying to tell him - you that they picked up the wrong guy.
-
The wrong guy for what?
-Whatever it is you wanna see me about.

-
Do you know what I wanna see you about?
-
No.
Then how do you know I got the wrong guy?
-
Because I'm not...
-
Maybe I want to give you $96,000. In that case do I still have the wrong guy?
-Do you wanna give me $96,000?
-No, do you wanna give me $96,000?
-
No, should I?
-
I don't know, should you?"

"-Yitzchok the Fairy.
-Why do they call him "the Fairy"?
-Because he's a fairy.
-What, he's got wings, he flies, he sprinkles magic dust all over the place?
-He's homosexual. "

"-You must be Mr. Fisher.
-Must I be? Because that hasn't been working out for me lately.
-But I'm afraid you must.
-Well if I must."


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Aladdin



De todas as grandes obras que constituíram o auge da Walt Disney Pictures, a época conhecida como Disney Renaiscence e que teve lugar entre os anos de 1989 e 1999, "Aladdin" é a mais carismática.

Partindo uma vez mais de um conto literário já existente, neste caso uma das histórias de As Mil e Uma Noites, a Disney volta a presentear-nos com um tesouro animado de grande riqueza visual e com doses de entretenimento nunca antes vistas.
Fá-lo através de um argumento extremamente interessante, recheado de situações tão imaginativas quanto apelativas, e de um vasto leque de personagens secundárias verdadeiramente adoráveis.
Desde as mascotes, o hilariante e falador Iago e o hilariante e imperceptível Abu, passando pelo eloquente vilão Jafar até àquela que é, possivelmente, a melhor personagem de todo o universo Disney: o Génio. Todos contribuem para o ritmo imparável de "Aladdin" e deixam bem vincadas as suas naturezas.

Argumento este que se torna tão cativante, que consegue transpor uma cultura totalmente diferente da do seu público-alvo para o formato animado de forma muitíssimo bem sucedida, permitindo-lhe mesmo identificar-se com esta cultura tão (será assim tanto?) distante.
Apenas é de lamentar a (tradicional) vertente romântica que "Aladdin" possui, não só pela substituição de momentos de humor/adrenalina, pelos habituais excertos românticos e substancialmente mais aborrecidos, mas também pela falta de interesse transbordada pelos protagonistas, Aladdin e Jasmine.

Ron Clements e John Musker dirigem, porém, "Aladdin" de forma irrepreensível, ao acrescentarem à lindíssima tela visual que nos é oferecida, "pinceladas" digitais que, salvo raras excepções, produzem um efeito visual verdadeiramente avassalador. Destaque-se, por exemplo, toda a concepção da Cave of Wonders, desde a sua face até aos seus trepidantes labirintos interiores. Nota-se o olhar visionário da dupla de realizadores, e é o público quem mais beneficia com isso.

E se os realizadores tiveram o olhar visionário, Alan Menken-o mesmo compositor por detrás de "O Corcunda de Notre Dame" (crítica aqui)-teve certamente a audição visionária. Compondo uma banda-sonora verdadeiramente excitante, Menken ainda requisitou a colaboração de Tim Rice-o mesmo compositor por detrás de "O Rei Leão" (crítica aqui)- para a elaboração de alguns dos temas musicais mais divertidos e entusiasmantes da Disney.
Canções como a alegre "Friend Like Me" ou a misteriosa "Arabian Nights" são tão belas quanto poéticas (e claramente superiores á que venceu o Óscar na respectiva categoria, "A Whole New World").

Não saindo da vertente sonora, o que dizer do estrondoso desempenho vocal de Robin Williams? Falando, gritando, rindo, satirizando, cantando. O magnífico actor transpôs para o Génio todo o seu carisma e o resultado é indescrítivel. Que dedicação, que amor ao Cinema, que desempenho vocal tão extasiante.
Robin Williams prova o seu enorme talento, efectuando a melhor dobragem que já tive o prazer de escutar e transformando, assim, o Génio na melhor e mais divertida personagem desta Disney Renaiscence.
Refira-se que, pelo seu fabuloso trabalho, Robin Williams foi premiado com um Globo de Ouro honorário.

"Aladdin" é a obra da Disney que melhor representa o conceito de aventura. Deixemo-nos levar pela sua adrenalina e humor e, de preferência, a rirmo-nos ao som de Robin Williams.


"-You're a prisoner?
-It's all part and parcel, the whole "genie gig". Phenomenal cosmic powers!!! Itty-bitty living space..."

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Hércules



De todas as grandes obras que constituíram o auge da Walt Disney Pictures, a época conhecida como Disney Renaiscence e que teve lugar entre os anos de 1989 e 1999, "Hércules" é a mais descontraída.

Não deixa de ser, aliás, extremamente curioso: um ano depois de ter alcançado os extremos do dramatismo com "O Corcunda de Notre Dame" (crítica aqui), a Disney decide redefinir o conceito de pura diversão com este "Hércules". A abordagem feita é quase a oposta, uma espécie de inversão de mentalidade que apenas pretende realçar a versatilidade dos estúdios de Walt Disney.

"Hércules" é leviano em todas as suas vertentes:
- Na espirituosa e vibrante banda-sonora a cargo, uma vez mais, de Alan Menken (quer nos egmentos musicais, quer nas fantásticas canções -destaquem-se belíssimos temas como "From Zero to Hero", o tripartido "Gospel Truth" e o nomeada para o Óscar de Melhor Canção Original "Go The Distance") ;
-Na refrescante tela cromática, repleta de cores leves e alegres;
-No próprio argumento, possuidor de uma série de personagens hilariantes desde o malogradamente hilariante Philoctetes, passando pelo carismático vilão Hades (provavelmente o mais divertido do universo Disney -característica algo desenquadrada, não?) até à própria relação entre os protagonistas, que é mais insólita do que propriamente divertida.

E aqui reside, simultâneamente, o maior trunfo e o maior erro de "Hércules". Toda esta descontracção é algo excessiva e pedia-se alguma seriedade que, quando de facto existe e tal como os apontamentos humorísticos de "O Corcunda de Notre Dame" (mais um elo de ligação entre ambos os filmes), parece deslocada do que até ali vimos.

Felizmente que a realização de Ron Clements e John Musker é, novamente e seguindo o exemplo do seu anterior trabalho em "Aladdin" (crítica aqui), extremamente dinâmica e visualmente arrebatadora. A dupla serve-se uma vez mais do complemento digital, agora para nos presentear com uma das melhores cenas animadas desta Disney Renaiscence: a épica luta de Hércules contra a Hydra. Verdadeiramente de cortar a respiração, uma cena de antologia e que permanecerá na história como uma das melhores da Disney.

Um destaque ainda para as dobragens, neste caso portuguesas, com os maiores elogios a serem entregues directamente ao actor Fernando Luís -um dos melhores nesta área, no nosso país- e ainda uma pequena curiosidade: com "Hércules", é a segunda vez que o actor José Raposo dobra um personagem anteriormente dobrado por Danny DeVito. A primeira foi em "Space Jam" (crítica aqui).

Com novos defeitos e novas qualidades, "Hércules" é, ainda assim, um marco na Disney Renaiscence e uma proposta animada irrecusável.

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O Rei Leão




The King Has Returned

De todas a grandes obras que constituíram o auge da Walt Disney Pictures, a época conhecida como Disney Renaiscence e que teve lugar entre os anos de 1989 e 1999, "O Rei Leão" é... a melhor.

Que se calem todos aqueles que ousam duvidar da qualidade e importância do género animado, e que se ergam as vozes que enaltecem a verdadeira essência do filme de animação, presente de forma incontestável nesta suprema obra-prima animada que é "O Rei Leão".

A animação trata-se de um mero veículo que visa tornar "O Rei Leão" mais acessível às massas, tal é a essência divina que o define. Essência esta que suporta um arrepiante e tocante drama sobre as relações familiares -sobretudo o binómio pai/filho- que, por sua vez, é abençoado com a (brilhante) inserção na cultura africana, permitindo uma série de pormenores e referências verdadeiramente impagáveis.
Aqui ficam os dois aspectos que tornam "O Rei Leão" no melhor filme animado de sempre: um argumento com uma profundidade nunca antes (ou depois) vista, bem como um dos mais maravilhosos, e culturalmente e visualmente recompensadores contextos desejáveis.

Argumento este que se traduz, sobretudo, numa série de deliciosas e inesquecíveis personagens, como é o caso do portentoso vilão Scar (que portentoso desempenho vocal de Jeremy Irons, a propósito...) ou a brilhante dupla humorística Timon e Pumba.
A realização é igualmente majestosa, com o idealizar de uma variedade de cenas tão épicas quanto maravilhosas (a sequência inicial, a morte de Mufasa, o final).

E claro, toda a segurança é fornecida pelos excelsos estúdios Disney que, para além de uma estonteante animação (como sempre), se esforçam para nos oferecer a mais memorável banda-sonora já experienciada. E para isto, ao sempre fenomenal trabalho de Hans Zimmer, juntou-se a indispensável colaboração de Elton John. E o resultado é de um primor incrível: temas como Hakuna Matata, Circle of Life e, claro, Can You Feel the Love Tonight? perdurarão para sempre na mente do mais ávido cinéfilo.

Por tudo isto e muito mais, "O Rei Leão" não tem como não se assumir como o melhor filme animado de sempre.


O Rei regressou. E, agora, por fim, é para ficar.


"A king's time as ruler rises and falls like the sun. One day, Simba, the sun will set on my time here, and will rise with you as the new king."

"Well, as far as brains go, I got the lion's share. But, when it comes to brute strength... I'm afraid I'm at the shallow end of the gene pool."

"It is time."

"Run away Simba... Run away, and never return."


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Dia de Treino/Os Simpsons- O Filme



Antoine Fuqua faz o que lhe compete: deixar brilhar o elenco e fazer esquecer um argumento que, apesar de interessante, se sustenta demasiado pela lei do acaso.

Assim, o elenco faz o filme. Os sempre bem Ethan Hawke, Cliff Curtis e Scott Glenn não desiludem, mas é sobre Denzel Washington que recaem todas as atenções. Que brilhante interpretação. Assombrosa. Rouba o filme para si e carrega-o às costas, justificando a toda a hora o Óscar de Melhor Actor que conquistou.

"Dia de Treino" é Denzel Washington. E só isso chega.




Não sou um admirador d'Os Simpsons. Nunca fui e muito menos o seria agora, numa altura em que a série atravessa uma decadência sem precedentes.

O filme acaba por espelhar a série: a primeira parte é bastante interessante, com ou outro momento de pura genialidade. A segunda é aborrecida e sem piada.

Para o legado da série e para o tempo que esteve a "marinar", esperava-se claramente um pouco mais.
No entanto, reitero: puro entretenimento.


Mas fica a questão: e para quando um filme de American Dad!?

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Arma Mortífera



Enorme surpresa, eis não só um belo policial, mas sobretudo uma referência nos buddy-movies.

Embora com umas quantas...limitações, visíveis sobretudo em determinadas sequências que não envelheceram condignamente, "Arma Mortífera" é uma pérola disfarçada de filme de acção, com duas soberbas interpretações de Glover e principalmente de Mel Gibson.

Destaque para a requintada banda-sonora.


"I'm too old for this shit..."

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Doom- Sobrevivência



Numa estação espacial no planeta Marte algo corre mal. Os cientistas morrem. É chamado um grupo de marines para ver o que se passa. Marines descobrem que o que eles pensavam que se passava não é na verdade o que se passa mesmo. Pelo meio? Tiros, monstros, zombies e etc. Mas tudo apenas para maiores de 12 anos!

Terror espacial sempre foi um conceito que me agradou muito, quer no campo no cinema, quer no campo dos videojogos.Desde o tempo em que jogava Alien Trilogy (na altura ainda era uma trilogia) na Sega Saturn, até aos dias de hoje em que consumo Dead Space na PS3.Adoro a saga Alien bem como o primeiro "Predador". E apesar de claramente inferiores, acabo por não detestar outros títulos mais fracos como "Alien vs Predador 2".
Ora "Doom- Sobrevivência" vem inserir-se claramente neste meio. Trata-se da adaptação cinematográica do jogo Doom, a primeira experiência de First Person Shooter no mundo dos videojogos (curiosamente a estrear também na Sega Saturn).

No entanto, "Doom- Sobrevivência" é um filmezito sofrível e muito pouco profissional, que apenas poderá entreter com o cérebro bem desligado. O conceito de terror espacial passa a tiroteio espacial (devido à classificação para M/12, não há gore, violência ou suspense), os efeitos especiais são rascas, a realização é péssima e o elenco é pobre, inexperiente e em piloto automático.
E tudo isto banhado numa overdose de clichés que chega a ser ridícula (como exemplo temos o grupo de marines, onde há espaço para todos os estereótipos, desde O Tarado, passando pelo Fanático Religioso até ao Novato).

Salva-se The Rock que apesar de ter mais carisma do que talento arranca alguns bons momentos, e a cena FPS que impressiona mais pela inovação do que pela qualidade.

E um parágrafo ainda para a colossal banda-sonora de Clint Mansell, que sustenta muitas cenas-chave do filme, triunfando pela diferença e beleza. O final, por exemplo, é muitíssimo bem conseguido graças a este aspecto fulcral

Se encarado como entretenimento, "Doom- Sobrevivência" está dentro dos limites do aceitável. Fora isso, esqueçam.


"Semper fi, motherfucker."

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A Praia



Esta análise contém SPOILERS.

Richard (Leonardo DiCaprio) é um jovem sem família nem nada que o prenda a lugar algum. Limita-se a viajar pelo mundo e, enquanto se encontrava na Tailândia, Richard conhece um estranho indivíduo que lhe irá fornecer o mapa para uma ilha secreta.

Desde uma idade muito tenra (tenra demais), que "A Praia" me suscitava uma curiosidade fora do comum. Curiosidade esta que, ora presenteada com mais ou menos protagonismo, acabaria finalmente por ser saciada hoje mesmo, provavelmente uns dez anos depois de ter travado conhecimento com a obra de Danny Boyle.

"A Praia" começa bem. Mostra-nos um DiCaprio viajado, num ambiente à "Blade Runner". A seguir, fica ainda melhor, ao presentear-nos com uma fotografia marcante, consequência do valor paisagistico inerente à praia que dá título ao filme. Somos confrontados com a existência de um céu na Terra, uma comunidade amigável recebe de braços abertos os nossos três aventureiros (Richard une-se a um casal de franceses), e tudo parece correr pelo melhor.
É nesta fase em que pensamos o quão sortudo foi Leonardo DiCaprio em conseguir ser pago para disfrutar do sol, do mar e das mulheres daquele lugar. É também nesta fase em que, para tentar tornar o filme minimamente interessante (porque até aqui apenas era agradável), o argumento tenta arranjar uma ou outra problemática.
O que consegue, no entanto, é arranjar uma mão-cheia de problemáticas, descabidas, desinteressantes, e, total ou parcialmente, ignoradas até ao final.
Até aqui, estávamos mal. No entanto, é no último terço do filme que Danny Boyle dá "o" tiro no pé: de um momento para o outro, e sem explicação lógica ou razão aparente, "A Praia" assume um carácter completamente surrealista. São momentos alucinantes, aqueles em que acompanhamos a psicose doentia de DiCaprio, que vai desde exilado, a marine, sendo mesmo personagem de um videojogo (não questionem, que as respostas não existem...).
Depois, de um momento para o outro, tudo acaba. DiCaprio recupera a sanidade mental tão depressa e inexplicavelmente como a perdeu. Dá-se o climáx pseudo-dramático e o filme acaba, exactamente como começou.

Ora esta divagação toda para concluir o quê? Que "A Praia" é uma fita que se aguenta, apenas e só, graças à sua fenomenal fotografia, que Danny Boyle capta de forma exemplar.
De resto, "A Praia" é uma decepção, um filme medíocre. O argumento é fraquíssimo, sem nexo e ritmo, e com buracos enormes.

A nível de elenco, Leonardo DiCpario, tirando um ou outro espasmo, é sofrível e transpira inexperiência. A má direcção parece ser também a causa, uma vez que o restante elenco está igualmente mal.

E assim se matou uma curiosidade antiga. Menos um filme para ver, mais uma decepção.


"Paradise it's not a place, it's a moment. And, when you find it, it last forever."

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Um Peixe Chamado Wanda/Terminal de Aeroporto


Falta de contenção: o eterno problema que sempre assombrou os Monty Phyton, cuja natureza domina, obviamente (ou não fossem dois dos protagonistas do filme, membros do grupo britânico), este "Um Peixe Chamado Wanda".

E, tal como seria de esperar, também a falta de contenção marca a fita, com a ténue linha entre a comédia e a estupidez a ser quebrada, por mais do que uma vez.

Kevin Kline está bem no seu estranho papel. Óscar? Não me parece.
Não o mereciam, muito mais, John Cleese e Jamie Lee Curtis?

E fica uma outra questão: qual a relevância do peixe, de nome Wanda, para a história?





Um feel-good movie, sem sombra de dúvida e que, quanto a mim, nos dá a melhor interpretação da carreira de Tom Hanks.
Aliás, de um modo geral e com excepção de Catherine Zeta-Jones, todo o elenco está acima da média.

Steven Spielberg faz o que quer daquele aeroporto, e só um mestre na sua arte obteria momentos tão bem conseguidos como os que vi.
É mesmo o argumento que deita tudo a perder, sobretudo a credibilidade do filme.
Vilões, interesses amorosos, histórias secundárias e a metamorfose da personagem principal, de homem prestável e simpático num autêntico autista.
Não era preciso tanto.

Fosse "Terminal de Aeroporto" uma curta-metragem e quem sabe...

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King Kong


Um projecto de amor. De amor ao Cinema, de amor à Arte, de um profundo, tocante e indisfarçável amor à história do gorila gigante e da linda mulher.Também esta, uma história de amor. E é este amor de Peter Jackson por esta história que, simultaneamente a meu ver, eleva e aniquila "King Kong".

Por um lado, a realização de Jackson é soberba pela forma apaixonante como se entrega à história, pela forma como pretende contá-la toda, de forma pausada, sem pressas e sem facilitismos, explicar a cada uma das pessoas que assiste a este "King Kong", o porquê desta adoração profunda. Nada é deixado para trás, por mostrar ou por sentir. Quer sejam os longos momentos de contemplação entre Ann e Kong, a relação paternal entre Mr. Hayes e Jimmy, ou o modo como Carl Denham descarta os seus "amigos" mediante a necessidade, caso de Jack Driscoll, por exemplo.

O problema de "King Kong" reside, igualmente, neste amor...infelizmente para os espectadores, quase sem limites, e que torna este um filme inevitavelmente manchado e seriamente prejudicado por uma duração que em muito estende a capacidade do seu argumento, bem como a paciência de quem vê o filme.
De um modo geral, "King Kong" é usualmente dividido em três partes: a viagem de barco até à ilha, a exploração da ilha, e as desventuras finais já em Nova Iorque. Compreensivelmente, o gosto pessoal de cada um ditará as respectivas preferências.

Quanto a mim, sou um grande fã da primeira hora do filme, acho que toda a viagem até à Skull Island é, numa palavra, apaixonante. A introdução a uma série de personagens deliciosas e fascinantes, tais como o já referido Jimmy, Mr. Hayes, Englehorn, Preston ou Lumpy. Bem como, evidentemente, do desenvolvimento do trio de protagonistas (e que protagonistas...). Esta primeira parte, a fazer lembrar "Titanic" (crítica aqui), é de facto a mais bem conseguida.
Já a segunda, reminiscente de "Parque Jurássico" (crítica aqui) é evidentemente mais "suculenta" a nível de sequências de acção bigger than life, mas peca precisamente pela sua "pequenez emocional", embora não fosse esse o objectivo de Jackson neste segmento do filme. Também a relação de Ann e Kong sofre de uma sobre exposiçao que a torna, a espaços, invariavelmente maçadora.
Por fim, a conclusão na selva de asfalto, a meu ver repleta de erros e más decisões que asseguram um final, mais do que sobejamente conhecido (previsível até), algo inglório.

"King Kong" cobre-se, como não poderia deixar de ser, de valores de produção ao mais alto nível, que vão desde a épica banda-sonora até ao irrepreensível elenco. E aqui, para além da óbvia referência à interpretação de Naomi Watts, que consegue a proeza de personificar uma "donzela em apuros" sem nunca perder a empatia do público, é fulcral a justa homenagem àquela que é a melhor interpretação da carreira de Jack Black. Sem dúvida, um protagonista completo, sério quando têm de o ser e evidentemente a exibir também o talento cómico pelo qual é tão famoso.
De resto, não há, igualmente, como ignorar prestações tão bem conseguidas como as de Andy Serkis, Thomas Kretschmann, Jamie Bell e, claro, de Adrien Brody.

"King Kong" está longe de ser grande filme, apesar de ser um filme grande. Ficam as intenções nobres de Peter Jackson, a execução técnica quase perfeita e o suspiro por apenas ter faltado um bocadinho "assim" a este superior entretenimento.


"It wasn't the airplanes. It was beauty killed the beast."

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Os Reis da Rua


"Os Reis da Rua" é um filme mediano, com um argumento bem trabalhado mas pouco original e um elenco qualitativo quanto baste. Como policial e como entretenimento, é indiferente.

A história que apresenta, a do polícia nos limites da lei, ja foi vista e revista dezenas de vezes. E melhor. Com a agravante de Keanu Reeves não ser, de todo, a melhor escolha para se criar empatia com o protagonista em situações destas.Falha drástica que aniquila as possibilidades de "Os Reis da Rua" ser algo mais do que um filme banal.

Aliás, de um modo geral, o elenco desilude de forma evidente, excepção feita a um poderoso Forest Whitaker que rouba todas as cenas em que entra.


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Sem Tempo/ 50/50


"Sem Tempo" transpira realmente isso: falta de tempo para desenvolver uma premissa absolutamente sensacional. Falta consistência à trama, à medida que esta se adensa. É pena, mas julgo tratar-se aqui de pressão do estúdio, nada que uma Versão de Realizador não colmate.

Seja como for, entretenimento de superior qualidade, com um punhado de momentos para mais tarde recordar, e no qual Justin Timberlake (muito bem acompanhado por Amanda Seyfried) comprova que é mesmo um actor a sério.

Destaque para a banda-sonora.




Facilmente a melhor incursão do género. Mistura hábil e discreta, mas muito bem sucedida entre comédia e drama, eis sobretudo um filme de actores.

E se já Seth Rogen tem a melhor prestação da sua carreira, finalmente a ser capaz de conter a sua efusividade tantas vezes desagradável, é Joseph Gordon-Levitt quem rebenta com a escala e leva o filme às costas, numa interpretação absolutamente sensacional.
Resta saber onde ficou a nomeação para o Óscar de Melhor Actor...

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Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»


Alexandreo Grande? Não...
Alexandre, o Frágil, talvez.
Se quisermos ser um pouco mais directos, Alexandre, o Chorão ou até mesmo Alexandre, o Homossexual.
É este o Alexandre que Oliver Stone nos mostra.

As intenções de Oliver Stone eram nobres e, sem dúvida, louváveis. É, ainda assim, que por elas se fica. Mais do que o mito e a lenda, Stone pretendia retratar Alexandre, o Homem. E, neste aspecto, não poderemos acusar Stone de pecar por falta de empenho, ou preguiça.
A análise à vida pessoal -refiro-me, concretamente, a relações familiares e amorosas- de Alexandre foi efectivamente competente, no mínimo. Direi mesmo exaustiva.

No entanto, esta focalização tão grande no homem, Alexandre, suscita determinadas questões:
Era isto o pretendido? Mais do que um blockbuster, "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut" é um épico. Não um biopic dramático. Onde estão as façanhas épicas? Onde está a aventura? A acção? Não se podem prescindir de tais componentes, tendo em conta o género a que "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut" se propôs ser.
Era esta abordagem preferível a outras? Aparentemente, julgando pela recepção fraca (um pouco mais entusiasta, nesta versão) que a obra de Stone teve, a resposta é clara.
Está bem delimitada a linha entre a atenção e a quase obecessão?
Foi Oliver Stone capaz de se moderar, de ter rigor, coerência e contenção?
Não se terá
Stone deixado deslumbrar, pelo menos parcialmente, pelos meios que tinha à sua disposição?

Infelizmente, o panorama não é o mais inovador. Oliver Stone alimentou e contribuiu com a sua realização para um argumento que, a nível estrutural, é uma verdadeira nódoa. Nesta versão «Revisited: The Final Cut», Stone tem todo o tempo do mundo para perder as estribeiras.
A homossexualidade não é uma sugestão, mas um pilar do filme. Orgias, danças, homens nus, violações e, veja-se, até homens a beijarem-se.
Não era preciso, não era preciso isto. Que falta de delicadeza por parte de Oliver Stone.

Mas Stone não se fica por aqui nos erros cometidos. Algumas cenas são indisculpáveis. A cena com Bucephalus e o jovem Alexandre (muito bem interpretado por Connor Paolo) parece ter saído de um vulgar filme da Disney.
O encontro sexual entre Alexandre e Roxane é verdadeiramente ridículo. Parece ter sido filmada por um qualquer tarefeiro, e um não muito são, a nível mental... Um simples abraço entre Alexandre e Hefestião é muito mais tocante e agradável.
A batalha de Gaugamela, embora muito bem idealizada, falha redondamente na execução.

E poderia continuar: os slow-motions escusados, a adição de rugidos de leões aos soldados, o simples facto de as personangens não envelhecerem e, acima de tudo, a completa falta de linearidade temporal. A acção de "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»" não se mantém no mesmo espaço de tempo por mais de vinte minutos. É incrível, um erro incompreensível.

Mas ainda mais incompreensível é a forma como Stone é igualmente capaz de momentos... de tirar o fôlego. A Batalha na Índia é qualquer coisa de arrebatador. Stone filma a acção com uma mestria inegável, dela extraindo a tensão e o drama na perfeição. E como se não bastasse o confronto, que faz jus (mais do que qualquer outro momento do filme) à palavra épico, entre Bucephalus e o elefante, Stone tem ainda a brilhante ideia de distorçer as cores. E o efeito produzido é fenomenal, enche de júbilo até o mais inexperiente dos cinéfilos. Que lucidez, que tirada de génio.

Quanto ao argumento e conforme já foi referido, possui uma evidente debilidade na sua base: a narração. A narração é, a meu ver, um facilitismo. Um facilitismo necessário, mas não essencial. O problema reside precisamente no narrador: Ptolomeu, interpretado por Anthony Hopkins.
Sim, apenas interpretado por Anthony Hopkins, como o envelhecido Ptolomeu. Porque o jovem Ptolomeu, esse... mal o vemos. É um mero secundário, dos mais secundários de toda a corte de Alexandre. Porque razão lhe foi a ele atribuída a narração da obra? Quanta incoerência.

Convém não esquecer, de todo, a excessiva focalização nos romances de Alexandre e nas discussões com os que o rodeiam (algumas tão triviais, outras de grande intensidade).
Stone, que também escreveu o argumento, ao tentar mostrar a sua sensiblidade, acabou por ser sensível de mais. Não existem limites, não existem barreiras, não existe pudor.

Não que o argumento esteja propriamente mal escrito. Alguns diálogos e monólogos são de uma credibilidade e interesse inegáveis. O leque de personangens é também muito vasto e igualmente enriquecido.
Para além disto, “Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»” é um filme repleto de simbolismos, mensagens codificadas com várias camadas de complexidade.
O problema foi mesmo o núcleo e a abordagem feita por Oliver Stone.

A produção é, invariavelmente, um autêntico luxo. Uma fotografia lindíssima, uma das melhores cenografias que já vi, um guarda-roupa competente e efeitos especiais discretos são disso exemplos . A banda-sonora de Vangelis possui uns temas superiores a outros, mas acaba por satisfazer bastante.

Mas a grande desilusão deste "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»" é mesmo o elenco. A Colin Farrell falta todo o estofo do mundo para o papel. É demasiado pequeno para tão grande papel, embora a abordagem tomada por Stone acabe por favorecer o actor irlandês.
O ridículo sotaque de Angelina Jolie é um entrave à apreciação da sua interpretação. Jolie recorre ao overacting com demasiada frequência e, por vezes, assume-se apenas como uma mera vilã.
Rosario Dawson e Jonathan Reys Meyers, no curto tempo de antena de que dispõem, estão francamente mal. Anthony Hopkins pouco melhor está, mas o aproveitamento das suas capacidades é quase nulo.

Apenas Jared Leto, de forma surpreendente, e sobretudo Val Kilmer fogem à tendência. O segundo é definitvamente o melhor elemento do elenco, obtendo uma das melhores prestações da sua carreira. Também Christopher Plummer tem uma interpretação bastante boa.

Uma série de escolhas mal feitas e uma evidente debilidade no estabelecimento de prioridades, ditam a sentença de "Alexandre, o Grande «Revisited: The Final Cut»".
Mesmo com mais de três horas e meia de duração, permanece a sensação de que tanto mais podia ser dito -ou tanto menos podia ser mostrado...

Um filme tão grande, quanto... pequeno.


"Fortune favors the bold."

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Homicídio em Hollywood/Eraser


Um policial diferente, descontraído, com alguns apontamentos humorísticos a merecerem destaque, bem como uma prestação bastante bem conseguida por parte de Harrison Ford.





No género típico do actor, um dos melhores. A história não é a típica desculpa esfarrapada, o elenco contém nomes sonantes como James Caan e James Coburn e, evidentemente, as cenas de acção também não são de menosprezar.

De destacar, acima de tudo, o carisma do sidekick Robert Pastorelli e uma banda-sonora surpreendentemente qualitativa.

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Jerry Maguire


Não havia a intenção de produzir um grande filme, e tal não aconteceu. O que não invalida que "Jerry Maguire" seja uma proposta extremamente interessante e apelativa, um feel-good movie que garante belíssimos e inteligentes momentos de entretenimento e muita, muita ternura.
Obviamente que o factor determinante para a qualidade da obra de Cameron Crowe, que realiza de forma mediana mas escreve magistralmente, é o elenco.

Não, não me refiro a Tom Cruise. Oferece-nos uma das melhores e mais descontraídas performances da sua carreira (apesar de confundir intensidade com histerismo), mas existe alguém que rouba todas as cenas em que entra.
Claramente também não me refiro a uma insossa Renée Zellweger, que pouco mais faz do que umas caretas.

Quem sobra? Sobra um fabuloso, hilariante e extremamente carismático Cuba Gooding Jr.. No seu primeiro grande papel, o afro-americano demonstra muita garra e talento óbvio. Resultado: Óscar de Melhor Actor Secundário, merecido, refira-se. Fica por explicar a decadência que a sua carreira vive agora.

Repito o que disse: "Jerry Maguire" não é um grande filme. Mas lá que é uma pequena maravilha, disso ninguém duvida.


"Show me the money!"

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Sahara/007- Morre Noutro Dia


Não fosse o sidekick Steve Zahn, e "Sahara" seria uma fita bem (mais) fraca.

Não se conseguindo insurgir no género cómico nem muito menos no aventureiro, "Sahara" é aquele filme que entretém mas nem de perto deslumbra.

Um grão de areia no deserto...






Não deixa de ser curioso como "Casino Royale" prima pelo realismo e qualidade, enquanto que "007-Morre Noutro Dia" carece de forma tão extrema de ambos.

Efeitos especiais rascas, irrealismo ao máximo, argumento repleto de incoerências e clichés, e vilões estereotipados


Pierce Brosnan espalha estilo e a confirmação de que está demasiado envelhecido para o papel.

Mas, "007- Morre Noutro Dia" é um incrível guilty pleasure, repleto de one-liners fantásticas e momentos cinematograficamente deliciosos. Mesmo os mal conseguidos.

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O Que as Mulheres Querem/Mr. e Mrs. Smith


"O Que as Mulheres Querem" não foge às tendências da realizadora Nancy Meyers: premissa é interessante e original, e o elenco de secundários que inclui desde Marisa Tomei até Alan Alda, é muito bem encabeçado por Mel Gibson (numa das suas melhores e últimas interpretações em muito tempo).

Infelizmente, e honrando a tendência da restante obra da realizadora, à medida que se aproxima do final, "O Que as Mulheres Querem" vai perdendo as qualidades.

Ainda assim, evidente guilty pleasure e grande Mel Gibson.




Valeu, e de que maneira, a Doug Liman, a brilhante química entre Brad Pitt e Angelina Jolie.
Separados, são dois grandes actores. Juntos, são perfeitos e carregam "Mr. e Mrs. Smith" às costas, porque de resto, o filme é um desastre.

Chega a ser hilariante o quão limitado é o argumento: não há início, não há conclusão, não há coerência, não há personagens para além dos dois protagonistas... De rir, nesse aspecto...

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Matrix Reloaded/Matrix Revolutions


Passado o choque inicial, quando é chegado o momento de começarem a fundamentar as suas ideias, os irmãos Wachowski cometem uma calinada de proporções épicas, tornando o principal defeito do primeiro filme (crítica aqui) na única qualidade deste "Matrix Reloaded": os duelos, que apesar de absurdos do ponto de vista do realismo, asseguram algum entretenimento.

O resto é uma mistela pseudo-filosófica, que tem tanta falta de qualidade como excesso de pujança visual.






Um filme inútil, aborrecido e tremendamente pretensioso. E para aqueles que pensavam que "Matrix Reloaded" tinha sido apenas um erro de percurso, "Matrix Revolutions" confirma que afinal "Matrix" é que foi um golpe de sorte.

"Matrix Revolutions" é chato, confuso e até idiota, sem ponta por onde se lhe pegue, de difícil análise mas também de substância nula.
Para além disto, revela-nos ainda as tendências fetichistas e doentias dos "manos" Wachowski, que emergem o filme num ambiente absolutamente deplorável e enjoativo, uma característica já vista no tomo anterior.

Salva-se, ainda e sempre, Hugo Weaving.
Que, tal como no filme anterior e ainda com menos protagonismo, não chega para atenuar o desastre que é este "Matrix Revolutions".

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