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Os Reis da Rua


"Os Reis da Rua" é um filme mediano, com um argumento bem trabalhado mas pouco original e um elenco qualitativo quanto baste. Como policial e como entretenimento, é indiferente.

A história que apresenta, a do polícia nos limites da lei, ja foi vista e revista dezenas de vezes. E melhor. Com a agravante de Keanu Reeves não ser, de todo, a melhor escolha para se criar empatia com o protagonista em situações destas.Falha drástica que aniquila as possibilidades de "Os Reis da Rua" ser algo mais do que um filme banal.

Aliás, de um modo geral, o elenco desilude de forma evidente, excepção feita a um poderoso Forest Whitaker que rouba todas as cenas em que entra.


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O Corpo da Mentira/Parque Jurássico III


Mark Strong deslumbra e abafa o esforçado DiCaprio e o irritante Crowe, num thriller de acção bastante bem realizado, mas que peca por uma narrativa (episódica) limitada e algo...comum.

Satisfaz, e de que maneira. Mas um pouco mais seria sempre bem vindo.





Inútil, desapropriado, amador. Um série B miserável, que tenta aproveitar-se do enorme sucesso dos seus predecessores.

Argumento perfeitamente estapafúrdio, elenco fraco, eis pouco mais de uma hora de entretenimento que, embora eficaz graças a uma realização interessante que nos proporciona uma ou duas cenas para mais tarde recordar (a da ponte ou a do telefone), é de cariz bastante duvidoso...

Não tendo também praticamente qualquer ponto de contacto com os filmes anteriores, eis uma proposta claramente recusável...


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Loucuras em Las Vegas/A Tempo e Horas


Rob Corddry, sidekick brilhante, protagoniza as poucas cenas do filme genuínamente divertidas. O resto, já foi visto e revisto muitas vezes, mas também não se pretendia outra coisa.




Um falhanço tremendo e um custoso desperdício de dois excelentes protagonistas, que embarcam neste road-movie de sanidade duvidosa e coerência argumentativa nula.

Aposta total em humor físico e escatológico, muito desagradável e forçado.

Modesto desastre que vem pouco a tempo e horas...

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Alta Pedrada/Tempestade Tropical


A típica barreira que separa a comicidade da estupidez, é quebrada. Por vezes hilariante, noutras simplesmente ridículo.

Seth Rogen é péssimo, péssimo actor e cada vez esgota mais a única personagem que sabe fazer: a de drogado despreocupado.

Valha-nos o fantástico James Franco, a roubar todas as cenas em que entra e sempre protagonista das melhores. Nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Actor Comédia mais do que justificada.





Curiosamente, uma análise bastante semelhante será feita a "Tempestade Tropical".

Dois pontos são inegáveis: Robert Downey Jr. e Tom Cruise estão geniais nos seus papéis. Portadores das melhores e mais hilariantes cenas do filme, fazem de "Tempestade Tropical" aquilo que ele é: o melhor filme da carreira de Ben Stiller.
Mas "Tempestade Tropical" é também um filme que oscilante entre a genialidade e a mediocridade.

A genialidade está bem vincada na concepção dos personanges Kirk Lazarus e Les Grossman: nos diálogos, nos trejeitos, na caracterização e, claro, nos respectivos intérpretes.

A mediocridade está em tudo o resto, a começar pelo cunho parvalhão que Stiller insistiu (ou deverei dizer, não resistiu?) em dar a "Tempestade Tropical", sacrificando uma potencial crítica satírica a Hollywood e infestando-a de piadas fáceis e previsíveis, tipicamente suas.

Enfim, que pena.

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Homem de Ferro/A Máscara de Zorro

Robert Downey Jr. faz as delícias de qualquer cinéfilo e transporta "Homem de Ferro" às costas com uma interpretação verdadeiramente fantástica e que se encarregou ainda de relembrar ao mundo o seu grande talento.
O restante elenco desilude um pouco, sendo o caso de Jeff Bridges o mais lamentável, já que o argumento não é capaz de lhe dar a espessura de que necessitava para se afirmar como um vilão memorável.

O argumento é mesmo a maior debilidade do filme, pois a abordagem diferente e cool dada por Jon Favreau é por demais agradável e inovadora no género, mas não consegue impedir o filme de perder toda a chama na sua recta final.

Fantásticos efeitos especiais, a merecerem o Óscar que foi para "O Estranho Caso de Benjamin Button".
A banda-sonora é irrepreensível e o entretenimento está mais do que garantido.




Belo entretenimento, belo elenco.

Anthony Hopkins está muito, muito bem.

Dispensava-se a faceta mais apalhaçada, porque o argumento tem dramatismo suficiente para se sustentar com base na seriedade.

Algumas sequências transpiram clichés e já se ressentem os anos passados.
Mas nenhuma delas mancha o filme.

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Em Bruges

Que surpresa tão agradável, a maior de 2008. É refrescante assistir a um filme humilde e cativante como este, uma injecção cultural de grande interesse, que tem como base uma portentosa, embora nada cansativa, carga dramática e é pincelado com momentos humorísticos verdadeiramente deliciosos, que apenas pecam por soarem forçadas em determinados momentos.

A realização é confiante e inspiradíssima, o argumento é brilhante (diálogos fantásticos e personagens marcantes) e a tela, composta pelas lindíssimas banda-sonora, cenografia e fotografia, garante a fluidez necessária ao filme.

O elenco é magistral. Colin Farrell é brilhante e surpreende. Brendan Gleeson é brilhante e confirma. Ralph Fiennes reabre o seu estatuto de secundário de luxo.

Mas a "Em Bruges" falta algo para ser um grande filme, algo que me escapa. A minha pontuação irá ao encontro da da maioria da blogosfera. Resta saber o porquê.
O que falta a "Em Bruges"?


"Ken, I grew up in Dublin. I love Dublin. If I grew up on a farm, and was retarded, Bruges might impress me but I didn't, so it doesn't."

"Maybe that's what hell is, the entire rest of eternity spent in fucking Bruges."

"One gay beer for my gay friend, one normal beer for me because I am normal."

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Homem-Aranha 3/Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Vem à mente o terceiro capítulo da saga "Piratas das Caraíbas": muita parra, mas pouca uva.
Estão lá os fabulosos efeitos especiais (só a sequência do nascimento de Sandman merecia o Óscar que foi parar a "A Bussola Dourada"), estão lá 10 000 enredos e sub-enredos, está lá a duração excessiva (uma consequência dos 10 000 enredos e sub-enredos) e de regresso estão apenas os problemas no elenco.

Os actores que não são erros crassos de casting (Thomas Haden Church, Bryce Dallas Howard, James Franco e o sempre excelente J.K. Simmons) são desperdiçados até mais não.
Restam "os outros", encabeçados pelo insosso Elijah Wo... quer dizer, Tobey Maguire.

E que momentos foram aqueles em que vimos Maguire a dançar pelas ruas de Nova Iorque, com um penteado ridículo? Mas está tudo doido?!

Funcionará como entretenimento, nada mais.





O defeito não será com certeza a falta de realismo de algumas sequências, muito pelo contrário, já que se trata de feitio da saga Indiana Jones.
O verdadeiro problema é o decréscimo de qualidade ao fim da primeira meia hora.

Como é possível que, com todos os seus recursos, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" seja um filme tão aborrecido quanto simplório? Adivinharíamos que era Steven Spielberg na cadeira de realizador, se não tivéssemos visto o filme desde o início?

Vale pela cumplicidade entre Harrison Ford e Shia LaBeouf.

Funcionará como entretenimento, nada mais.

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Get Smart- Olho Vivo/ Ela, Eu e o Outro


Eis um daqueles casos em que as melhores piadas- aquelas que têm realmente piada, aquelas que inovam- se encontram todas no trailer. Pensamos que aquilo é só uma pequena amostra do que "Get Smart- Olho Vivo" tem para oferecer, mas afinal pouco mais temos.
É óbvio que fica a desilusão, e as culpas têm de ser atribuídas ao medíocre Peter Seagal que, incrivelmente, acaba por aproveitar bem melhor Dwayne Johnson do que Steve Carell.





Já me tinha apercebido, aquando da revisão de "A Máscara" (crítica aqui), que uma opinião prematura de um filme pode ser muito enganadora. Neste caso, a revisão de "Ela, Eu e o Outro" serviu para me aperceber da escassa qualidade desta obra, em todos os sentidos. Jim Carrey é conduzido para a comédia estúpida e não paara a comédia tresloucada e típica do actor. E já nem falo no desperdício de talento de Renée Zellweger ou da premissa totalmente idiota e igualmente estúpido (não há outra palavra) desenvolvimento.

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Procurado


Timur Bekmambetov nem sequer hesita em trespassar furiosamente os limites do razoável, se isso implicar a existência de um produto que consiga entreter tão bem e destacar-se tão claramente da maioria dos filmes do género.

Aliás, esta falta de realismo não é propriamente defeito, mas antes feitio da abordagem conduzida, abordagem esta que acaba por se revelar muito bem-sucedida, pelo menos até certo ponto.
É claro que chega aquela altura em que temos de ligar o cérebro e questionarmo-nos a próposito de certos pormenores, como o facto de as balas conseguirem ser curvadas ou uma Angelina Jolie extremamente magra mas capaz de desancar qualquer um.

O problema de "Procurado" não está, então, neste irrealismo, que permite aliás o triunfo de categorias técnicas como os efeitos especiais e sobretudo a sonoplastia.

Também não está no elenco, obviamente. Nem são Morgan Freeman e Angelina Jolie que merecem os maiores elogios, mas sim o surpreendente James McAvoy que carrega todo o filme às costas com a sua portentosa e divertidamente sarcástica interpretação.

O principal busílis de "Procurado" é o seu desequilibrio narrativo, o óbvio vosso qualitativo entre a primeira e a segunda parte. A primeira parte é fantástica, corrosiva e hilariante. Inesperada, instável e inspirada. É um one-man show de McAvoy, acompanhado pela eloquência de Freeman e a sensualidade de Jolie.
A segunda parte é um fracasso total, um drama familiar frouxo e forçado e que tem ainda a particularidade de exibir Morgan Freeman a fazer uma das figurinhas mais ridículas da sua carreira.

"Procurado" é um excelente e desequilibrado produto de entretenimento.


"What the fuck have you done lately?"

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Crepúsculo


Não é muito fácil escrever sobre "Crepúsculo". É um filme de extremos, com momentos interessantes e bem conseguidos, e momentos totalmente ridículos. Poderá dar azo a muitas interpretações e muito pessoais. Pode, por comparação, ser considerado um bom filme ou um mau filme. Analisada a relação expectativas/resultado final, a conclusão é, a meu ver, óbvia: "Crepúsculo" é substancialmente melhor do que o esperado.

"Crepúsculo" alcança o seu principal objectivo. Apesar de todo o contexto teen que o rodeia, a causa principal do hype e consequente irritação pelo mesmo, "Crepúsculo" consegue, de facto, ser romântico. E isso já é alguma coisa.
Deve-o à química emanada pelos protagonistas e não ao seu talento. Robert Pattinson é deplorável. Até tinha dado boas indicações em "Harry Potter e o Cálice de Fogo" (crítica aqui), mas é tão mal dirigido que, quando não se está a armar em galante, é portador de uma expresão facial semelhante a alguém com incontinência ou prisão de ventre... Já Kristen Stewart exagera no seu retrato de inocência, acabando por se revelar demasiado apagada e até algo sonsa. Faz recordar Katie Holmes em "Batman- O Início" (crítica aqui) e nem a sua beleza a salva.

O melhor aspecto do filme é, claramente, a fotografia, com tons negros e cativantes e que, embora digitalmente melhorada, não leva o noir ao exagero como, por exemplo, a trilogia Underworld.
A realização é fraca, demasiado amadora e com uma montagem feita de olhos fechados. O argumento, apesar de conseguir alguns bons momentos, está repleto de incoerências e cenas pouco reflectidas.

Mas, como entretenimento, "Crepúsculo" não é uma proposta má de todo. O que é preciso é distinguir o produto em si de todos os irrelevantes factores exteriores que o rodeiam.


"-I don't have the strenght to stay away from you anymore.
-Then don't."

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Estado de Guerra


A guerra, como conceito, nunca foi muito fácil de retratar. Existem inúmeros filmes que tentam fazê-lo, uns com resultados bem mais satisfatórios do que outros. Não é, portanto, um género cinemtográfico incomum. É, isso sim, um género de difícil concretização e algo saturado, a precisar desesperadamente de uma perspectiva diferente.

Kathryn Bigelow traz-nos a visão feminina da guerra do Iraque, uma visão completamente banal e muito, muito sobrevalorizada.
Não negarei que Bigelow elabora um pequeno milagre, sendo capaz das mais variadas proezas técnicas (como a fantástica cena inicial, em particular a explosão em slow-motion), apesar do modesto orçamento. Bigelow capta o pesado ambiente de guerra de uma forma muito realista e competente, justificando claramente a nomeação para o Oscar.

É precisamente devido à sua produção modesta que este "Estado de Guerra" merecia um argumento que lhe elevasse o estatuto, tal como "Moon-O Outro Lado da Lua". Tal não acontece, visto que o escrito da autoria de Mark Boal é insuficiente e incoerente.
O relato do dia-a-dia de uma equipa anti-bomba é apelativo de início, mas rapidamente se desvanece numa falta de originalidade decepcionante (três casos quase idênticos). Para tentar contornar esta dificuldade, criam-se histórias paralelas que vão desde uma missão de sniping totalmente aborrecida até uma conveniente e levianamente explorada relação pseudo-paternal.
Além disto, quer-me parecer que o pobre Boal não conhecia minimamente o assunto sobre o qual pretendia escrever, já que o trio militar que nos é apresentado não passa de um bando de inconscientes, perturbados e infantis (como aliás a maioria das personagens) que merecia nada menos do que uns largos meses na prisão militar.

Um outro factor que me desagradou foi a publicidade enganosa levada a cabo por "Estado de Guerra" que, tão ridícula quanto inexplicavelmente, exibiu os nomes de Guy Pearce, Ralph Fiennes e David Morse (os mais conhecidos elementos do elenco) como se estes fossem realmente actores no filme de Kathryn Bigelow. As performances dos três actores, somadas, perfazem um tempo de quê, 5 minutos? 10? Era totalmente escusada esta estratégia de marketing, com a agravante de "Estado de Guerra" se vangloriar constantemente do seu estatuto de filme independente.
Era escusado também retirar protagonismo ao verdadeiro elenco de "Estado de Guerra", que é comandado por um irrepreensível Jeremy Renner a revelar-se um achado na nobre arte da representação.

Não é uma proposta desprovida de qualidade, no entanto, "Estado de Guerra" revela-se mais um caso de sobrevalorização. No entanto, e visto que está na ordem do dia, adianto que é substancialmente melhor do que "Avatar".


"There's enough bang in there to blow us all to Jesus. If I'm gonna die, I want to die comfortable."

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Ponyo à Beira-Mar


Não será com certeza preciso um nível de perspicácia muito elevado, mesmo para o mais inexperiente cinéfilo na matéria, para se aperceber da complexidade e profundidade inerente à filmografia de Hayao Miyazaki. Não me parece que o manto animado com o qual se cobre, engane muitos. As obras de Miyazaki dirigem-se sempre a um público mais adulto, compreensivo e mais perceptível.

A única excepção parece ser "Ponyo à Beira-Mar". Apesar de aparentar ser irrelevante, a ordem pela qual se visualizam pela primeira vez os filmes de Hayao Miyazaki é um factor importante para uma opinião prematura do trabalho do realizador.
Estou assim totalmente convicto de que ter iniciado a minha incursão pela filmografia de Miyazaki com este "Ponyo à Beira-Mar", não foi a melhor opção.
Trata-se de uma fita claramente infantil, focalizada para uma audiência cuja faixa etária já não me enquadra.

Talvez por isto mesmo eu me tenha sentido algo desconfortável após a visualização desta obra, estando convicto de que se trata de um filme de extremos.
A animação que Miyazaki proporciona é refrescante e quase inovadora. Optar (ou continuar a) pela clássica animação desenhada a 2D, em vez do recorrente efeito computorizado, tem como consequência uma óbvia nostalgia. É uma opção que revela honestidade e sabedoria e que, não se servindo dos seus antecedentes, é responsável por momentos de pura beleza e regalo visual.
Seria um crime não referir o aparecimento da mãe de Ponyo, num maravilhoso turbilhão colorido que enche de júbilo a mais insensível das almas.
No entanto, a meu ver e tal como outros géneros animados, tem as suas limitações. Aqui, cabe-me apontar o dedo a Hayao Miyazaki, que erradamente presumiu que a sua técnica animada era capaz de fazer jus ao pretendido, algo que se veio a revelar falso, uma vez que algumas (escassas, é certo, mas marcantes) cenas de "Ponyo à Beira-Mar", sobretudo no climax da tempestade, são... ridículas.
Apesar de tudo, pela intenção e por grande parte da concretização, "Ponyo à Beira-Mar" é um verdadeiro mar de beleza.

Não são, no entanto, apenas os olhos que comem. Também a nossa audição beneficia (e de que maneira) de uma banda-sonora tão inocente quanto tocante. Um trabalho magnífico.

A nível argumentativo, "Ponyo à Beira-Mar" é, clara e infelizmente, irregular. A sua premissa é interessante, mas pouco apelativa, e a sua conclusão previsível.
É o desenvolvimento que "borra a pintura", com o argumento a perder-se algures entre um surrealismo delicioso e uma banalidade aborrecida, na relação entre Ponyo e Sosuke, havendo mesmo espaço para uma ou outra cena dispensável e sem sentido.

Servindo-se, acredito que involuntariamente, da sua fruição visual (quase sempre ao mais alto nível), "Ponyo à Beira-Mar" é uma proposta que apenas poderá ser valorizada pelo lado mais infantil de todos nós.



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Sim!



Carl Allen (Jim Carrey) é um executivo de meia idade que utiliza vezes de mais a palavra "não", reprimindo até mesmo os seus amigos com esta palavra.
No entanto, Carl está decidido a mudar tudo isto quando, ao assistir a uma curiosa conferência, passa a ser obrigado a dizer "sim" em todas as ocasiões.

Jim Carrey é um grande actor. Provou-o em "Homem na Lua", por exemplo.
Jim Carrey consegue elevar consideravelmente a qualidade de um filme. Provou-o em "O Mentiroso Compulsivo".
Mas Jim Carrey não salva todos os produtos em que participa. A prová-lo, está este "Sim!".

"Sim!" tinha potencial para mais, muito mais. A sua premissa é hilariante e, caso o actor canadiano tivesse sido bem dirigido, tinhamos certamente uma comédia hilariante.
Infelizmente, a concretização levada a cabo por Peyton Reed é sofrível, esbanjadora e patética.

Reed incute ao personagem de Carrey uma mudança tão radical de carácter, ao ignorar totalmente um necessário conflito de ideias (tão bem desenvolvido em "O Mentiroso Compulsivo"-fita com algumas semelhanças com este "Sim!"), que despe imediatamente toda a trama de credibilidade.

Além disso, a própria presença de Jim Carrey é apenas (muito) levianamente aproveitada, já que, para além de não existirem gags inteligentes e inovadores, nem a típica comédia física em que Carrey se tem vindo a especializar nos é oferecida.

Ainda bem que Jim Carrey não está dependente deste tipo de filmes. Quando chegas tu, "I Love Phillip Morris"?


"The era of yes has begun."

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Pânico em Hollywood



Relato dos problemas vividos a nível pessoal e profissional por Ben (De Niro), um produtor de Hollywood.

Nunca pensei que o experiente Barry Levinson, responsável pela obra-prima "Rain Man- Encontro de Irmãos", se pudesse perder tanto e desperdiçar um fantástico elenco onde nomes como Sean Penn ou Bruce Willis apenas servem para atrair mais público.

Por obra e graça de Levinson, que se limita a correr atrás de De Niro de lado para lado, "Pânico em Hollywood" poderia ser classificado de desilusão mas na verdade é apenas um autêntico poço de mentiras.

Aliás, "Pânico em Hollywood" não é nem sequer uma comédia (contém alguns momentos embaraçantes, mas nada que nos provoque uma gargalhada sincera), quanto mais uma crítica a Hollywood como muitos o rotularam.

O que ainda vai safando esta simpática abordagem (apesar de tudo, é um filme que se vê bem) é Robert De Niro que é ainda capaz de protagonizar um one-man show, com credibilidade e muito estilo, oferecendo-nos uma das suas melhores interpretações dos últimos anos, explorando ao máximo o limitado papel.
Destaque ainda para Michael Wincott, o único secundário que consegue suportar realmente bem De Niro.



"-I mean, look, did you watch the audience watch the movie?
-Off course.
-And what was their overall reaction?
-Like they took their kids to Disneyland and watched Mickey Mouse douse himself on gasoline and set himself on fire."


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O Incrível Hulk



Esta análise contém SPOILERS.

Bruce Banner(Norton) era um cientista que vive agora isolado devido a um acidente radioactivo que o transforma num monstro chamado Hulk. Bruce tenta viver isolado, mas o seu passado insiste em persegui-lo.

São cada vez mais usuais as adaptações de BD, nomeadamente da Marvel. Desta fita pode-se dizer que está mais ou menos ao nível dos da sua "espécie", como "Homem- Aranha" ou "Homem de Ferro", mas que perde claramente para outras abordagens mais sérias e menos comerciais, como "Batman-O Início".

O argumento começa muito bem e promete mais do que cumpre, visto o filme acabar por se tornar repetitivo e assumir a fórmula do "foge foge" a partir da meia hora inicial, e a realização é em piloto automático, como aliás o é também o elenco.

Neste último campo, destaque apenas para Tim Roth, pela positiva, e Liv Tyler, pela negativa.
Finalmente, há que referir o melhor do filme. E esse momento é o final.Se já o "final" propriamente dito está bastante bem conseguido, ao mostrar-nos um Edward Norton sorrindo, ao constatar que é finalmente capaz de controlar os seus poderes, é mesmo o brilhante cameo de Robert Downey Jr. que rebenta com a escala. Em primeiro lugar, por Downey Jr estar fantástico como sempre. Em segundo lugar, pelas promessas que o filme traz com esses momentos protagonizados pelo actor de "Homem de Ferro".

Esperemos que essas promessas sejam cumpridas, no futuro...

"What if I told you, we're putting a team together?"


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O Acontecimento

Esta análise faz parte do "Especial M. Night Shyamalan".
Num dia como outro qualquer, todas as pessoas do Nordeste dos Estados Unidos, começam a sofrer os efeitos de algo que as faz suicidarem-se.

Depois de "A Senhora da Água" ter sido arrasado pela crítica e público, M. Night Shyamalan precisava de mostrar que esta obra não passou de um mau momento(segundo dizem) com a sua obra seguinte.
Esta obra seguinte é também, até agora, o seu filme mais recente e, curiosamente, o primeiro filme do realizador que tive o prazer de ver.

Tendo agora já visto algumas obras de Shyamlan, posso com toda a certeza afirmar que o maior problema de "O Acontecimento" é não possuir a magia e o misticismo que possuem "A Vila", "O Sexto Sentido" e até mesmo "O Protegido", durante todo o filme, mas apenas nos primeiros 10 a 15 minutos.
E estão neste primeiro quarto de hora de "O Acontecimento" alguns dos seus melhores momentos, como a queda dos operários, uma cena artisticamente muitíssimo bem conseguida e que representa a pequena fragrância de classe que Shyamalan demonstrou em outras obras, mas que preferiu quase ignorar nesta. Ainda no mesmo campo, destaque para as cenas finais de "O Acontecimento" na casa da idosa Mrs. Jones.
Portanto, tirando algumas cenas iniciais e finais, todo o filme parece demasiado vulgar, até do ponto de vista visual, quando comparado com outras obras de Shyamalan.

O argumento, o ponto forte das obras de Shyamalan, teima em cair no ridículo. Temos uma história interessante e misteriosa, mas que nos oferece uma enorme quantidade de cenas mal trabalhadas e diálogos francamente idiotas, que acabam por danificar e até desaproveitar o história base.

Também o elenco espelha o sentimento de decepção de todo o filme no geral. Shyamalan que(do que eu vi) costuma acertar sempre neste ponto, falha ao recrutar um insosso Mark Whalberg para protagonista. Não, ao contrário do que muitos dizem, não considero a prestação de Whalberg má, embora pudesse ter sido claramente mais trabalhada.
Destaque ainda para um também desperdiçado John Leguizamo.

"O Acontecimento" não é de todo um mau filme, consegue ser interessante e cativante, porém dá uma enorme sensação de insuficiência, como se nenhum dos profissionais ligados ao filme(Shyamlan incluído) se tivesse realmente empenhado no filme...


"To be perfectly honest, this was an act of nature, and we will never fully understand it."

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O Estranho Caso de Benjamin Button

Relato fictício da vida de Benjamin Button(Pitt), um homem que nasceu velho e vai rejuvenescendo com o passar dos anos.
Por onde começar uma análise a "O Estranho Caso de Benjamin Button"? Pela sua excelência técnica? Pela seu argumento do tamanha de uma vida? Pelo seu majestoso elenco? Por David Fincher e o seu trabalho sobre-humano?Não. Penso que será justo iniciar esta crítica referindo dois pontos fulcrais:
1.º-"O Estranho Caso de Benjamin Button" é o melhor filme do ano 2008
2.º-"O Estranho Caso de Benjamin Button" é infinitamente melhor, em todos os aspectos, do que "Quem Quer ser Bilionário".

Dito isto, sinto-me à vontade para prosseguir. Seria criminoso não começar por falar de David Fincher e do seu astronómico trabalho neste projecto.
A caracterização, os efeitos visuais, a fotografia, a banda-sonora, todos estes aspectos culminam e são parte integrante da realização fenomenal de David Fincher. É realemente impressionante que não exista uma única cena em todo o filme que não seja trabalhada ao pormenor. Enfim, autêntica poesia visual, o trabalho de Fincher.

Uma palavra também para o brilhante argumento, capaz de relatar toda a história de uma vida numas meras duas horas e meia. Convém referir, no entanto, alguns defeitos que este carrega, nomeadamente algumas sequências não tão interessantes e que podem facilmente dispersar a atenção do espectador. Mas nada de muito grave.

Falta então mencionar o elenco.
Brad Pitt presenteia-nos com uma fabulosa interpretação em quase todo o filme, visto que lá mais para o fim da fita volta a deixar transparecer as suas características de "sex-simbol", algo em que foi (muito) bem-sucedido em evitar, durante grande parte da obra.
Cate Blanchett desilude por vezes. Não que tenha uma má interpretação, mas em determinados momentos aparenta estar ausente.
Destaque ainda para Tilda Swinton e Taraji P. Henson.

Concluindo, e apesar de um ou outro aspecto menos conseguido, "O Estranho Caso de Benjamin Button" é um filme fantástico, uma fábula dos tempos modernos e, arrisco-me a dizer, um dos filmes mais excelsos, a nível técnico, desde "A Lista de Schindler".

"My name is Benjamin Button and I was born under unusual circumstances. While everybody else was aging, I was getting younger, all alone."

"-You look so much younger.
-Only on the outside"

"We are define by opportunities, even the ones we miss"

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Tesouro Encalhado



Ben Finnegan(McCounaghey) é um caçador de tesouros, obcecado com o "dote da rainha", um tesouro composto por 40 arcas de ouro e que se afundou nos anos 1700.Ao descobrir uma nova pista, Ben convence a sua ex-mulher(Hudson) a ajudá-lo e um milionário(Sutherland) a financiá-lo.

Mais uma "comédia" igual a tantas outras, com Matthew "McMamas" a provar e a comprovar que é o pior actor de Hollywood.Para além de representar pessimamente mal, McCounaghey sofre também neste filme, de um visual extremamente mal trabalhado(mais um defeito para juntar aos vários de "Tesouro Encalhado"). Kate Hudson lá anda, como o costume, a cimentar a sua imagem de palhaça e a fazer-nos e a fazer-nos esquecer a sua nomeação para os oscares.

"Tesouro Encalhado" vale apenas pelas fotografia, com belíssimas paisagens porque, se já como comédia simplesmente não tem piada, como filme de aventuras falta-lhe credibilidade...
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O Wrestler

Randy "The Ram" Robinson(Mickey Rourke) foi em tempos um grande profissional de luta livre.Agora,já mais velho,Randy luta por se manter no negócio,ao mesmo tempo que tenta iniciar uma relação com uma striper(Marisa Tomei) e reiniciar a relação com a filha(Evan Rachel Wood).

Tanto se falou que "O Wrestler" era uma obra-prima e Mickey Rourke tinha a interpretação do ano e etc...Pois o facto é que não concordo."O Wrestler" é um bom filme,sem dúvida,interessante e diferente.Rourke está bem no seu papel e justifica a nomeação.Mas o Oscar não.Tanto Frank Langella,como Richard Jenkins e,claro,Sean Penn estão claramente superiores.E,sinceramente,penso que Rourke já esteve igual ou melhor em "Sin City-A Cidade do Pecado".

Os únicos momentos que verdadeiramente merecem destaque,em relação a Mickey Rourke,são aqueles em que contracena com Evan Rachel Wood,os mais dramáticos e bem conseguidos de todo o filme.E por falar em Wood,esta não merecia muito mais a nomeação do que Marisa Tomei?Eu cá sou dessa opinião.
Em relação à realização de Darren Aronofsky,faz todos os possíveis para ser o mais rasca e documental possível.É bem sucedida nesse aspecto,mas isso apenas me faz não gostar dela...

Concluindo,"O Wrestler" é um filme que prima sobretudo pela diferença,e onde se pode apreciar um elenco bastante competente,porém algo oscilante.
Nota-4*

O Melhor-As cenas entre Rourke e Wood.

O Pior-O final inconclusivo.
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