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O Resgate do Soldado Ryan


Apesar de tudo, é óbvio e inegável: "O Resgate do Soldado Ryan" está longe de ser o melhor filme da carreira de Steven Spielberg. Embora uma belíssima incursão no género, o seu primor técnico não é o suficiente para disfarçar o limitadíssimo argumento.

"O Resgate do Solado Ryan" é de um desenrolar gradual, a espaços aborrecido, e levanta bem menos questões do que aquelas que poderia, parecia, e deveria levantar. A sua premissa é simples, é certo, mas o seu desenvolvimento fica bem aquém do esperado. O desenvolvimento das personagens é também algo limitado, e com demasiados fios soltos no final. Ainda assim, um destaque para o sniper Reiben e o médico Wade.

De resto, e tecnicamente falando, "O Resgate do Soldado Ryan" é, numa só palavra, estonteante. Absolutamente estotenteante. A realização do mestre Spielberg é de um profissionalismo e de uma dedicação sobre-humanas. A sua câmara em cima do ombro confere um realismo asfixiante à obra, e instala-se na mente do espectador, não mais de lá querendo sair. Quem se poderá esquecer do desembarque na praia de Omaha, no dia D, que "inicia as hostilidades"?

A fotografia de Janusz Kaminski dinamiza, a banda-sonora de John Williams aquece e o elenco não descura. Secundários de grande talento, como Barry Pepper, Giovanni Ribisi e Jeremy Davies entregam-se de corpo e alma. A encabeça-los está um Tom Hanks...suportável.

Nada menos do que um trabalho de excelência de Steven Spielberg que, naquilo que lhe compete, não falha em momento algum. Pena o resto...


"We're not here to do the decent thing, we're here to follow fucking orders!"

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Blade Trinity:Perseguição Final/O Homem da Máscara de Ferro


Valha-nos o excelente, ambíguo e desconcertante final da Versão Extendida deste que é um autêntico tiro ao lado, em comparação com o segundo filme (crítica aqui) e uma amostra patética do primeiro (crítica aqui).

A acção é escassa, demasiado estilizada para agradar minimamente, muitíssimo mal filmada por David S. Goyer e muito mal feita (golpes de wrestling e efeitos especiais fracos, mas muito pouco combate credível).

A caracterização das personagens é risível: Blade é agora um preguiçoso convencido que fala muito e faz pouco; Hannibal King é um sidekick demasiado forçado para ter piada; o Drácula (ou será Drake?...) é um hino à labreguice e todo o gang dos vampiros parece demasiado mau para ser verdade.

A história é escrita em cima do joelho e os diálogos são os mesmos do primeiro filme, embora com a ordem das palavras trocada.

Wesley Snipes já não tem a essência que tinha nos filmes anteriores, Ryan Reynolds vai tentando fazer o que lhe compete e Jessica Biel nem precisava de abrir a boca.






É de facto uma pena que a realização de Randall Wallace seja tão má. Não acerta uma e deita fora um elenco brilhante e um argumento repleto de subtilezas e potencial.

Belíssima história, grandes diálogos e exaustiva exploração das personagens que, por sua vez, são personificadas por um elenco de alto gabarito.

Grandes interpretações de John Malkovich, Gérard Depardieu e Jeremy Irons.

Banda-sonora magnífica.

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Blade


"Blade" é, para mim, um filme especial, uma massiva injecção de adrenalina e entretenimento, responsável por quase duas horas de entretenimento nonstop e que se afirma, sem sombra de dúvida para mim, como uma das melhores adaptações da Marvel feitas para o Cinema.

Porque "Blade" tem efectivamente, não só uma série de qualidades como também uma série de virtudes facilmente encontradas... nos seus defeitos.
Em termos qualitativos, "Blade" tem por um ambiente fantástico. Pesado, tenso, negro e adulto, aquilo que se esperaria de um filme de vampiros, mas de forma inegavelmente ( e estranhamente) credível.

Ambiente este que se deve a uma fotografia muito boa, que o torna visualmente apelativo e algo noir durante grande parte da sua duração, bem como um guarda-roupa interessante, uma banda-sonora que se adequa como uma luva e um Wesley Snipes que parece ter mesmo nascido para este papel, de tal forma irrepreensível que faz com que não ocorra ao espectador qualquer outro actor para interpretar o temido caçador de vampiros. Stephen Dorff consegue compensar o seu físico... diminuto com uma postura à altura. Muito competente interpretação.

Mas o melhor trunfo de "Blade" é mesmo a forma como nos apresenta as suas sequências de acção, que privilegiam claramente o estilo em detrimento da substância. E ainda bem! São cenas capazes de me provocarem um brilho nos olhos, transmitindo uma excitação sem fim e um apetite voraz por mais.

Quanto ao argumento, vale maioritariamente pelas one-liners de durão de Blade e por uma exploração surpreendente e louvável da relação deste com Whistler. Apenas na sua recta final (os últimos 30 minutos), "Blade" se deixa realmente arrastar sem glória nenhuma, ainda para mais munido de efeitos especiais quase obscenos...

Mas não há que enganar, "Blade" é um pedaço de estranho Cinema que, para os menos exigentes e mais instintivos, se afirma como um óbvio guilty pleasure. Para mim, é muito simplesmente o meu maior guilty pleasure. Que delícia de filme!


"-You used me as bait?!
-Get over it."

"You give Frost a message from me. You tell him it's open season on all suckheads."

"-There are worse things out tonight than vampires.
-Like what?
-Like me."

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América Proíbida (Crítica brevemente)



"Well, my conclusion is: Hate is baggage. Life's too short to be pissed off all the time. It's just not worth it. Derek says it's always good to end a paper with a quote. He says someone else has already said it best. So if you can't top it, steal from them and go out strong."



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Homem de Ferro/A Máscara de Zorro

Robert Downey Jr. faz as delícias de qualquer cinéfilo e transporta "Homem de Ferro" às costas com uma interpretação verdadeiramente fantástica e que se encarregou ainda de relembrar ao mundo o seu grande talento.
O restante elenco desilude um pouco, sendo o caso de Jeff Bridges o mais lamentável, já que o argumento não é capaz de lhe dar a espessura de que necessitava para se afirmar como um vilão memorável.

O argumento é mesmo a maior debilidade do filme, pois a abordagem diferente e cool dada por Jon Favreau é por demais agradável e inovadora no género, mas não consegue impedir o filme de perder toda a chama na sua recta final.

Fantásticos efeitos especiais, a merecerem o Óscar que foi para "O Estranho Caso de Benjamin Button".
A banda-sonora é irrepreensível e o entretenimento está mais do que garantido.




Belo entretenimento, belo elenco.

Anthony Hopkins está muito, muito bem.

Dispensava-se a faceta mais apalhaçada, porque o argumento tem dramatismo suficiente para se sustentar com base na seriedade.

Algumas sequências transpiram clichés e já se ressentem os anos passados.
Mas nenhuma delas mancha o filme.

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O Príncipe do Egipto


Este filme tem para mim um simbolismo muito especial. Trata-se do primeiro filme que tive o prazer de assistir no Cinema, uma experiência já por si marcante mas que elevava "O Príncipe do Egipto" à categoria de grande obra animada.

Foi de uma forma quase chocante que hoje constatei a falsidade de tal estatuto, já que a sua visualização constituiu uma tremenda desilusão em vários campos.
Não era uma tarefa fácil, a de condensar todo um episódio bíblico da importância do retratado em "O Príncipe do Egipto" num filme, ainda para mais quando tem de se dar uma conversão para o formato animado. Não era uma tarefa fácil... e não foi alcançada.

"O Príncipe do Egipto" é um filme estagnado, com uma fórmula que se esgota muito facilmente, e claramente pressionado para enfiar todos aqueles momentos importantes da história do cristianismo numa brevíssima hora (até meia hora de filme, nada de histórico- ou importante... ou interessante-acontece). Notam-se os avanços repentinos na história e a falta de fluidez na narrativa, e o resultado é um filme que acaba sem darmos por ele.
É uma pena, e não estou feliz com esta conclusão, mas foi o que senti. Uma enorme pressão, falta de liberdade artística e criativa.

Também devido ao próprio tema do filme, só é natural que exista uma carga dramática muito forte e que tentou ser alternada com momentos de aventura, na recta inicial do filme, mas muito mal sucedidos.

Quanto à animação em si, nota-se o pesar dos anos em algumas sequências, no entanto e de uma forma generalizada, "O Príncipe do Egipto" é um filme visualmente encantador e portador, inclusive, de um dos momentos mais memoráveis da história do Cinema animado, a épica divisão do Mar Morto.

Ainda assim, o melhor aspecto de "O Príncipe do Egipto" é a fantástica banda-sonora a cargo de Hans Zimmer, belíssima, poética, hipnótica e realmente épica. Um trabalho tocante e profundo, e que tem o seu auge na magnífica canção "When You Believe" (vencedora do Óscar de Melhor Canção Original).

Independentemente de tudo isto, fiquei muitíssimo decepcionado com esta revisão de "O Príncipe do Egipto". Uma sensação de pressão manteve-se durante todo o filme, no entanto, não será com isto que "O Príncipe do Egipto" irá perder a importância que tem na minha vida. Eis um filme que, mais do que muitos outros, merecerá uma nova oportunidade em breve.

Resta saber ainda porque razão o Canal Hollywood transmitiu esta obra, não na sua versão original, mas dobrada em português. Até o Hollywood?

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Missão: Impossível/Romance Perigoso


Num filme cujo título é "Missão: Impossível", o espectador não pode esperar, à partida, muito realismo na trama. Pode esperar, sim, a habitual trama de espionagem, ligeiramente complexa e ligeiramente mal fundamentada. Algo típico neste género de filmes, onde o dinheiro é razão para o bom virar mau.

Custa também um pouco ver como Brian De Palma se foca demasiado em Tom Cruise para ignorar um elenco secundário tão sonante.
Jon Voight, Kristin Scott Thomas, Jean Reno ou Ving Rhames são nomes que desfilam em volta de Cruise, mas sem se tornarem realmente marcantes. Pouco tempo de antena, personagens demasiado ocas (típicas dos anos 90) ou ambos, são as causas para a falta de imposição do elenco secundário.

Menos mal que o protagonista é Tom Cruise, símbolo de estilo e que se dá ao luxo de conseguir uma interpretação muito capaz, num registo irónico e algo arrogante.

Apesar da sua premissa aparentemente inteligente, "Missão: Impossível" é um filme para ver com o cérebro desligado. Um dos melhores do seu género, nos anos 90.


"Anonimity... is like a warm blanket."




"Romance Perigoso" é uma espécie de balão-de-ensaio para "Ocean's Eleven" (crítica aqui). Steven Soderbergh peca apenas por duas coisas. A primeira é a indecisão entre fazer um filme romântico, um thriller de assaltos, um buddy-movie, um policial ou uma comédia. "Romance Perigoso" corre estes géneros todos, conseguindo pedacinhos deliciosos de todos eles, mas sem se fixar realmente em nenhum. Falta coerência à realização.
O segundo erro chama-se Jennifer Lopez. Antes de mais, quem lhe disse que era actriz, enganou-a bem. Até mete dó vê-la no meio de tão talentoso elenco. Além disto, e para o papel que deveria representar (o de feeme fatale meets bad-ass), Lopez deixa muito a desejar, já que não está minimamente atraente (quilos e maquilhagem a mais).

Erros que parecem pouco, quando comparados com outros aspectos. O argumento é excelente, divertido mas a explorar muito bem a vertente romântica sem se tornar lamechas ou cliché.
Lopez também não estraga muito, já que o filme é de George Clooney. Competentíssima interpretação a criar empatia com o público. Quando não é de Clooney, é de Ving Rhames, de Don Cheadle, de Steve Zahn (hilariante) ou de Albert Brooks.

Uma palavra final para o cameo de Samuel L. Jackson e a banda-sonora, juntamente com a recomendação total por parte deste vosso escriba, isto se quiserem passar um bom momento de cinema.


"Now that I can say that I fucked a U.S. Marhall, do you think I will?"

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Uma Questão de Nervos/Nome de Código:Mercúrio


Paul Vitti(Robert De Niro) é o chefe da máfia de Nova Iorque,que está actualmente a sofrer um distúrbio emocional e precisa da ajuda do psiquiatra Ben Sobel(Billy Crystal).
Sendo o cinema já tão farto de filmes sobre a máfia,como a trilogia "O Padrinho",o realizador Harold Ramis achou por bem realizar uma espécie de spoof movie aos filmes da máfia.E,devo dizer,o resultado final é bem sucedido.
Apesar de,por vezes,o argumento ir por caminhos demasiado apalhaçados,também abundam as piadas inteligentes,as situações(realmente) cómicas e a presença de uma relação paciente/doutor cativante.

"Uma Questão de Nervos" trunfa ainda pelo seu duo de protagonistas.De Niro consegue voltar aos seus melhores dias.Crystal é sempre uma presença simpática e muito cómica.
No geral,"Uma Questão de Nervos" é uma boa comédia,que prima sobretudo pela inteligência e alguma inovação.
Nota-3.5*

O Melhor-Os protagonistas.

O Pior-Alguma parvoíce que estraga o filme.






Um agente do FBI,terá de proteger uma criança autista que consegue decifrar um código secreto.

Aqui está uma fita de acção que pouco ou nada acrescenta à formula.Entretém mas não deslumbra,Bruce Willis repete o seu papel do costume e Alec Baldwin merecia mais protagonismo.

Destaque para a relação entre a criança e o seu protector e um final copiado de "Die Hard-Assalto ao Arranha-Céus".
Nota-3*
O Melhor-A relação entre o polícia e a criança.

O Pior-Um filme que não se destaca em nada.
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The Truman Show-A Vida em Directo


Truman Burbank(Jim Carrey) descobre que toda a sua vida é um reality show...

É do conhecimento geral que os reality shows são os programas que mais audiência atraem,sobretudo pela total falta de privacidade neles existente.Já imaginaram viverem toda a vossa vida num deles?Parecendo,à partida,uma visão tão ridícula e improvável do nosso mundo,como sermos todos vítimas de um programa de computador,a visão que Peter Weir nos apresenta em "The Truman Show-A Vida em Directo" é tão credível com a dos irmãos Wachwoski em "Matrix".
Como protagonista da fita,temos o rotulado Carrey,que surpreendeu meio mundo com a sua interpretação que lhe valeu o Globo de Ouro de Melhor Actor Drama,conquistado a estrelas como Tom Hanks ou Nick Nolte.Curiosamente,Carrey falhou a nomeação pela academia.Quanto a mim,penso que é uma boa prestação mas estava à espera de melhor.Como secundários,temos ainda Ed Harris,Paul Giamatti e Laura Linney,todos bem nos seus papéis,especialmente o primeiro.

O trabalho de Peter Weir proporciona-nos o melhor e o pior do filme.Por um lado,a forma como todo aquele universo está idealizado de uma forma magnífica,bem como os planos captados,que dão mesmo a ideia de se tratar de um reality show,são um delírio para todos.

Weir peca então pela sua abordagem demasiado lenta,que tem como consequência uma primeira meia hora demasiado parada e o aparecimento de Ed Harris com quase uma hora de filme.

No geral,"The Truman Show-A Vida em Directo" é um filme bastante interessante e que recomendo,quanto mais não seja,para verem outra faceta de Jim Carrey.


Nota-4*

O Melhor-A câmara de Peter Weir.

O Pior-Uma abordagem parada.
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