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Ocean's Eleven


Era necessário um verdadeiro punho de ferro -e igualmente sólido talento- para transformar "Ocean's Eleven" num grande filme e não num desfile de estrelas.
É na frescura e jovialidade de Steven Soderbergh que este talento foi depositado.

Soderbergh tem à sua disposição elementos indispensáveis para a obtenção da qualidade desejada, começando, desde já, pelo magnífico escrito de Ted Griffin. Nunca um heist movie nos pareceu tão credível, tão realista, tão diferenciado de todos os outros. Aqui está a prova de que não são necessárias grandes cenas de acção, "apenas" diálogos verdadeiramente avassaladores e uma palete de personagens inesquecível e extremamente variada.

Recorde-se, por exemplo, a complexidade e abrangência da descrição feita por Rusty (o papel para o qual Brad Pitt nasceu) a Danny (George Clooney) do grupo ideal de profissionais necessários para a realização do assalto, ou do magnífico, verdadeiramente magnífico diálogo entre Danny e Tess (Julia Roberts), no seu primeiro encontro:

"-Does he make you laugh?
-He doesn't make me cry."

Para além disto, o argumento de Griffin dissimula pequenos e delicados apontamentos de um grande e delicioso humor. Humor infinitamente mais eficaz e menos "brejeiro" do que o que nos é apresentado, por exemplo, por "Scary Movie- Um Susto do Filme" (crítica aqui) e que constituem a faceta do entretenimento que "Ocean's Eleven" proporciona de forma tão categórica.

O segundo elemento fundamental é a banda-sonora de David Holmes. É impressionante, o encaixe perfeito entre o filme e a maior parte das sequências musicais. A banda-sonora transpira o ambiente descontraído e o sentido de coolness visto no filme, e parece fazer ecoar na nossa mente os nomes de, por exemplo, Brad Pitt ou até mesmo Las Vegas.

E, finalmente, o elenco, o grande e majestoso elenco, a maior junção de grandes estrelas do Cinema nos últimos 10 anos, pelo menos. Mas mais impressionante do que tamanho aglomerado de grandes actores, é a constatação de que todos são soberbamente dirigidos por Soderbergh, que dá a cada um destes actores o necessário espaço para brilhar.

Os elementos que mais se destacam são, inevitavelmente, os protagonistas George Clooney e Brad Pitt. Pitt, em particular, está mais com mais estilo do que nunca. E o melhor? É que a substância também não é descurada.
A merecer destaque está também Andy Garcia, naquela que é a melhor interpretação de toda a sua carreira.
O restante elenco está, sem nenhum tipo de excepção, fantástico. Que direcção de actores brilhante.

"Ocean's Eleven" recorda-me ainda "Blade Runner", pela forma tão magistral como Steven Soderbergh realiza, ocultando e mascarando a sua genialidade nas mais diversas cenas e fazendo de "Ocean's Eleven" uma obra com pormenores a descobrir com cada nova visualização.

A lente de Soderbergh capta de tudo, desde o humor, passando pela intriga e até algum drama.O sentido de estilo, o ritmo rápido mas nunca precipitado, a cintilante fotografia e a manipulação feita ao espectador, quando consagrados com os aspectos já referidos, fazem de "Ocean's Eleven" um dos melhores filmes que já vi, bem como o heist movie por excelência.


"You guys are pros. The best. I'm sure you can make it out of the casino. Of course, lest we forget, once you're out the front door, you're still in the middle of the fucking desert!"

"-I always confuse Monet and Manet. Now which one married his mistress?
-Monet.
-Right, and then Manet had syphilis.
-They also painted occasionally."

"-You're a thief and a liar.
-I only lied about being a thief, I don't do that anymore.
-Steal?
-Lie.
-I'm with someone who doesn't have to make that kind of distinction.
-No, he's very clear on both."



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Ocean's Twelve/Con Air- Fortaleza Voadora


As fantásticas personagens do primeiro filme, não passam aqui de meras caricaturas.

O argumento é chato e sustêm-se com base no humor. E o tipo de humor aqui apresentado deveria ser utilizado, apenas e só, como complemento. Nunca como base na história.

O desperdício do elenco é claro. "Ocean's Twelve" tem George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Catherine Zeta-Jones e Vincent Cassel.
E uma dúzia de secundários que vão aparecendo pelo meio.





O elenco é a grande mais valia. Nicolas Cage está seguríssimo e John Malkovich é um excelente vilão.

De resto, é o típico filme de acção dos anos 90, para ver com o cérebro desligado. Claro que, às vezes, "Con Air- Fortaleza Voadora" ultrapassa os limites do ridículo...

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Missão: Impossível/Romance Perigoso


Num filme cujo título é "Missão: Impossível", o espectador não pode esperar, à partida, muito realismo na trama. Pode esperar, sim, a habitual trama de espionagem, ligeiramente complexa e ligeiramente mal fundamentada. Algo típico neste género de filmes, onde o dinheiro é razão para o bom virar mau.

Custa também um pouco ver como Brian De Palma se foca demasiado em Tom Cruise para ignorar um elenco secundário tão sonante.
Jon Voight, Kristin Scott Thomas, Jean Reno ou Ving Rhames são nomes que desfilam em volta de Cruise, mas sem se tornarem realmente marcantes. Pouco tempo de antena, personagens demasiado ocas (típicas dos anos 90) ou ambos, são as causas para a falta de imposição do elenco secundário.

Menos mal que o protagonista é Tom Cruise, símbolo de estilo e que se dá ao luxo de conseguir uma interpretação muito capaz, num registo irónico e algo arrogante.

Apesar da sua premissa aparentemente inteligente, "Missão: Impossível" é um filme para ver com o cérebro desligado. Um dos melhores do seu género, nos anos 90.


"Anonimity... is like a warm blanket."




"Romance Perigoso" é uma espécie de balão-de-ensaio para "Ocean's Eleven" (crítica aqui). Steven Soderbergh peca apenas por duas coisas. A primeira é a indecisão entre fazer um filme romântico, um thriller de assaltos, um buddy-movie, um policial ou uma comédia. "Romance Perigoso" corre estes géneros todos, conseguindo pedacinhos deliciosos de todos eles, mas sem se fixar realmente em nenhum. Falta coerência à realização.
O segundo erro chama-se Jennifer Lopez. Antes de mais, quem lhe disse que era actriz, enganou-a bem. Até mete dó vê-la no meio de tão talentoso elenco. Além disto, e para o papel que deveria representar (o de feeme fatale meets bad-ass), Lopez deixa muito a desejar, já que não está minimamente atraente (quilos e maquilhagem a mais).

Erros que parecem pouco, quando comparados com outros aspectos. O argumento é excelente, divertido mas a explorar muito bem a vertente romântica sem se tornar lamechas ou cliché.
Lopez também não estraga muito, já que o filme é de George Clooney. Competentíssima interpretação a criar empatia com o público. Quando não é de Clooney, é de Ving Rhames, de Don Cheadle, de Steve Zahn (hilariante) ou de Albert Brooks.

Uma palavra final para o cameo de Samuel L. Jackson e a banda-sonora, juntamente com a recomendação total por parte deste vosso escriba, isto se quiserem passar um bom momento de cinema.


"Now that I can say that I fucked a U.S. Marhall, do you think I will?"

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