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Um Peixe Chamado Wanda/Terminal de Aeroporto


Falta de contenção: o eterno problema que sempre assombrou os Monty Phyton, cuja natureza domina, obviamente (ou não fossem dois dos protagonistas do filme, membros do grupo britânico), este "Um Peixe Chamado Wanda".

E, tal como seria de esperar, também a falta de contenção marca a fita, com a ténue linha entre a comédia e a estupidez a ser quebrada, por mais do que uma vez.

Kevin Kline está bem no seu estranho papel. Óscar? Não me parece.
Não o mereciam, muito mais, John Cleese e Jamie Lee Curtis?

E fica uma outra questão: qual a relevância do peixe, de nome Wanda, para a história?





Um feel-good movie, sem sombra de dúvida e que, quanto a mim, nos dá a melhor interpretação da carreira de Tom Hanks.
Aliás, de um modo geral e com excepção de Catherine Zeta-Jones, todo o elenco está acima da média.

Steven Spielberg faz o que quer daquele aeroporto, e só um mestre na sua arte obteria momentos tão bem conseguidos como os que vi.
É mesmo o argumento que deita tudo a perder, sobretudo a credibilidade do filme.
Vilões, interesses amorosos, histórias secundárias e a metamorfose da personagem principal, de homem prestável e simpático num autêntico autista.
Não era preciso tanto.

Fosse "Terminal de Aeroporto" uma curta-metragem e quem sabe...

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Apanha-me se Puderes


É um problema que Steven Spielberg está constantemente a enfrentar: é responsável por filmes tão bons, que quando tenta optar pela discrição é de imediato acusado de ter perdido os seus talentos. "A Guerra dos Mundos" (crítica aqui), por exemplo, é um bom filme que sofreu com este problema.

"Apanha-me se Puderes" é de facto um filme menor na carreira de Steven Spielberg. Foi uma espécie de brincadeira, um feel-good movie sobre um vigarista, com toques cómicos e dramáticos. Não é um mau filme de todo, apenas por comparação.

A história em si é interessante mas não apaioxanante. O argumento tem trechos em que cativa mais e outros em que cativa menos, debruçando-se de forma delicada mas desequilibrada sobre os momentos e figuras da vida de Frank Abagnale (é dado muito mais espaço ao se pai do que à mãe).

Leonardo DiCaprio não tem de se esforçar muito para fazer de rapazinho-um rapazinho vigarista mas um rapazinho- e Christopher Walken está bastante bem numa cena específica (a do almoço com Frank), mas no cômputo geral não justifica a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Quem mais me surpreendeu foi Tom Hanks, com uma performance a roçar a comicidade e claramente mais desafiadora para o actor, de quem não gosto particularmente.

John Williams parecia ter voltado aos seus velhos tempos, mas apenas o tema principal do filme fica no ouvido.
Filme este que, apesar de não ser nada mau, deixa muito a desejar para a equipa técnica que possui.


"-Well, would you like to hear me tell a joke?
-Yeah, we'd love to hear a joke from you.
-Knock knock.
-Who's there?
-Go fuck yourselfes!"

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O Resgate do Soldado Ryan


Apesar de tudo, é óbvio e inegável: "O Resgate do Soldado Ryan" está longe de ser o melhor filme da carreira de Steven Spielberg. Embora uma belíssima incursão no género, o seu primor técnico não é o suficiente para disfarçar o limitadíssimo argumento.

"O Resgate do Solado Ryan" é de um desenrolar gradual, a espaços aborrecido, e levanta bem menos questões do que aquelas que poderia, parecia, e deveria levantar. A sua premissa é simples, é certo, mas o seu desenvolvimento fica bem aquém do esperado. O desenvolvimento das personagens é também algo limitado, e com demasiados fios soltos no final. Ainda assim, um destaque para o sniper Reiben e o médico Wade.

De resto, e tecnicamente falando, "O Resgate do Soldado Ryan" é, numa só palavra, estonteante. Absolutamente estotenteante. A realização do mestre Spielberg é de um profissionalismo e de uma dedicação sobre-humanas. A sua câmara em cima do ombro confere um realismo asfixiante à obra, e instala-se na mente do espectador, não mais de lá querendo sair. Quem se poderá esquecer do desembarque na praia de Omaha, no dia D, que "inicia as hostilidades"?

A fotografia de Janusz Kaminski dinamiza, a banda-sonora de John Williams aquece e o elenco não descura. Secundários de grande talento, como Barry Pepper, Giovanni Ribisi e Jeremy Davies entregam-se de corpo e alma. A encabeça-los está um Tom Hanks...suportável.

Nada menos do que um trabalho de excelência de Steven Spielberg que, naquilo que lhe compete, não falha em momento algum. Pena o resto...


"We're not here to do the decent thing, we're here to follow fucking orders!"

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Parque Jurássico


Sou um franco adepto da vertente mais mágica e leviana do Cinema. Não obstante a face mais séria e de carácter reflectivo mais evidente da 7.ª Arte, prefiro claramente ser transportado para a fábrica de sonhos que Hollywood tão bem personifica. Inúmeros exemplos deste género de filmes surgem anualmente, no entanto e se tivesse de eleger um exemplo supremo de uma obra capaz de garantir o mais puro e qualitativo entretenimento, essa obra seria "Parque Jurássico".

"Parque Jurássico" foi um dos maiores sucessos de bilheteira, não só da carreira de Steven Spielberg, mas também da história do Cinema. No entanto, hoje em dia, não consigo evitar olhá-lo como algo (muito, talvez) subvalorizado. O que é uma pena.
Eu não vivi o fenómeno "Parque Jurássico". Não fui atingido pelo hype em torno desta obra, nem tão pouco o fui na minha primeira visualização da fita de Spielberg.

Foram necessárias várias vezes para me aperceber da real questão: viver. Este não é um filme para se ver, mas um filme para se viver. E agora, finalmente e depois de muitas visualizações, eu consigo viver "Parque Jurássico".

E que vivência. Que aventura. "Parque Jurássico" é aquele trabalho que todos classificam como sendo o mais light da carreira de Steven Spielberg. E a questão que se coloca é: em que medida essa leveza (que é clara, a todo e qualquer nível, ainda para mais quando comparado com uma obra de Spielberg do mesmo ano, "A Lista de Schindler") interfere na qualidade de "Parque Jurássico"? Em medida alguma.

Steven Spielberg realiza de forma irrepreensível e inspirada, embora não atinja em nenhum momento o registo da obra já referida, experimentando de forma muito bem sucedida os mais variados registos que vão desde o suspense, passando pela comédia até à mais genuína aventura. Gosto especialmente da forma como Spielberg introduz a chegada do T-Rex (personificada de forma deliciosa neste curioso poster -"roubado" do blogue Six Degrees of Separation- que aqui vos deixo) ou os cativantes jogos de sombras em que Spielberg tenta ser o menos explícito possível. Enfim, o patamar qualitativo a que estamos habituados.

A colaborar com Spielberg está John Williams que, uma vez mais, nos .presenteia com uma banda-sonora verdadeiramente inesquecível. Lindíssima e extasiante, sempre adequada e muito diversificada.

O elenco é igualmente fabuloso. O elemento menos bom talvez seja o protagonista Sam Neill, no entanto, actores como Laura Dern ou Richard Attenborough compensam. Ainda assim, a melhor interpretação cabe a Jeff Goldblum que, para além de criar um dos melhores personagens dos anos 90, rouba sem dificuldade todas as cenas em que entra. Grande, grande interpretação.

O principal busílis de "Parque Jurássico" é o seu argumento. Levanta questões interessantes, mas perde o seu rumo e deixa que a intriga se esfume na segunda metade. É pena, mas Steven Spielberg consegue agarrar-nos até ao fim. Para além disto, a primeira metade em si vale por todo o filme.

E que filme. Que grande filme. Para se viver, não para se ver.


"The lack of humility before nature that's being displayed here, staggers me."

"Dr. Grant, my dear Dr. Sattler. Welcome to Jurassic Park."

"I'll tell you the problem with the scientific power that you're using here: it didn't require any discipline to attain it. You read what others had done and you took the next step. You didn't earn the knowledge for yourselves, so you don't take any responsibility... for it. You stood on the shoulders of geniuses to accomplish something as fast as you could and before you even knew what you had you patented it and packaged it and slapped it on a plastic lunchbox, and now you're selling it, you want to sell it!"

"Remind me to thank John for a lovely weekend."

"Boy, do I hate being right all the time..."

"What is so great about discovery? It is a violent, penetrative act that scars what it explores. What you call discovery, I call... rape of the natural world."

"What've they got in there, King Kong?"



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O Mundo Perdido:Parque Jurássico


Era inevitável, depois do mega-sucesso de "Parque Jurássico", que uma sequela não fosse feita para tentar fazer render o franchise. O que joga a favor deste filme(e que não o faz, por exemplo, no terceiro) é que é Steven Spielberg quem está ao volante, garantindo o entretenimento, a qualidade e(ainda)a originalidade.

O argumento é interessante e coeso, apesar da narrativa assumir por vezes um ritmo lento e, tal como no filme anterior, a perder-se na segunda metade.
A realização é muito competente como sempre, com destaque para alguns planos especialmente bem conseguidos(nomeadamente os da sombra do T-Rex) e a banda-sonora é, provavelmente, o único aspecto de "O Mundo Perdido:Parque Jurássico" que supera o seu antecessor.

No elenco, Vince Vaughn surpreende, Juliane Moore confirma, mas é Jeff Goldblum quem rouba(outra vez!) todas as cenas. Pete Postlethwaite está também muito bem.

"O Mundo Perdido:Parque Jurássico"
é entretenimento ao mais alto nível e não deixa ficar mal o seu predecessor.


" Oh, yeah. Oooh, ahhh, that's how it always starts. Then later there's running and screaming."

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Homem-Aranha 3/Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Vem à mente o terceiro capítulo da saga "Piratas das Caraíbas": muita parra, mas pouca uva.
Estão lá os fabulosos efeitos especiais (só a sequência do nascimento de Sandman merecia o Óscar que foi parar a "A Bussola Dourada"), estão lá 10 000 enredos e sub-enredos, está lá a duração excessiva (uma consequência dos 10 000 enredos e sub-enredos) e de regresso estão apenas os problemas no elenco.

Os actores que não são erros crassos de casting (Thomas Haden Church, Bryce Dallas Howard, James Franco e o sempre excelente J.K. Simmons) são desperdiçados até mais não.
Restam "os outros", encabeçados pelo insosso Elijah Wo... quer dizer, Tobey Maguire.

E que momentos foram aqueles em que vimos Maguire a dançar pelas ruas de Nova Iorque, com um penteado ridículo? Mas está tudo doido?!

Funcionará como entretenimento, nada mais.





O defeito não será com certeza a falta de realismo de algumas sequências, muito pelo contrário, já que se trata de feitio da saga Indiana Jones.
O verdadeiro problema é o decréscimo de qualidade ao fim da primeira meia hora.

Como é possível que, com todos os seus recursos, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" seja um filme tão aborrecido quanto simplório? Adivinharíamos que era Steven Spielberg na cadeira de realizador, se não tivéssemos visto o filme desde o início?

Vale pela cumplicidade entre Harrison Ford e Shia LaBeouf.

Funcionará como entretenimento, nada mais.

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Encontros Imediatos do 3.º Grau-Especial Steven Spielberg


Após uma série de estranhos acontecimentos que podem estar relacionados com seres de outro mundo, um grupo de pessoas começa a ter visões acerca de uma montanha muito característica.

Quem disse que a inexperiência é sinónimo de um trabalho menos bom, nunca viu Steven Spielberg em acção. Com este "Encontros Imediatos do 3.º Grau", Spielberg atinge um dos melhores trabalhos da sua carreira.Aliás, foi com este filme que Spielberg conseguiu a sua primeira nomeação para o Óscar de melhor realizador.

Este é um filme muito bom, que mistura(e supera) na perfeição tanto a magia de "E.T-O Extra-terrestre" como o suspense de "A Guerra dos Mundos", tornando-se a melhor(e curiosamente a primeira) incursão de Spielberg pela ficção científica, bem como um dos melhores filmes do realizador.

Outros aspectos a destacar são as interpretações dos protagonistas,Richard Dreyfuss("Tubarão") e Melinda Dillon("Magnólia"), sendo que a segunda foi mesmo nomeada para o Óscar de Melhor Actriz Secundária.
Também a banda sonora de John Williams está bastante bem, ainda que pouco utilizada.

Nota:4,5*

O Melhor- A magia transmitida pelo filme, em grande parte, por "culpa" da realização de Steven Spielberg.

O Pior- O facto de já ser um filme bastante antigo(31 anos), apesar dos grandes clássicos serem intemporais.
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A Guerra dos Mundos-Especial Steven Spielberg

Um pai desleixado(Tom Cruise) tem os dois filhos(Dakota Fanning e Justin Chatwin) em casa,durante o fim-de-semana. Tudo se complica quando, súbitamente, a Terra é invadida por alienígenas, obrigando esta família incompleta a lutar pela sobrevivênçia...

No Verão de 2005, eis que Steven Spielberg nos apresenta a sua versão do clássico de H.G. Wells,"A Guerra dos Mundos". As opiniões divergem acerca deste filme,sendo que a maioria o classifica como "um fracasso". Mas eu não penso assim.


É claro que não o classificaria como um grande filme ainda para mais neste género cinematográfico(ficção científica), onde Spielberg já tanto fez.

Contudo, o filme cumpre com o que lhe é pedido:entreter. Mas "A Guerra dos Mundos" é mais do que isso. Para além de possuir muita qualidade, para um blockbuster, o filme ofereçe-nos uma simples e comum história das dificuldades de um homem para lidar com os seus dois filhos adolescentes(tarefa esta que é, por acaso, complicada devido a uma invasão alienígena). Claro que uma história assim não deveria atrair muita gente, mas é aqui que residem os principais "trunfos" do filme.

Quando a boa realização de Spielberg se alia às excelentes interpretações do elenco, o resultado é realmente "uma delícia".E no elenco, o destaque vai todo para três actores, tão diferentes mas tão compactíveis.

Tom Cruise e Dakota Fanning que nos ofereçem interpretações ao mais alto nível, atingindo o seu auge nos momentos mais dramáticos da película. Cruise está mesmo muito impressionante, atingindo o seu melhor registo de há vários anos atrás. Também Tim Robbins brilha, ainda que numa posição secundária, sendo as cenas em que os três contracenam das melhores de todo o filme.


Como pontos menos positivos, é de referir a banda-sonora de John Williams, um pouco aquém do esperado(fomos mal habituados). Já o final "feliz" do fime não é o mais apropriado, sendo que um pouco mais de drama adicionado ao mesmo, não ficaria nada mal...


Nota: 4*


O Melhor- A interpretação de Tom Cruise.


O pior- O final "feliz".


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A Lista de Schindler-Especial Steven Spielberg

O filme conta a história verídica de Oskar Schindler(Liam Neeson), membro do partido nazi, que salvou a vida a mais de 1100 judeus, durante o Holocausto.

"A Lista de Schindler" é, sem margem para dúvida, o melhor filme e o melhor trabalho da carreira de Steven Spielberg. Aqui, ninguém falha, todos estão muito bem.


Desde o fantástico elenco, onde quem se destaca é Ralph Fiennes que consegue a melhor interpretação do filme,embora secundária, seguido quase imediatamente por Liam Neeson, que consegue,certamente, a melhor interpretação da sua carreira.O resto do elenco também está muito bem, apesar do galardoado pela Academia Ben Kinglsey nos apresentar uma interpretação por vezes insuficiente e apagada, nos momentos mais dramáticos do filme.


Referindo agora o trabalho mais técnico, que não deixa de ser muito importante e,aqui, muito notado devido à sua excelência.

Por onde começar?
Talvez por Spielberg, que tem aqui o melhor trabalho de realização que já nos ofereceu.Uma realização calma e serena,com garra, que evidencia muita versatilidade, quer nas cenas mais violentas, quer nas mais calmas.

Existem também dois outros aspectos técnicos que têm de ser referidos: A fabulosa banda sonora de John Williams, a melhor da sua carreira,(peço desculpa de repetir isto, mas eles estão realmente quase todos no auge de carreira) extremamente triste e dramática que nos aperta o coração nos momentos mais infelizes e ,claro, a fabulosa fotografia a preto e branco do polaco Janusz Kaminski.


É,no geral, um filme imperdível, que nos apresenta grandes interpretações, uma fabulosa realização, uma comovente banda-sonora e uma excelente fotografia.


Nota:5*


O Melhor-A realização de Spielberg,as interpretações de Fiennes e Neeson, a banda sonora de Williams e a fotografia de Kaminski.


O Pior:Ben Kingsley,por vezes, e a parte do final,a cores, que se assemelha a um documentário, tirando um pouco de magia ao filme.
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