
Sou um franco adepto da vertente mais mágica e leviana do Cinema. Não obstante a face mais séria e de carácter reflectivo mais evidente da 7.ª Arte, prefiro claramente ser transportado para a fábrica de sonhos que Hollywood tão bem personifica. Inúmeros exemplos deste género de filmes surgem anualmente, no entanto e se tivesse de eleger um exemplo supremo de uma obra capaz de garantir o mais puro e qualitativo entretenimento, essa obra seria "Parque Jurássico".
"Parque Jurássico" foi um dos maiores sucessos de bilheteira, não só da carreira de Steven Spielberg, mas também da história do Cinema. No entanto, hoje em dia, não consigo evitar olhá-lo como algo (muito, talvez) subvalorizado. O que é uma pena.
Eu não vivi o fenómeno "Parque Jurássico". Não fui atingido pelo hype em torno desta obra, nem tão pouco o fui na minha primeira visualização da fita de Spielberg.
Eu não vivi o fenómeno "Parque Jurássico". Não fui atingido pelo hype em torno desta obra, nem tão pouco o fui na minha primeira visualização da fita de Spielberg.
Foram necessárias várias vezes para me aperceber da real questão: viver. Este não é um filme para se ver, mas um filme para se viver. E agora, finalmente e depois de muitas visualizações, eu consigo viver "Parque Jurássico".
E que vivência. Que aventura. "Parque Jurássico" é aquele trabalho que todos classificam como sendo o mais light da carreira de Steven Spielberg. E a questão que se coloca é: em que medida essa leveza (que é clara, a todo e qualquer nível, ainda para mais quando comparado com uma obra de Spielberg do mesmo ano, "A Lista de Schindler") interfere na qualidade de "Parque Jurássico"? Em medida alguma.
Steven Spielberg realiza de forma irrepreensível e inspirada, embora não atinja em nenhum momento o registo da obra já referida, experimentando de forma muito bem sucedida os mais variados registos que vão desde o suspense, passando pela comédia até à mais genuína aventura. Gosto especialmente da forma como Spielberg introduz a chegada do T-Rex (personificada de forma deliciosa neste curioso poster -"roubado" do blogue Six Degrees of Separation- que aqui vos deixo) ou os cativantes jogos de sombras em que Spielberg tenta ser o menos explícito possível. Enfim, o patamar qualitativo a que estamos habituados.
A colaborar com Spielberg está John Williams que, uma vez mais, nos .presenteia com uma banda-sonora verdadeiramente inesquecível. Lindíssima e extasiante, sempre adequada e muito diversificada.
O elenco é igualmente fabuloso. O elemento menos bom talvez seja o protagonista Sam Neill, no entanto, actores como Laura Dern ou Richard Attenborough compensam. Ainda assim, a melhor interpretação cabe a Jeff Goldblum que, para além de criar um dos melhores personagens dos anos 90, rouba sem dificuldade todas as cenas em que entra. Grande, grande interpretação.
O principal busílis de "Parque Jurássico" é o seu argumento. Levanta questões interessantes, mas perde o seu rumo e deixa que a intriga se esfume na segunda metade. É pena, mas Steven Spielberg consegue agarrar-nos até ao fim. Para além disto, a primeira metade em si vale por todo o filme.
E que filme. Que grande filme. Para se viver, não para se ver.
"The lack of humility before nature that's being displayed here, staggers me."
"Dr. Grant, my dear Dr. Sattler. Welcome to Jurassic Park."
"I'll tell you the problem with the scientific power that you're using here: it didn't require any discipline to attain it. You read what others had done and you took the next step. You didn't earn the knowledge for yourselves, so you don't take any responsibility... for it. You stood on the shoulders of geniuses to accomplish something as fast as you could and before you even knew what you had you patented it and packaged it and slapped it on a plastic lunchbox, and now you're selling it, you want to sell it!"
"Remind me to thank John for a lovely weekend."
"Boy, do I hate being right all the time..."
"What is so great about discovery? It is a violent, penetrative act that scars what it explores. What you call discovery, I call... rape of the natural world."
"What've they got in there, King Kong?"
"Dr. Grant, my dear Dr. Sattler. Welcome to Jurassic Park."
"I'll tell you the problem with the scientific power that you're using here: it didn't require any discipline to attain it. You read what others had done and you took the next step. You didn't earn the knowledge for yourselves, so you don't take any responsibility... for it. You stood on the shoulders of geniuses to accomplish something as fast as you could and before you even knew what you had you patented it and packaged it and slapped it on a plastic lunchbox, and now you're selling it, you want to sell it!"
"Remind me to thank John for a lovely weekend."
"Boy, do I hate being right all the time..."
"What is so great about discovery? It is a violent, penetrative act that scars what it explores. What you call discovery, I call... rape of the natural world."
"What've they got in there, King Kong?"






