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Doom- Sobrevivência



Numa estação espacial no planeta Marte algo corre mal. Os cientistas morrem. É chamado um grupo de marines para ver o que se passa. Marines descobrem que o que eles pensavam que se passava não é na verdade o que se passa mesmo. Pelo meio? Tiros, monstros, zombies e etc. Mas tudo apenas para maiores de 12 anos!

Terror espacial sempre foi um conceito que me agradou muito, quer no campo no cinema, quer no campo dos videojogos.Desde o tempo em que jogava Alien Trilogy (na altura ainda era uma trilogia) na Sega Saturn, até aos dias de hoje em que consumo Dead Space na PS3.Adoro a saga Alien bem como o primeiro "Predador". E apesar de claramente inferiores, acabo por não detestar outros títulos mais fracos como "Alien vs Predador 2".
Ora "Doom- Sobrevivência" vem inserir-se claramente neste meio. Trata-se da adaptação cinematográica do jogo Doom, a primeira experiência de First Person Shooter no mundo dos videojogos (curiosamente a estrear também na Sega Saturn).

No entanto, "Doom- Sobrevivência" é um filmezito sofrível e muito pouco profissional, que apenas poderá entreter com o cérebro bem desligado. O conceito de terror espacial passa a tiroteio espacial (devido à classificação para M/12, não há gore, violência ou suspense), os efeitos especiais são rascas, a realização é péssima e o elenco é pobre, inexperiente e em piloto automático.
E tudo isto banhado numa overdose de clichés que chega a ser ridícula (como exemplo temos o grupo de marines, onde há espaço para todos os estereótipos, desde O Tarado, passando pelo Fanático Religioso até ao Novato).

Salva-se The Rock que apesar de ter mais carisma do que talento arranca alguns bons momentos, e a cena FPS que impressiona mais pela inovação do que pela qualidade.

E um parágrafo ainda para a colossal banda-sonora de Clint Mansell, que sustenta muitas cenas-chave do filme, triunfando pela diferença e beleza. O final, por exemplo, é muitíssimo bem conseguido graças a este aspecto fulcral

Se encarado como entretenimento, "Doom- Sobrevivência" está dentro dos limites do aceitável. Fora isso, esqueçam.


"Semper fi, motherfucker."

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King Kong


Um projecto de amor. De amor ao Cinema, de amor à Arte, de um profundo, tocante e indisfarçável amor à história do gorila gigante e da linda mulher.Também esta, uma história de amor. E é este amor de Peter Jackson por esta história que, simultaneamente a meu ver, eleva e aniquila "King Kong".

Por um lado, a realização de Jackson é soberba pela forma apaixonante como se entrega à história, pela forma como pretende contá-la toda, de forma pausada, sem pressas e sem facilitismos, explicar a cada uma das pessoas que assiste a este "King Kong", o porquê desta adoração profunda. Nada é deixado para trás, por mostrar ou por sentir. Quer sejam os longos momentos de contemplação entre Ann e Kong, a relação paternal entre Mr. Hayes e Jimmy, ou o modo como Carl Denham descarta os seus "amigos" mediante a necessidade, caso de Jack Driscoll, por exemplo.

O problema de "King Kong" reside, igualmente, neste amor...infelizmente para os espectadores, quase sem limites, e que torna este um filme inevitavelmente manchado e seriamente prejudicado por uma duração que em muito estende a capacidade do seu argumento, bem como a paciência de quem vê o filme.
De um modo geral, "King Kong" é usualmente dividido em três partes: a viagem de barco até à ilha, a exploração da ilha, e as desventuras finais já em Nova Iorque. Compreensivelmente, o gosto pessoal de cada um ditará as respectivas preferências.

Quanto a mim, sou um grande fã da primeira hora do filme, acho que toda a viagem até à Skull Island é, numa palavra, apaixonante. A introdução a uma série de personagens deliciosas e fascinantes, tais como o já referido Jimmy, Mr. Hayes, Englehorn, Preston ou Lumpy. Bem como, evidentemente, do desenvolvimento do trio de protagonistas (e que protagonistas...). Esta primeira parte, a fazer lembrar "Titanic" (crítica aqui), é de facto a mais bem conseguida.
Já a segunda, reminiscente de "Parque Jurássico" (crítica aqui) é evidentemente mais "suculenta" a nível de sequências de acção bigger than life, mas peca precisamente pela sua "pequenez emocional", embora não fosse esse o objectivo de Jackson neste segmento do filme. Também a relação de Ann e Kong sofre de uma sobre exposiçao que a torna, a espaços, invariavelmente maçadora.
Por fim, a conclusão na selva de asfalto, a meu ver repleta de erros e más decisões que asseguram um final, mais do que sobejamente conhecido (previsível até), algo inglório.

"King Kong" cobre-se, como não poderia deixar de ser, de valores de produção ao mais alto nível, que vão desde a épica banda-sonora até ao irrepreensível elenco. E aqui, para além da óbvia referência à interpretação de Naomi Watts, que consegue a proeza de personificar uma "donzela em apuros" sem nunca perder a empatia do público, é fulcral a justa homenagem àquela que é a melhor interpretação da carreira de Jack Black. Sem dúvida, um protagonista completo, sério quando têm de o ser e evidentemente a exibir também o talento cómico pelo qual é tão famoso.
De resto, não há, igualmente, como ignorar prestações tão bem conseguidas como as de Andy Serkis, Thomas Kretschmann, Jamie Bell e, claro, de Adrien Brody.

"King Kong" está longe de ser grande filme, apesar de ser um filme grande. Ficam as intenções nobres de Peter Jackson, a execução técnica quase perfeita e o suspiro por apenas ter faltado um bocadinho "assim" a este superior entretenimento.


"It wasn't the airplanes. It was beauty killed the beast."

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Sahara/007- Morre Noutro Dia


Não fosse o sidekick Steve Zahn, e "Sahara" seria uma fita bem (mais) fraca.

Não se conseguindo insurgir no género cómico nem muito menos no aventureiro, "Sahara" é aquele filme que entretém mas nem de perto deslumbra.

Um grão de areia no deserto...






Não deixa de ser curioso como "Casino Royale" prima pelo realismo e qualidade, enquanto que "007-Morre Noutro Dia" carece de forma tão extrema de ambos.

Efeitos especiais rascas, irrealismo ao máximo, argumento repleto de incoerências e clichés, e vilões estereotipados


Pierce Brosnan espalha estilo e a confirmação de que está demasiado envelhecido para o papel.

Mas, "007- Morre Noutro Dia" é um incrível guilty pleasure, repleto de one-liners fantásticas e momentos cinematograficamente deliciosos. Mesmo os mal conseguidos.

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O Que as Mulheres Querem/Mr. e Mrs. Smith


"O Que as Mulheres Querem" não foge às tendências da realizadora Nancy Meyers: premissa é interessante e original, e o elenco de secundários que inclui desde Marisa Tomei até Alan Alda, é muito bem encabeçado por Mel Gibson (numa das suas melhores e últimas interpretações em muito tempo).

Infelizmente, e honrando a tendência da restante obra da realizadora, à medida que se aproxima do final, "O Que as Mulheres Querem" vai perdendo as qualidades.

Ainda assim, evidente guilty pleasure e grande Mel Gibson.




Valeu, e de que maneira, a Doug Liman, a brilhante química entre Brad Pitt e Angelina Jolie.
Separados, são dois grandes actores. Juntos, são perfeitos e carregam "Mr. e Mrs. Smith" às costas, porque de resto, o filme é um desastre.

Chega a ser hilariante o quão limitado é o argumento: não há início, não há conclusão, não há coerência, não há personagens para além dos dois protagonistas... De rir, nesse aspecto...

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Harry Potter e o Cálice de Fogo/Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte Um


Aclamado por muitos como o melhor filme da saga,"Harry Potter e o Cálice de Fogo" é um modesto desastre a nível de argumento,e uma curva descendente na saga do feiticeiro.

Chegando a atingir o ridículo em variados momentos (o início precipitado), o desequilibrado argumento não consegue ser compensado pelo elenco: Gary Oldman é afastado, Ralph Fiennes mal se vê e os restantes elementos são bastante secundarizados, sendo o caso de Alan Rickman o ma
is gritante.

Salva-se a realização de Mike Newell, a conseguir, vá-se lá saber como, tornar
bastante agradáveis e até épicas, cenas estruturalmente absurdas e, evidentemente, a marcante prestação de um sempre muito competente Brendan Gleeson, compondo um dos mais memoráveis personagens de toda a saga, e que tantas saudades deixa nos capítulos seguintes.



Eis, aqui sim, a verdadeira definição de filme-ponte. "Os Talismãs da Morte: Parte Um" é um empecilho de duas horas e meia, que arrasta aquilo que podia ter sido apresentado talvez numa única hora.

Uma belíssima, e simultâneamente miserável, manobra de marketing, da qual apenas se recorda o segmento animado d'Os Três Irmãos.

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Star Wars: Episódio III- A Vingança dos Sith/Busca Implacável


É incrível.
George Lucas comete, neste terceiro tomo, exactamente os mesmos erros ao nível do argumento que cometeu em "O Ataque dos Clones" (crítica
aqui)... a dobrar.

A lei do acaso, as desculpas (razões é uma palavra por demais forte...) banais para os factos ocorrentes, as bases da história ridiculamente mal fundamentadas.

Desta vez, darei exemplos. Apenas estes três que, informo, estão pejados de spoilers.

-Master Windu (Samuel L. Jackson), um Jedi e considerado soldado da paz, nem hesitou em tentar executar, a sangue frio, Darth Sidious (Ian McDiarmid);

-O grito de Darth Vader (Hayden Christensen), perto do final, provocou-me, literalmente, gargalhadas de tão ridículo que foi;

-O motivo que levou à morte de Padmé (Natalie Portman) chega a ser triste, mas de tão imponderado e fácil que é;

As incongruências... Só no ridículo jogo de "quem é melhor e mais hábil do que quem, no sabre de luz", Lucas arranja motivos suficientes para arruinar a credibilidade da história.

"A Vingança dos Sith" triunfa sobre os capítulos anteriores, apenas e só, pelo seu tom épico-dramático que garante momentos de grande, grande entretenimento.

O elenco, de uma forma geral e como seria de esperar, está bem, bem melhor. O caso mais notório é o de Christensen.

Referência final para aquela que é, provavelmente, a minha personagem predilecta de todo o universo Star Wars: General Griveous




Que delícia... Que grande guilty pleasure...

Simples, directo, honesto, puro. Puro entretenimento, sem perdas de tempo e sem momentos mortos. Não retiraria nem adicionaria a "Busca Implacável" um único segundo.

Alteraria, isso sim, a concepção da filha do protagonista. Ver uma rapariga de 17 anos, constantemente aos saltos e aos guinchos, comportando-se como se tivesse 12 anos é... absurdo.

Grande, grande interpretação de Liam Neeson.
Com mais de 50 anos, aqui um verdadeiro
bad motherfucker

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A Ilha/ O Namorado Atómico


Michael Bay, o eterno miserável a fazer-se passar por realizador, comete aqui o maior atentado da sua carreira ao sacrificar uma magnífica premissa sobre a sociedade, o homem e questões tão importantes como a clonagem ou a preservação da vida, humana ou não, a favor de um espectáculo pirotécnico profundamente irritante, escusado e francamente idiotico.

Depois de uma recta inicial fantástica, "A Ilha" perde-se em sequências de acção que duram até ao final do filme. É revoltante a forma como Bay desperdiça todos os seus recursos a nível argumentativo, desde a personagem de Michael Clarke Duncan (responsável pela mais poderosa cena do filme), passando pela essência do personagem de Sean Bean (belíssima interpretação do actor, já agora) até ao confronto entre o agnado e o seu sponsor.

Bay retalha um argumento repleto de potencial e destrói de forma excêntrica aquele que poderia ser um filme com um impacto igual ao de "Blade Runner", por exemplo.

No final? Palavras. Desilusão, insuficiência, incompetência, imaturidade. Desperdício.





Um filme giro.

Elenco competente, história original e um desenvolvimento bem aceitável.

Entretém sem dificuldades e pretensiosismo.

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Aposta de Risco/Outra Questão de Nervos


Fraquíssimo.

História banal, realização totalmente amadora e inconsequente e... um argumento de nos deixar sem palavras. Mas que diálogos são estes? Que personagens são estes?
Um filme tão limitado e mesmo assim tão arrastado.

E o elenco, que horror.
Al Pacino tem das piores interpretações da sua carreira, o seu personagem é uma caricatura pateta que apenas nos momentos pseudo-cómicos se sai menos mal.
Rene Russo nunca foi actriz e Matthew McConaughey... que desastre! Parece saído dos meus piores pesadelos, que péssima interpretação. Assim de repente, esta é a pior interpretação que já vi num filme. Desastrosa, catastrófica.





Longe do primeiro, é um filme agradável com um ou dois (literalmente) momentos de ir às lágrimas.
Mérito de Billy Cristal.

Robert De Niro arrasta-se, umas vezes melhor outras pior.
Entretém.

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O Senhor da Guerra


Ver Nicolas Cage a um bom nível tem vindo a tornar-se uma tarefa cada vez mais difícil. O sobrinho de Francis Ford Coppola atravessa há quase três anos um período de decadência pessoal e profissional que não parece ter fim à vista.

"O Senhor da Guerra" será, por ventura, um dos últimos filmes onde o podemos ver a um grande nível. Aqui, Cage entrega-se de corpo e alma ao papel e oferece-nos uma das melhores interpretações da sua carreira, ofuscando o restante elenco num one-man show mereçedor de muitos elogios.

A dirigi-lo está Andrew Niccol, argumentista de "The Truman Show- A Vida em Directo", que confere a "O Senhor da Guerra" um carisma muito pessoal e característico bem como uma enorme capacidade de manipular as emoções da audiência (consequência da constante transição do filme entre comédia negra e drama).
Só é pena que a abordagem do conteúdo seja, por vezes, maçuda e demasiado documental.

No entanto, "O Senhor da Guerra" é uma fita interessantíssima e sem pudor. Uma visão honesta do mundo do tráfico de armas, recomendada sobretudo para fâs de Nicolas Cage, e portadora de um dos melhores posters que já vi.


"Where there's a will, there's a weapon."

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O Matador


Estranho filme, este "O Matador". Por entre o drama e a comédia, o suspense e a fantasia, os assassinatos e as (excessivas e escusadas) cenas de cariz sexual, a mensagem acaba por não passar.

Com um argumento que, para além de pouco credível, possui claras influências em fitas como "Uma Questão de Nervos" ou "O Grande Lebowski", um elenco onde Pierce Brosnan efectua um spin-off cómico bem-sucedido do seu James Bond e Greg Kinnear está em piloto automático, para o futuro fica apenas uma sensação tão clara como a água: incolor, inodora e insípida...

Ah sim, a tagline do póster.

"-You said he was a nice guy.

-He is. For an assassin, he's very nice."

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Agente Acidental/A Verdade da Mentira


Um duo por demais improvável mas estranhamente bem sucedido.

O carisma de L. Jackson e a patetice de Levy fazem deste um filme bem simpático.





Até nos seus projectos assumidamente sem substância (até porque James Cameron não é um realizador com tanta substância como aparenta), Cameron não deixa de oferecer um "embrulho" de encher as medidas.

Carisma, efeitos especiais e muito irrealismo. Afinal de contas, é um filme (dois aliás, o argumento é uma colagem mal feita de dois filmes diferentes) protagonizado por Arnold Schwarzenegger...

Ainda assim, o elemento que mais brilha é o sidekick Tom Arnold.

Bom entretenimento, mas claramente longo de mais.
Cameron devia ter-se ficado apenas pela hora e meia de duração e feito só um filme e não dois...

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The Score- Sem Saída/Hitch- A Cura Para o Homem Comum

Exigia-se tão mais do que isto. Para aquele que é o único encontro de três dos maiores actores das suas gerações, Edward Norton, Robert De Niro e Marlon Brando, "The Score- Sem Saída" deixa demais a desejar.

Mas também, o que se esperaria com um argumento tão ridículo e uma realização tão fraca? Não deixa de ser, aliás, impressionante como Frank Oz consegue dirigir este elenco com tanta categoria de forma tão medíocre.

É certo que todos têm pouco que fazer, mas se já De Niro está indiferente ao que o rodeia, Brando (no seu último papel) pavoneia-se igualmente sem interesse.
É Norton, sobretudo enquanto o autista Brian, que ainda vai trazendo alguma luz a todo o projecto.

No entanto, não deixa de ser escandaloso que um elenco deste calibre resulte num filme tão pouco ambicioso.





Muito pouco a dizer. Enésima versão da comédia romântica, com bons e maus momentos, e rapidamente definível em duas palavras: Kevin James.
Hilariante.

Apenas uma observação, algo que me deixou alguma confusão: Allegra Cole, para súper-celebridade, deixa bastante a desejar em termos visuais, não?

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Máquina Zero


Bem-Vindo à Bodega.

Depois de ter visto a beleza na América, no seu filme de estreia, "Beleza Americana" (crítica aqui), o realizador Sam Mendes decidiu voltar-se para um tema bastante diferente: o da guerra. Neste caso, o da Guerra do Golfo. E, sem surpresa, Sam Mendes voltou a encontrar beleza, muita beleza. É, aliás, esse o seu dom.

Mas a sua maior qualidade, é mostrar esta beleza ao espectador. E em "Máquina Zero", Mendes fá-lo através da estonteante e libertadora fotografia de Roger Deakins que, numa reinvenção magnífica do conceito visual do "filme de guerra", obtém um trabalho verdadeiramente genial.

A "contracenar" com a fotografia de Deakins, está um elenco seguríssimo. Jake Gyllenhaal tem a sua melhor interpretação desde "Donnie Darko". Excelente trabalho do actor, com uma performance intensa e repleta de garra. Bastante bem está também Peter Sarsgaard, que surpreende ao obter, de longe, a melhor interpretação da sua carreira.
Pedia-se, no entanto, muito mais protagonismo para Chris Cooper. Já Jamie Foxx, embora não comprometendo o resultado final, mantém-se no seu habitual registo que me desagrada.

No entanto, "Máquina Zero" acarreta dois problemas. O primeiro, é o facto de "Máquina Zero" ser o filme de guerra com menos guerra de sempre. Percebem-se as intenções de Sam Mendes e a essência do argumento: apelar à reflexão. No entanto, uma ou outra sequência de acção não ficaria nada mal. Mas tal teria como consequência uma duração excessiva, já que o argumento de "Máquina Zero" não tem (entre outras coisas), a "elasticidade" do argumento de "Apocalypse Now".

Ainda assim, o principal busílis de "Máquina Zero" é mesmo o seu argumento, uma questão estrutural que, a dada altura, faz com que o filme de Sam Mendes perca todo o seu fulgor.
Esta reviravolta dá-se, sensivelmente, nos momentos em que os soldados partem para combater, após meses no acampamento. O registo satírico e divertido é substituído por mais uma incursão dramática nos traumas de guerra. Algo que, a meu ver, era escusado.

Com a agravante de "Máquina Zero" ter ainda uma vertente filosófica e simbólica substancialmente desenvolvidas, mas que acabam por contribuir para a dispersão da história, sobretudo na segunda parte do filme. Começam a ser demasiados os momentos-chave que exigem uma interpretação mais distante e, creio, nem todos eles foram feitos para o público entender. Embora sejam, sem dúvida, oportunidades que Sam Mendes não desperdiça para a elaboração de cenas inesqucíveis, como o vomitar de areia.

Mas "Máquina Zero" não deixa de ser uma das mais interessantes incursões sobre a guerra que já vi.


"Welcome to the suck."

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Jogos Mais Perigosos/Bruce, o Todo-Poderoso


O filme não consegue alcançar o seu primeiro e principal objectivo: superar ou pelo menos fazer esquecer o original. Mesmo com mais 10 anos em cima, durante e depois da visualização de "Jogos Mais Perigosos", é o seu antecessor que fica na memória.

Isto porque a equipa técnica não só não iguala como prejudica o elenco, já que o argumento é demasiado confuso e a realização de F. Gary Gray é demasiado monótona, imprimindo um ritmo extremamente lento, fazendo o impossível e tornar um filme com este elenco e este nível de coolness aborrecido.

"Jogos Mais Perigosos" torna-se assim um desfile de estrelas, não só do mundo do cinema mas também do mundo da música que, mal dirigidas, obtém prestações sem alma.
John Travolta anda a espalhar o habitual estilo. Não é o mesmo Chilli Palmer que vimos em 1995, mas uma sombra deste. No entanto, é mais forte do que eu: não consigo desgostar do actor.
Do restante elenco, destaque para The Rock pela positiva, que é o melhor elemento com uma interpretação capaz e dedicada, e para Vince Vaughn pela negativa, que tenta ser engraçado mas só consegue ser irritante.

Eu fiquei com vontade de ver "Jogos Quase Perigosos", e é isso que vou fazer.


"I hate sequels."






Podemos encarar este filme de duas formas: o que ele é e o que ele podia ter sido.

Podia ter sido uma comédia revolucionária, nas mãos do realizador certo e do argumentista certo. O elenco, excepção feita à irritante Jennifer Aniston, certamente dava para isso. A premissa é deliciosa e seria ouro puro com verdadeiros profissionais.

Mas o que "Bruce, o Todo-Poderoso" é apenas mais um one-man show de Jim Carrey, uma comédia que raramente tem piada genuína (fá-lo de forma brilhante, por exemplo, nas cenas em que Carrey contracena com Steve Carell) e que vive e morre da performance de um grande actor e comediante.

É claro que a presença de Morgan Freeman, num papel mais do que apropriado ao seu estatuto no mundo do Cinema, sobe muitos pontos. Um espasmo de lucidez, a sua inclusão no elenco.


"-Oh, God.
-You can call me Bruce."

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Kiss Kiss, Bang Bang


Harry Lockhart (Robert Downey Jr.) é um ladrão de quinta categoria, mas honesto. Durante um assalto que corre mal, o seu parceiro é abatido e Harry é perseguido pela polícia. Num golpe de sorte, acaba por ir parar a uma audição para um papel de um assaltante cujo parceiro é morto.
Saindo-se obviamente bem, Harry entra imediatamente no mundo de Hollywood, cruzando-se com duas carismáticas personagens: Gay Perry (Val Kilmer), um implacável detective privado (que é mesmo gay) que o ajudará a preparar-se para o seu papel, e Harmony Laine (Michelle Monaghan), uma velha paixão do liceu.
Infelizmente, os três ver-se-ão envolvidos num crime.

Uma gigantesca surpresa foi este "Kiss Kiss Bang Bang". Datado de 2005, a fita de Shane Black é um misto de thriller com comédia negra, que transpira carisma e estilo, e proporciona uma elevadíssima dose de entretenimento.
Eis um muito bem sucedido "buddy-movie", com um enredo inteligente, uma realização muito característica e bem trabalhada, e um elenco fantástico.
Shane Black tem aqui um trabalho muitíssimo competente, na elaboração deste pedaço de loucura tão saboroso. Cria uma história vibrante e credível, um conjunto de personagens memoráveis (onde o protagonista é também um desorientado e hilariante narrador) e rodeia-se de um elenco surpreendente e que encaixa na perfeição.

Shane Black realiza de forma tão sóbria este "Kiss Kiss Bang Bang", que não tem qualquer tipo de problema em ir mais longe. Não se agarra a nenhum género (apesar de se agarrar a algumas pessoas, visto que "Kiss Kiss Bang Bang" tem Tarantino all over it), satiriza os próprios conceitos a que adere, como os finais felizes, e parece ter uma aptidão especial para achar o humor nos pormenores mais sórdidos.
Enfim, não fosse o ritmo demasiado rápido de "Kiss Kiss Bang Bang" (o espectador não pode desviar os olhos do ecrã por um segundo), e Shane Black estava de parabéns.

De parabéns está mesmo o elenco, a começar pelo fabuloso Robert Downey Jr.. Um papel excelente, que adere como uma segunda pele ao actor, e que este personifica na perfeição. Pelo meio, ainda há tempo para arranjar uma química espantosa com o igualmente excelente Val Kilmer.
Pena que a relação de Downey Jr. com Michelle Monaghan seja tão seca.

Mas "Kiss Kiss Bang Bang" é uma proposta excelente, que garante entretenimento inteligente e ao rubro. Não pode ser ignorado.


"-Do you think I'm stupid?
-I don't think you'd know where to put food at, it you didn't flap your mouth so much. Yes, I think you're stupid."


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Terapia do Amor



Rafi Gardet (Thurman), uma divorciada na casa dos 30 anos que está a receber tratamento com a psicóloga Lisa Metzger (Streep), que a tenta ajudar a apostar de novo no amor. Quando Rafi lhe conta que arranjou um namorado mais novo, Lisa tenta apoiá-la até descobrir que este novo namorado é na verdade o seu próprio filho.

Maneirismos cómico-românticos à parte, "Terapia do Amor" é basicamente um filme de desperdícios. Desperdício de premissa, de elenco (Uma Thurman merecia mais e Meryl Streep é desprezada para segundo plano) e até de poster.

Vá lá que existe um excelente final a evitar a nota mínima.


"- You let me talk to you about his penis!
-Trust me, it was a lot harder to me that it was to you."

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