Depois do curioso e nada agradável "Desafio Total" (crítica aqui), Paul Verhoeven dá a sua cartada de mestre neste badalado thriller erótico que chocou audiências por todo o mundo aquando da sua estreia, mas que se trata, sobretudo e principalmente, de um dos policiais mais cativantes das últimas décadas.
Verhoeven mantém (algumas) caractéristicas já evidenciadas noutras obras, como a exibição de cenas de substancial violência, bem como uma grande (enorme!) dose de tensão sexual. Tensão esta que é concretizada e personalizada através de Sharon Stone, que não só tem uma excelente interpretação, como compõe igualmente uma das melhores personagens femininas de sempre.
Stone, quando aliada ao desconcertante trabalho de Verhoeven (os planos (muito!) pouco convencionais, interligados meticulosamente com uma banda-sonora arrepiante, sempre mantendo de forma irrepreensível o suspense e aumentando o interesse), faz o filme.
Se outros factores técnicos e humanos se mantivessem a este patamar, estaríamos certamente perante um grande filme.
Assim, fica-nos um filme naturalmente inesquecível, mas apenas um bom filme.
"-Got some coke?
-I've got a Pepsi in the fridge."

