Os benefícios de uma nova visão

São imensos os benefícios que um cinéfilo tem de uma nova visão dada pelos realizadores. É, por vezes, a admissão das debilidades do produto inicial mas sobretudo a coragem para reinventar grandes referências cinematográficas.

Falo-vos, concretamente, de toda e qualquer Versão de Realizador, Versão Extendida, Versão Especial e outros conceitos semelhantes que, frequentemente e para nosso bem, são libertadas para o mercado.

Seguidamente, e ao estilo de algumas das primeiras publicações deste meu espaço, apresentar-vos-ei alguns desses exemplos.


Blade Runner- Versão de Realizador (1993)


Nunca vi a versão original de "Blade Runner" (crítica aqui) do princípio ao fim. Parece-me compreensível esta minha falha, uma vez que a versão estreada em 1982 é, segundo o próprio Ridley Scott, bastante distante do pretendido. Por isso mesmo, Scott decidiu pôr mãos à obra e eliminar as imperfeições da sua obra original.
As mudanças mais claras prendem-se com a eliminação da narração de Deckard (Harrison Ford) e a alteração do final, que passou de frouxo/romântico para fenomenal/misterioso.
O resultado é claramente melhor.


Apocalypse Now- REDUX (2001)


Surpresa das surpresas: também não vi a versão original de "Apocalypse Now". Mas não me arrependo, pois tive o prazer de visualizar a versão REDUX que, com quase mais uma hora de cenas extra e nova banda-sonora, é, certamente, um novo e melhor filme.


O Senhor dos Anéis-A Irmandade do Anel- Versão Extendida (2002)


Adoro o filme original (crítica aqui). Mas não posso negar que prefiro esta Versão Extendida que, ao contrário da versão normal que gere todo o filme à volta de Frodo (Damm you, Elijah Wood!), se estende (precisamente) sobre as restantes personagens. E claro que este leque de personagens inclui a minha preferida, Boromir (o subvalorizadíssimo Sean Bean), atribuindo-lhe o protagonismo que sempre mereceu.


Alien-A Desforra- Versão Especial (2003)


Nunca poderíamos chamar a esta nova visão uma Versão de Realizador, já que David Fincher se recusou a participar na comemoração do 25º aniversário da minha bem amada saga "Alien".
Talvez isto explique a radicalidade da Versão Especial da saga, que altera grandes sequências da trama, embora isto não tenha consequências no seu desenvolvimento. Uma versão arrojada e muito diferente da original.


Reino dos Céus- Versão de Realizador (2005)


Sem dúvida alguma, a mudança mais significativa entre o filme original e a nova versão. Trata-se, aliás, de uma obra completamente nova e que mereceu, inclusive, uma crítica independente que pode ser visitada aqui.
Ridley Scott está novamente envolvido, ao revelar ao público o verdadeiro "Reino dos Céus", aquele que os produtores recusaram. Saiu-lhes caro, mas Scott quis limpar a sua imagem e consegui-o. "Reino dos Céus" (a crítica ao original pode ser visitada aqui) passa assim de filme medíocre a obra-prima. Obrigado Ridley Scott.

4 Eloquentes Intervenções Escritas:

João Bastos disse...

Dos filmes que sugeres, tenho na prateleira para ver a o director's cut de Blade Runner e Reino dos Ceus. Do Alien 3, eu cresci a ver os filmes originais. Ha uns tempos comprei a edição DVD que tem as duas versoes. Quando vi a alterada, parecia que estava a ver um filme totalmente diferente (nao para melhor), mas pronto...

Nekas disse...

No que toca a Blade Runner, só vi a versão realizador com um final espantoso.

LOTR é um filme ao qual não tive a oportunidade de visionar a extended edition como tu sabes mas é uma falta que pretendo retirar quando a falta de tempo não for um problema.

Já sabia da tua preferência quanto ao Kingdom of Heaven em relação à versão original, é um dos perfeitos exemplos de como as produtoras estão importadas com o dinheiro e não com a qualidade!

Abraço
Cinema as my World

Nasp disse...

Agora fiquei curioso, o Reino do Ceus passa a filmalhão só com a versão do realizador ?

Pergunto-me como é que isso é possivel, têem assim tantos minutos extra ?

Tenho que ir a procura disso...

Jackie Brown disse...

João,

A director's cut é muito melhor do que a versão original, mas recomendo-te a Final Cut feita em 2007.

O Reino dos Céus, referes-te à versão original ou a de realizador?

Quanto ao Alien, estamos em desacordo. Achei muito interessantes as mudanças feitas na história que, a meu ver, só a benefeciaram.


Nekas,

É verdade, mas também recomendo a Final Cut, a melhor versão de Blade Runner disponível no mercado e a preferida de Ridley Scott.

Em relação ao Senhor dos Anéis, recomendação absoluta da Extended do primeiro filme, parcial do segundo filme, e nula do terceiro filme ;)

O caso Reino dos Céus é um dos mais gritantes sim! Tens toda a razão.


Nasp,

A minha opinião vale o que vale, mas as minhas críticas a ambas as versões falam por si.

Parece difícil de acreditar, mas o que importa não é a quantidade de minutos adicionados, mas sim a sua relevância para a história. Se eu te contasse o que foi omitido na versão original, nem acreditavas...

Vai à procura e depressa!


Abraços e muito obrigado pelos comentários!

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