Tudo mal...

Ontem, revi "Os Intocáveis". Do início ao fim, apenas vi o filme uma vez. Quando o comprei, nos tempos em que ainda adquiria DVD's de filmes que nunca tinha visto, estava excitadíssimo. A edição era bem porreira, e o filme em si é tido como um dos melhores de gangsters. Ainda para mais com a premiação de Sean Connery. Quando vi o filme, fiquei abaladíssimo. Foi verdadeiramente decepcionante. Foi, aliás, tão decepcionante que nem me apeteceu escrever ou pensar mais sobre o assunto. Reflectir sobre o que estava mal em "Os Intocáveis".

Ontem, apeteceu-me rever o filme. Não o filme todo, mas algumas cenas-chave que, já agora, me permitissem obter uma opinião mais conclusiva sobre a obra de Brian De Palma.
E o que está, afinal, mal em "Os Intocáveis"? Tudo...

Mas como é possível que este seja considerado um grande filme, de gangsters ou do que quer que seja?!
Senão, veja-se:

A Realização

Anedótica. É incrível como algumas cenas estão tão ridiculamente mal concebidas. Por exemplo, na cena final do julgamento, após a condenação de Al Capone, o que vemos? Robert De Niro aos saltos, de forma grotesca, e Kevin Costner a tentar aproximar-se dele para lhe dizer a (frouxa) one-liner final, que De Niro... não ouve! Tem de pedir a Costner que repita o que disse!!

Ou na cena em que ambos se encontram no Hotel, e onde De Palma encena a violência de forma tão gratuita quanto idiótica (De Niro não suportou o tom de voz de Costner e quis logo partir para a violência?...).

Já para não falar das cenas de acção. No restaurante, no momento em que Capone rebenta a cabeça a um imediato seu, com um taco de basebol, só tive vontade de rir. Mas existiu alguma preocupação estética? A sonoplastia, por exemplo, é risível.

E a cena na estação? Costner só pode ser um super-homem, para conseguir matar todos aqueles homens, apanhar a arma que Andy Garcia lhe atira e ainda segurar o carrinho do bebé...

E os momentos em que Malone está a morrer? Sean Connery parece estar com prisão de ventre, bem como uma forte vontade de esbofetear Costner

E a banda-sonora? Sempre, sempre no momento errado... Pseudo-épica, mas sempre fora de contexto e terrivelmente irritante...


O argumento

Que ridículo... Que diálogos são aqueles?
Pergunta Malone a Stone:
"-São Judas, o patrono das causas perdidas e dos polícias... Qual queres ser? (Deixa cá ver, entre afirmar que quero ser aquilo que já sou, que é polícia, e "causas perdidas"... O que hei de dizer?...)
-Polícia" (Boa! Resposta mentalmente sã!)

E é com cada one-liner mais banal e parola... "Never stop fighting until the fight is over". A sério? Boa...

E as próprias cenas, não fazem sentido...
Uma das cenas finais, em que Ness desmascara Frank Nitti às portas do tribunal. Nitti foge, Ness persegue-o. Ness chega ao topo do edifício. Olha para baixo, e vê Nitti a tentar descer o prédio por uma corda. Ness saca da pistola, e mira para tentar acertar em Nitti. Mas, por alguma razão... perde a vontade! E volta a colocar a pistola no coldre, enquanto olha para Nitti. E Nitti, vendo a desistência de Ness, o que faz? Continua a descer o prédio, para assim fugir e evitar a prisão? Não! A meio caminho, decidide voltar a subir tudo o que já tinha descido (!), a rir-se (!!) para, chegado novamente ao telhado do prédio, se deixar prender por Ness (!!!). Obviamente que Nitti decide tecer um outro comentário menos simpático, e o que faz Ness? Continua a sua detenção? Agride-o? Dá-lhe um tiro?! Não! Atira-o do prédio abaixo!!!
Mas isto fará algum sentido, ou sou só eu?!


O Elenco

Vai pelo mesmo caminho. Kevin Costner não convence como polícia durão. Robert De Niro faz uma figurinha ridícula. Sean Connery não justifica, de todo, o Óscar. Está bem, não nego. Mas Óscar?! Andy Garcia tem pouco espaço...


A Conclusão

Está tudo mal em "Os Intocáveis".

Tudo mal...

8 Eloquentes Intervenções Escritas:

Roberto F. A. Simões disse...

Nunca vi. Não tenho grande curiosidade.

Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «

Hugo disse...

Desculpe, respeito sua opinião mas vou discordar.

Na minha opinião é um grande filme, com ótimo direção de Brian DePalma e com Robert De Niro interpretando muito bem um Al Capone totalmente descontrolado.

Até o estranho Billy Drago está perfeito como o assassino Frank Nitti.

Abraço

Loot disse...

Já lá vão muitos anos desde que vi o filme, por isso não me vou arriscar a descreve-lo porque não estou preparado, tenho e o rever.

Mas do que me lembro eu gostei. Pode não ser o melhor filme de gangsters mas eu gostei bastante.

Jackie Brown disse...

Roberto,

É possível, possível que gostes. Não creio que adores, de todo.
Eu pessoalmente, não percebo a sua sobrevalorização.


Hugo,

Não tens que te desculpar, tens todo o direito de discordar.

Não consigo concordar contigo, mas, o que tens a dizer dos factos que descrevi no post?


Loot,

Eu só precisei de uma vez para perceber que não me tinha agradado nada.


Abraços!

Loot disse...

Eu não preciso de o ver mais vezes para não gostar o que eu quis dizer é que não vou defendê-lo se não me recordo dos pormenores de realização que mencionas, teria de o rever para te contra-argumentar.

Jackie Brown disse...

Loot,

Sim, com certeza, eu percebi ;)

Abraço

ArmPauloFerreira disse...

Olha eu... gostei desse filme. Mas sou suspeito pois devo ser pessoa de gostos estragados...

De "Tudo mal" não vislumbrei nada assim na altura.
Não é nenhuma excelência do Brian de Palma mas é um dos muitos jeitosos momentos dele de nível medio (ele tem alguns de nivel superior). Mas tal como o Loot refere já o vi há imensos anos e penso que revi uma ou outra cena pelo Hollywood há uns tempos atrás ao fazer zapping.
O que memorizei dele foi a interessantíssima performance do Kevin Costner... na altura um dos nomes em crescendo de relevância.

Mas... pode ser que tenhas a tua razão, ao teres uma diferente visão bem mais jovem. Talvez...

Jackie Brown disse...

Arm,

Que gostos estragados? Cada um tem os seus ;)

De De Palma só vi este e Missão: Impossível, pelo que não é um realizador que me encha as medidas...

Quanto a Costner, acho que está bastante mal..

Não sei se terei toda a razão, mas acho que a minha perspectiva, como dizes, mais jovem me permite ter uma visão mais distante de um filme que, claramente, não soube envelhecer...

Cumprimentos ;)

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