Michael Douglas e as femme fatale

Com a estreia, em breve, da sequela de "Wall Street", o actor Michael Douglas vai, em princípio, libertar-se das garras da mediocridade que têm tomado de assalto a sua carreira na última década.

No entanto, tal não era assim nos tempos áureos do primeiro capítulo de Oliver Stone. Aliás, foi nesse ano de 1987 que Michael Douglas alcançaria o auge da sua carreira. Venceu um Óscar, sim, mas o meu foco será numa outra obra do presente ano e que traria ao mundo a primeira femme fatale de Michael Douglas.

Note-se que este é um artigo meramente didáctico, feito por gosto pessoal e sem razão aparente. Apenas me parecem uma série de concidências interessantes, já que nenhum dos filmes ou actores aqui mencionados (incluindo o próprio Michael Douglas) se encontra na lista dos meus favoritos.


Atracção Fatal


A sinopse- Michael Douglas teria aqui a sua primeira "aventura", a mais familiar e pessoal. Enquanto o advogado Dan Gallagher, Douglas vai fazer uma marotice com Alex Forrest, interpretada de forma brilhante por Glenn Close.
Alex não vai gostar de ser rejeitada (já que Dan era casado e viu tudo como um caso de uma noite) e vai assegurar-se de que, de uma maneira ou de outra, Dan será seu.
Vai, digamos, por coelhos em pratos limpos. "Coelhos"? Eu queria dizer "tudo".

A femme- Esta femme fatale foi fiel ao seu título e acabou por fazer a vida bem negra, não só a Dan, mas à sua restante família. Intimidações, actos de legalidade questionável e atitudes erróneas acabariam por mostrar a verdadeira demência de Alex Forrest.

O Douglas- O filho de Kirk Douglas faz aqui um papel relativamente fácil, sem muito esforço ou carga dramática. A do homem comum. O simples protótipo do homem comum, um papel acessível.

Sobre o filme- O filme em si constituiu um sucesso enorme: Nomeações para os Óscars, criação de novos vocábulos, sessões fotográficas em conta e, para mais tarde recordar e acima de tudo, uma grande, grande interpretação de Glenn Close.


Instinto Fatal



A sinopse- Um polícia mandrião, alcoólico e algo (muito) kinky -Michael Douglas em mais um papel banal- encontra-se a investigar um homicídio violento, quando se vai envolver com a principal suspeita, Catherine Trammell (electrizante Sharon Stone), uma escritora perita em jogos psicológicos e em... quebrar o gelo.

A femme- Uma vez mais, Michael Douglas é completamente engolido pela sua co-protagonista. Desta feita, é Sharon Stone que o faz, ainda com mais classe e pinta do que Glenn Close, cinco anos antes. A sua Catherine é uma das melhores personagens dos anos 90, desconcertante e marcante, responsável por um par de momentos verdadeiramente inesquecíveis. E sim, sempre com um pé à frente de Nick.

O Douglas- Regular, uma vez mais. O seu Nick Curran é um personagem muito fácil e substancialmente esterotipado -quem não se lembra do Nick Conklin de "Chuva Negra" ?- e que, definitivamente, não é a verdadeira estrela do filme.

Sobre o filme- Cativante, viciante, desconcertante, imperdível, de impossível interrupção da visualização, incapaz de desagradar e que vai melhorando a cada visualização. Um exemplo a seguir, no campo do policial de suspense, um sucesso estrondoso e que ainda arrecadou alguns prémios. E claro, com aquele toquezinho hardcore tão bem vindo.



Revelação



A sinopse- Um executivo de uma empresa informática envolve-se com a sua superior (Demi Moore)... e arrepende-se. A menina não gostou de ser rejeitada e vai pôr-lhe um processo em cima.

A femme- Se é certo que não falta sensualidade a Demi Moore, já o seu (pouco) talento surte mais dúvidas. Ainda para mais com um papel bastante limitado (esta femme fatale não passa de uma mulher mimada e arrogante, sem nenhum objectivo definido.

O Douglas- Pobre Michael Douglas... Aqui já está velho de mais. Para além disto, o personagem em si não passa de um banana. Teve a sorte de contracenar com Moore, porque de resto, limita-se a ganhar o dele.

Sobre o filme- Um tiro ao lado. Barry Levinson tentou aproveitar-se dos filmes anteriores, mas esqueceu-se que o seu vale zero. Banal, sem fôlego ou um pingo de inovação, e muito enganador. Não tem nada de thriller, nada de erótico, nada de acção, nada de nada... Não se deixem enganar como eu, ignorem este...

4 Eloquentes Intervenções Escritas:

Dora disse...

Excelente post! Sou fa do Michael e dos seus tempos áureos de galã! Agora quero vê-lo no Money Never Sleeps.

E a seguir vai sair um filme dele com a Susana Sarandon que também faz de galã!

Jackie Brown disse...

Dora,

Muito obrigado :D

Estava a ver que ninguém comentava, e logo um post que até deu trabalho :(

Não sou grande fã de Michael Douglas, sobretudo neste género de papéis.

Adorei a sua interpretação n'O Jogo, que é de longe a melhor da sua carreira.

Dora disse...

Eu comento sempre!

Já viste "Um dia de Raiva" com ele? Como és mais novo existem filmes que não viste e é por isso que te dou estas dicas, não leves a mal. Ele aqui faz alto papel.

Também adoro o Jogo!

Eu sou do tempo de ver A Jóia do Nilo...no cinema quando era miúda!

Jackie Brown disse...

Dora,

Não vi. Sei qual é, dizem que tem das suas melhores interpretações de sempre.

Levar a mal? Claro que não! Agradeço a dica! :D

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