O problema reside na produção. Tim Burton, realizador por quem nutro uma especial antipatia, bem tenta tornar "O Planeta dos Macacos" num épico à medida de, segundo dizem, "O Homem que veio do Futuro".
Mas os valores de produção deixam demais, demais a desejar: fotografia, guarda-roupa, efeitos especiais ou figurantes. Não deixam o filme ir mais longe. O que é uma pena.
A excepção é a caracterização. Fantástico trabalho, tão bom que chega a "engolir" alguns dos actores, como é o caso de Helena Bonham Carter.
Não obstante estes defeitos, acabei por gostar bastante deste "O Planeta dos Macacos", que tudo deve à estrondosa interpretação de Tim Roth. Brilhante trabalho do actor, a compor uma vilão inesquecível enquanto obtém uma das melhores interpretações da sua carreira. Igualmente brilhante é o trabalho de caracterização, que torna o personagem realmente intimidador.
O restante elenco é regular. Mark Wahlberg não tem estofo para protagonista e Estella Warren é só uma cara bonita. Os secundários Michael Clarke Duncan e Paul Giamatti, por seu lado, estão bastante bem.
Quanto à história em si, é interessante, embora se acabe por perder (confundir?) com intrigas políticas e muita disfunção espacio-temporal.
O final agradou-me. Dá uma sensação de desconforto e impotência deliciosa.
Acabo por encontrar mais defeitos do que qualidades neste "O Planeta dos Macacos", e concluo que... não consigo justificar a minha classificação...
"Everything in the human culture takes place below the waist."
