Alien-O Regresso(Crítico Convidado-Hugo Gomes)


Realizado em 1979, Alien de Ridley Scott consistiu numa experiência acima do esperado, em que o autor combina o melhor do thriller de suspense digno de autoras literárias como Agatha Christie num meio ambiente futurista, realçando uma das criaturas cinematográficas mais notórias, o Alien. A fita de Scott rendeu 185 milhões de dólares, isto tudo num exemplo de ficção científica que só custou 11 milhões ao estúdio, 20th Century Fox. James Cameron (Titanic, Terminator 2), por outro lado, viu em Alien, mais que um culto, mas sim um franchising de sucesso e com isso realizou Aliens (1986), em que o sufixo (s) fez todo o sentido. Mais acção, mais Aliens (os fãs pediam), mais terror, sangue e vísceras, mais Sigourney Weaver (aqui consolidando numa das melhores heroínas do cinema), o êxito deste exemplo foi tanto que superou o original e deu nova vida a este projecto – franchising. A ideia de trilogia só veio em 1992, quando um homem chamado David Fincher (muito antes de Seven, Fight Club e The Curious Case of Benjamin Button) tinha saído directamente do mundo dos videoclipps (e Madonna) para entrar na direcção do cinema. O resultado foi um capítulo bem discreto, mas visualmente bem conseguido que não agradou de todos os fãs (a divisão acerca da qualidade deste ainda se discute nos dias de hoje), mas o autor teve a coragem (ou ousadia) de terminar a ambiciodade transposta por Cameron. Com o quê? Matando a protagonista, a Tenente Ripley (Sigourney Weaver), dando um final trágico mas poético.

Porém, a 20th Century Fox, tal como outros grandes estúdios, não via em Alien um legado terminado, mas sim um filão com ainda muito por explorar e reter. Com isso contratou de novo Weaver e um realizador em vias de ascender, Jean-Pierre Jeunet (anteriormente concebido Delicatessen e City of the Lost Children) para restaurar a comercialidade de Alien, que supostamente Fincher teria “assassinado”. O primeiro obstáculo que arrastou a produção foi como trazer á vida uma personagem que se encontrava morta no final do terceiro capítulo? A resposta foi simples e um pouco infantilizada, clonar, sendo esse a temática do argumento de Joss Whedon (criador das séries Buffy e Firefly), que depressa conseguiu desenrolar uma premissa convincente que assentasse no universo de Ripley e, obviamente, dos Aliens. esta ressuscitação como é lógico levou á ideia do titulo – Alien: Resurrection.

Resurrection, como havia referido, inicia com a clonagem de Ripley, e no seu ventre o embrião da criatura mãe dos Aliens, motivo o qual uma companhia de fabricação de armas interessou-se. Esta “clone” por sua vez, ganhou certas imunidades e características da criatura que se encontra dentro de si, estas habilidades serão confirmadas quando um grupo de mercenários invade o local, trazendo com eles a andróide Annalee Call (Winona Ryder). Com isto tudo, nada poderia fazer jus ao nome da saga se o cenário que o filme decorre (uma gigantesca nave), tivesse cheia de Aliens com um certo apetite por carne humana.
Reinvenção do original de Scott, Resurrection poderia facilmente cair como uma desavergonhada manobra de consolidar Alien nas bilheteiras, mas verdade seja dita, a fita tem alguns trunfos que se verifica na secção técnica e visual, como os efeitos especiais e práticos. Jeunet é um realizador bastante plausível nesse ramo e bom director de actores, capaz de captar uma química entre Weaver e Ryder, mesmo que as interpretações sejam automáticas e não permitem grandes rentabilidades. O resto é uma intriga demasiado “pleausure”, cujas referencias fazem delicias aos fãs (calma, pouco), mas assumindo como fita de acção não tem nem um cunho da obra que 11 anos antes fez estrondo nas bilheteiras e no legado da ficção cientifica. Temos algumas surpresas no final, algumas ousadias fastidiosas e uma sensação “déjà vu” que se arrasta por toda a narrativa, com proveito podemos tirar Ron Perlman, que não é praticamente um actor de grande beleza estética, mas sim uma presença forte e contagiante. Uma sequela dispensável, mas não é ruim de todo, não senhor!

Esta analise é totalmente elaborada por Hugo Gomes e foi gentilmente cedida ao Cinemajb.

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