É, para muitos, o policial por excelência. É, para outros tantos, um filme de terror superado por poucos outros. Para mim, é um bom filme que podia ter sido um grande filme. "O Silêncio dos Inocentes" apresenta, entre outras, a particularidade de ter sido apenas o 3.º filme da história do Cinema a conquistar os cinco principais Óscares da Academia: Melhor Filme, Realizador (Jonathan Demme), Actor (Anthony Hopkins), Actriz (Jodie Foster) e Argumento Original ( Ted Tally, segundo o livro de Thomas Harris).
Cinco categorias diferentes, cinco categorias importantes, cinco Óscares atribuídos, dois deles de forma injusta.
É o argumento de "O Silêncio dos Inocentes" que mais o prejudica. Não foi bem sucedida a tarefa de acompanhar, em simultâneo, a investigação policial e os planos de Hannibal Lecter. Uma opção pouco corajosa e que se revelou claramente perdida, já que ambas as vertentes da acção são, em um ou outro momento, preteridas uma a favor da outra. Era difícil conciliar as duas linhas narrativas de forma satisfatória, mas o insucesso é óbvio. Por exemplo, Anthony Hopkins, sendo o (suposto) protagonista, desaparece completamente de cena nos últimos 40 minutos de filme.
Cinco categorias diferentes, cinco categorias importantes, cinco Óscares atribuídos, dois deles de forma injusta.
É o argumento de "O Silêncio dos Inocentes" que mais o prejudica. Não foi bem sucedida a tarefa de acompanhar, em simultâneo, a investigação policial e os planos de Hannibal Lecter. Uma opção pouco corajosa e que se revelou claramente perdida, já que ambas as vertentes da acção são, em um ou outro momento, preteridas uma a favor da outra. Era difícil conciliar as duas linhas narrativas de forma satisfatória, mas o insucesso é óbvio. Por exemplo, Anthony Hopkins, sendo o (suposto) protagonista, desaparece completamente de cena nos últimos 40 minutos de filme.
Esta falha escrita é, no entanto, compensada pela fabulosa realização de Jonathan Demme, que filma "O Silêncio dos Inocentes" com uma intensidade e uma tensão incríveis. Desde os close-ups feitos a Hopkins até à fantástica cena final a visão nocturna. Rasgos de total inspiração, aliados a um talento óbvio e que resultam num trabalho fora do comum e justamente premiado com o Óscar da Academia.
Quem não o mereceu foi Anthony Hopkins. Não, eu não achei que o veterano actor tivesse uma má interpretação, muito pelo contrário, acho que o seu Hannibal Lecter é um dos maiores vilões que a 7.ª Arte já viu. Obviamente que, se assim o é, deve-o à grande interpretação de Anthony Hopkins, que obtém uma performance verdadeiramente brilhante. Só é pena que não lhe seja atribuído o protagonismo que, à partida, esperávamos que fosse. Por isso mesmo, e a meu ver, o Óscar que lhe devia ter sido entregue era o de Melhor Actor Secundário e nunca o de Melhor Actor.
Já Jodie Foster, tirando raras excepções em que é "puxada", não atinge o patamar de Anthony Hopkins em momento algum. Ora com tal termo de comparação, custa ver o Óscar de Melhor Actriz como justo.
Scott Glenn não é um grande actor e o seu papel era fácil eTed Levine não possui o talento de Javier Bardem para, tal como este fez em "Este País Não É Para Velhos" (crítica aqui), brilhar com tão poucas falas.
Um destaque final para a estrondosa e desconcertante banda-sonora de, surpresa das surpresas, Howard Shore. O estatuto como um dos melhores no seu ramo reafirma-se.
Faltou um bocadinho a "O Silêncio dos Inocentes" para ser um grande filme. Mas não deixa de ser uma proposta extremamente interessante.
Quem não o mereceu foi Anthony Hopkins. Não, eu não achei que o veterano actor tivesse uma má interpretação, muito pelo contrário, acho que o seu Hannibal Lecter é um dos maiores vilões que a 7.ª Arte já viu. Obviamente que, se assim o é, deve-o à grande interpretação de Anthony Hopkins, que obtém uma performance verdadeiramente brilhante. Só é pena que não lhe seja atribuído o protagonismo que, à partida, esperávamos que fosse. Por isso mesmo, e a meu ver, o Óscar que lhe devia ter sido entregue era o de Melhor Actor Secundário e nunca o de Melhor Actor.
Já Jodie Foster, tirando raras excepções em que é "puxada", não atinge o patamar de Anthony Hopkins em momento algum. Ora com tal termo de comparação, custa ver o Óscar de Melhor Actriz como justo.
Scott Glenn não é um grande actor e o seu papel era fácil eTed Levine não possui o talento de Javier Bardem para, tal como este fez em "Este País Não É Para Velhos" (crítica aqui), brilhar com tão poucas falas.
Um destaque final para a estrondosa e desconcertante banda-sonora de, surpresa das surpresas, Howard Shore. O estatuto como um dos melhores no seu ramo reafirma-se.
Faltou um bocadinho a "O Silêncio dos Inocentes" para ser um grande filme. Mas não deixa de ser uma proposta extremamente interessante.
"A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti. "


