Pulp Fiction(Crítico Convidado-Filipe Coutinho)


O que dizer de um filme como Pulp Fiction? Simplesmente que é talento no seu estado mais puro de Quentin Tarantino. Os seus diálogos fabulosamente elaborados (como a discussão acerca do “silêncio incómodo” tantas vezes sentido durante uma conversa; a distinção entre um hambúrguer com queijo nos Estados Unidos e na França; ou a até agora sem resposta temática da intervenção divina), o humor negro que roça a genialidade ou a capacidade de interligar várias histórias, com várias personagens distintas, de uma forma simples e eficaz é, claramente, a exaltação da imaginação e da criatividade num uníssono perfeito.
Pulp Fiction consegue singrar, muito graças ao seu elenco de luxo. Samuel L. Jackson e John Travolta interpretam uma dupla de assassinos a cargo de Marsellus Wallace (Ving Rhames). Uma Thurman (mulher deste último) e Travolta protagonizam uma das cenas de dança mais célebres de toda a história cinematográfica, tornando certos passos inesquecíveis e intemporais. No papel de Jules Winnfield, Samuel L. Jackson deixa patente o estatuto de actor super cool, emanando um estilo verdadeiramente próprio, onde tudo o que diz ou faz é realmente cool. É evidente que seria impossível não falar sobre a "nossa" Maria de Medeiros que interpreta Fabienne, formando um par pseudo-romântico com o eterno durão Bruce Willis, que nesta fita é um boxeur em apuros com o Marsellus Wallace. Christopher Walken não é, desta feita, o mau da fita (tendo em conta que uma significativa parte das personagens direccionam-se para o dark side of the force) e, apesar de ter um papel consideravelmente pequeno, dá um toque essencial à história ajudando a clarificar a importância de um tal mítico objecto. Além dos mais revela-se extremamente cómico na desconstrução do seu inspirado monólogo. Tim Roth é Pumpkin/Ringo e, em conjunto com Amanda Plummer (Honey Bunney/Yolanda), iniciam e terminam o filme de uma forma bastante peculiar (como não poderia deixar de ser). Harvey Keitel é o aprumado Mr. Fox, o problem-solver do grande chefe. Ao longo de 154 minutos de filme percebemos o quão distinta e pessoal é esta obra tornando-a num filme de culto, obrigatória para qualquer fã da sétima arte.

Pulp Fiction era, originalmente, um segmento com apenas duas partes, mas após o sucesso de Reservoir Dogs (outra obra-prima obrigatória), Tarantino decidiu escrever mais uma parte. Dá para entender o impacto deste filme, não só pelo seu Óscar (de sete nomeações) e da Palme D'Or em Cannes, mas pelo fenómeno que se tornou entre a comunidade cinéfila vigorando em praticamente qualquer top 10. A minha falha foi não ver esta fita antes, mas como diz o ditado "Mais vale tarde do que nunca", e de facto a sabedoria popular nunca teve tanta razão. Se não viu, veja, e deixe-se levar e contagiar pelo estilo único de Quentin Tarantino.
A Frase
Mia: Don't you hate that?

Vincent: What?

Mia: Uncomfortable silences. Why do we feel it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?

Vincent: I don't know. That's a good question.

Mia: That's when you know you've found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably enjoy the silence.

Esta análise é totalmente elaborada por Filipe Coutinho e foi gentimente cedida ao Cinemajb.

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